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| Herbert Lago discursando |
Na noite de sexta-feira do
dia 27 de abril, a cidade de Chapadinha viveu um momento de destaque com a
Sessão Solene de Posse dos novos acadêmicos da ALACC – Academia de Letras Artes
e Ciências de Chapadinha. A solenidade foi realizada na Câmara Municipal de
Chapadinha e teve início às 20 h e conduzida pelo presidente da Academia, Telmo
José Mendes. Dente os empossados estava o poeta e escritor Chapadinhense
Herbert Lago Castelo Branco, que proferiu seu icônico discurso que
transcrevemos abaixo:
“Senhor Presidente, Caros confrades e confreiras, que hoje me
acolhe na casa de Mata Roma, guardiã das nossas Letras. Artes e Ciências.
Neste momento, em que assumo a honrosa condição de membro da Academia
de Letras Artes e Ciências de Chapadinha, agradeço a generosidade dos
acadêmicos, aceitando-me como seu companheiro nesta insigne casa, a que já pertenceram
e pertencem nomes significativos de nossa cultura, arte e de nossa história.
In memoriam, quero fazer um agradecimento especial ao Senhor
Eduardo Luiz da Silva, como então presidente da ALACC, em dezembro de 1995 me
informa que o meu nome tinha sido aprovado e me fez o primeiro convite para
ingressar como acadêmico da ALACC, no que aceitei de pronto. Mas como diz o
poeta Carlos Drummond de Andrade, em sua obra prima:
No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra.
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| Acadêmicos da ALACC |
Três décadas se passaram e se hoje estou aqui, agradeço ao
eminente presidente professor Telmo José Mendes, que insistiu incansavelmente
para que eu aceitasse a tomar posse na cadeira 39 da ALACC, Aproveito a ocasião
para pedir-lhe desculpas por tanto ter me esquivado à sua paciente generosidade,
mas isso é passado. Hoje é um dia especial para mim, estou honrado em fazer
parte desse seleto grupo, feliz por ser um membro da Academia de Letras, Artes
e Ciências de Chapadinha. Uma vez que, aos 69 anos de idade começo uma nova
etapa na minha lida literária. Sempre gostei de escrever, ao longo da vida,
publiquei 12 livros, sou coautor do livro Chapadinha História e Geografia, participei
de 15 antologias poéticas, escrevi muitos artigos publicados em jornais, revistas
e fanzines. Editei por uma década um Jornal de circulação nacional, o
Alternativo Cultural A PROSA, em Brasília, onde também fui um ativista cultural
no final da década de 70 até o ano de 1993. Em 1987 fundei a ALPA – Academia de
Letras dos Poetas Alternativos, da qual fui o primeiro presidente, faço parte
do Coletivo de Poetas de Brasília, do Sindicato dos Escritores do Distrito
Federal e Membro Correspondente de 6 (seis) Academias de Letras. Não consigo
viver sem a escrita, eu apenas vivo melhor escrevendo. E estou certo de que
alguém, neste século, falará de mim, lendo um poema, uma página de um livro meu.
Os seguintes falarão menos, menos, cada vez menos. Só espero que nenhum falte
ao sacro dever de enunciar meu nome. Nisto consistirá minha imortalidade.
Na vida profissional posso dizer que fui bem sucedido. Como todo
nordestino retirante rumei para Brasília, levando na minha bagagem um sonho: de
vencer na vida e voltar para minha terra natal Chapadinha. Ingressei nos
Correios e Telégrafos, com 20 anos de idade como Auxiliar de Serviços Gerais
(um office boy), e ao longo de minha carreira profissional fui galgando outros
cargos por meio de processo seletivo interno da empresa. Fui Chefe de Seção
Administrativa, Gerente de Segurança Patrimonial, Assessor das Relações do
Trabalho por 10 anos, função em que me aposentei em fevereiro de 2013. Poderia
ter continuado, mas realizei o sonho de voltar para Chapadinha e me dedicar a
Biblioteca Alternativa, que no dia 13 de dezembro deste ano completa 20 anos de
sua fundação em pleno funcionamento. Foi a forma que encontrei para contribuir
com a minha cidade, para o desenvolvimento social e cultural dos habitantes de
Chapadinha, especialmente às crianças e jovens, na formação de leitores,
estímulo aos estudos e promoção da cidadania.
