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terça-feira, 12 de maio de 2009

SOCORRO URGENTE

As fortes chuvas que se abatem sobre o Norte e o Nordeste causam estragos e suscitam preocupações. As enchentes começaram no mês passado e, de lá para cá, ampliam-se os prejuízos e multiplicam-se as vítimas. Segundo levantamento da Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec) divulgado na sexta-feira, o desastre atinge 329 municípios localizados em 11 estados. O número de vítimas deixa clara a dimensão da tragédia: 44 mortos, 126.376 desabrigados (dependentes de acolhimento público) e 57.249 desalojados (pessoas hospedadas em casa de amigos ou familiares). As cheias alagaram ruas, afundaram casas, inutilizaram bens, romperam açudes, destruíram pontes. Obrigados a fugir, os moradores das regiões atingidas temem a ação de bandoleiros que, aproveitando-se da tragédia, roubam o que encontram nos domicílios abandonados. Além disso, falta-lhes transporte adequado para buscarem lugares mais seguros. A ajuda humanitária é lenta e insuficiente. Para agravar o quadro, outro perigo ronda a população. São as doenças oportunistas. Entre elas, viroses respiratórias, diarréias, vômitos, leptospirose, hepatite e dengue. As principais vítimas são crianças e idosos. Em primeiro lugar, porque o organismo frágil é mais suscetível a enfermidades causadas pela poluição das águas. Em segundo, porque faltam leitos e remédios nos hospitais públicos. O socorro a enfermos, precário em épocas normais, corre risco de colapso com a sobrecarga. No 10º Fórum de Governadores do Nordeste, realizado na semana passada, surpreendeu a declaração do ministro da Integração Regional, Geddel Vieira Lima. Questionado sobre a lentidão e a falta de planejamento no socorro às vítimas, o político baiano afirmou ser inútil mandar recursos para os estados atingidos porque os municípios se encontram debaixo d’água. Mais: frisou que a solução do problema não pode ficar só a cargo do poder público, mas “também das pessoas que assumem o risco de viver em áreas de risco”. A insensibilidade do ministro choca as consciências civilizadas do país. Geddel se esquece de que ninguém mora em encostas ou em palafitas por deleite ou pela beleza da paisagem. Famílias se sujeitam à precariedade da morada por falta de alternativa. Ali, além da falta de higiene, de segurança e de saneamento básico, correm o risco de ter as casas invadidas pelas águas. São calamidades que exigem ação efetiva do Estado. Outras regiões são também vítimas de tragédias climáticas periodicamente. As autoridades têm de estar preparadas para responder com eficácia à necessidade de socorro das populações atingidas. É tempo de encarar a questão com profissionalismo e presteza. Improvisações e demoras cobram preço alto. Pagam-se com vidas.
Fonte: VISÃO DO CORREIO
Correio Braziliense edição de hoje 12 de maio de 2009

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