Quanto a cadeira 39 que vou ocupar na Academia de Letras Artes e
Ciências de Chapadinha, tem como patrono Eduardo Luiz da Silva, alicerce e
fundamento desta casa, viga mestra de nossa literatura e de nossas artes.
A grandeza de Eduardo Luiz como cidadão Chapadinhense resulta de
certos valores que marcam e definem a sua história de vida.
Eduardo Luiz nasceu no dia 13 de outubro de 1935, na Ilha das
Canarias, no município de Araioses, estado do Maranhão.
Às 8:00 horas da manhã de sábado do dia 23 de maio de 1957, desembarca
de um avião bimotor no Aeroporto de Chapadinha, vindo transferido de São José
de Ribamar para trabalhar em Chapadinha, com a missão de implementar o Serviço
de Saúde Pública no Município de Chapadinha.
Não demorou muito para conhecer a encantadora Chapadinhense
Gilma Maria Oliveira Silva, com quem veio a se casar no dia 13 de outubro de
1959, no mesmo dia em que Eduardo completava 24 anos de idade. E desse
consorcio tiveram 8 filhos biológicos e 2 filhas adotivas.
Eduardo Luiz tinha formação de Sanitarista especializado em
saúde pública e saúde da família, Enfermeiro, Farmacêutico e Bioquímico. Como
profissional trabalhou no Hospital Antônio Pontes de Aguiar, no Centro de Saúde
Benú Mendes, Coordenador da Vigilância Sanitária e Epidemiológica e Secretário
de Saúde. Dentre tantos cargos e funções, foi também professor. Lecionou nos
colégios: Ginásio Mata Roma, Escola Normal, Bandeirantes, 19 de março, etc.
Eduardo Luiz da Silva foi por duas vezes venerável da Loja
Maçônica Oliveira Roma. Teve uma vida pautada em padrões disciplinares. Um
exímio defensor e praticante da ética, do direito, da justiça e da
solidariedade.
Como político foi eleito vereador em 1982 para um mandato de 6
anos, sendo presidente da câmara no biênio 87/88
Em 1994 Eduardo Luiz e João Batista dos Santos, fundaram a
Academia de Letras Artes e Ciências de Chapadinha, da qual foi o seu
Vice-Presidente. Em 1995 Dr. João Batista foi embora de Chapadinha e Eduardo
assumiu a presidência até 2004. Pode-se dizer que a Academia era um dos seus
maiores “mimos”, era onde ele deixava fluir sua veia poética, como podemos
observar em seus poemas, dentre eles “AMOR A NOSSA TERRA”, onde declara o seu
amor por Chapadinha.
Chapadinha clama, grita por destaque,
Eu, você, nós devemos socorrê-la,
Erguê-la, ampará-la, protege-la,
Sem temer críticas, e sem sentir recalque.
Quantas almas estão adormecidas
E, para o belo devem despertar
Imitando os irmãos Mata Roma
Figuram de lume deste lugar
As escolas tomam para si
A missão de nos orientar
E mostrar ao povo desta terra
Novos valores que irão brilhar.
Como estudioso e preocupado com as causas sociais, escreveu um
trabalho publicado no livro intitulado “IDOSOS, QUANTO SOMOS E QUEM SOMOS”,
onde enfatiza a situação do idoso no município de Chapadinha. Também tem
poesias de sua autoria publicada na Antologia da Academia de Letras Artes e
Ciências de Chapadinha
Por fim, assumo esta cadeira 39 da ALACC, com orgulho de ter como
patrono Eduardo Luiz da Silva, não como privilégio, mas como um dever de amor a
nossa literatura as artes e a história de Chapadinha
Muito obrigado a todos aqui presente e aqueles que nos assiste
pela internet”.
Ficou
a sensação de que Chapadinha não apenas recebeu novos acadêmicos, mas também
reafirmou o seu lugar no mapa cultural do Maranhão, onde letras, artes e
saberes continuam encontrando abrigo e eco.



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