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| Colegiado de Acadêmicos |
Herbert Lago
assume cadeira 39 na ALACC em Chapadinha consolidando uma trajetória marcada
pela resistência cultural, pela poesia e pelo incentivo à leitura. Natural de
Chapadinha, no Maranhão, e radicado em Brasília desde 1977, o escritor
construiu uma carreira que une memória afetiva, atuação comunitária e produção
literária consistente. Ao longo de décadas, transformou experiências pessoais
em ações concretas que impactam leitores e novos autores.
Além disso, a posse na Academia de Letras, Artes e
Ciências de Chapadinha representa o reconhecimento público de uma jornada
iniciada ainda na juventude. Desde cedo, o contato com o poeta repentista Chico
Bolota despertou o interesse pela poesia, ainda que, inicialmente, os versos
fossem escritos em silêncio e até destruídos pela timidez. Posteriormente, a
mudança para Brasília intensificou o processo criativo, impulsionado pela
saudade da terra natal.
Nesse contexto, a distância geográfica se
transformou em combustível artístico. A ausência de comunicação rápida com
Chapadinha, em uma época sem telefone e dependente de cartas, motivou a criação
do jornal “A Gazetinha”. Por meio dele, o autor estabeleceu uma ponte cultural
entre as cidades, reunindo informações enviadas por colaboradores locais e
distribuindo centenas de exemplares mensalmente.
Trajetória entre poesia, jornalismo
e resistência cultural
Inicialmente, a produção literária ganhou força em
Brasília, onde o ambiente cultural favoreceu o amadurecimento artístico. A
convivência com escritores, jornalistas e movimentos alternativos permitiu
ampliar repertórios e fortalecer a identidade autoral. Como resultado, o
escritor passou a integrar espaços importantes, como o Sindicato dos Escritores
do Distrito Federal e o Coletivo de Poetas de Brasília.
Herbert no discurso de posse
Por outro lado, a criação do jornal alternativo “A
PROSA” representou um divisor de águas em sua carreira. O projeto nasceu com o
objetivo de divulgar seus próprios poemas, contudo, rapidamente se expandiu
para acolher produções de outros autores. Com o tempo, o jornal alcançou
circulação nacional, com tiragens que chegaram a mil exemplares e presença em
diferentes regiões do país.
Consequentemente, essa iniciativa proporcionou
visibilidade e integração ao movimento literário alternativo brasileiro. A
troca de experiências em encontros, saraus e eventos culturais contribuiu
diretamente para o aprimoramento da escrita. Paralelamente, o reconhecimento
institucional também surgiu, como a Moção concedida pela Câmara Municipal de
Chapadinha em 1987, destacando sua atuação como escritor e jornalista.
Biblioteca Alternativa e formação de novos leitores
Primeiramente, o incentivo à leitura começou dentro
de casa, com a prática de ler livros infantis para os filhos. Essa experiência
doméstica evoluiu para um projeto maior, estruturado inicialmente em
Taguatinga, onde foi criada uma pequena biblioteca ao lado da residência. O
espaço, que também funcionava como redação do jornal, passou a receber crianças
da vizinhança.
Em seguida, surgiram oficinas de leitura, produção
textual e atividades artísticas, incluindo trabalhos baseados no livro infantil
“Pristolino: o menino que comia terra”. Esse contato direto com o público jovem
revelou o potencial transformador da literatura no cotidiano das crianças. A
partir dessa vivência, consolidou-se a ideia de expandir o projeto.
Dessa forma, em 2006, nasceu oficialmente a
Biblioteca Alternativa em Chapadinha. Com um acervo que hoje ultrapassa dez mil
livros, o espaço se tornou referência local no estímulo à leitura. Além disso,
a média de aproximadamente 900 empréstimos anuais evidencia o impacto da
iniciativa em uma cidade de pouco mais de 80 mil habitantes. Paralelamente, a
criação de minibibliotecas em praças ampliou ainda mais o acesso ao
conhecimento.
Posse na ALACC e reconhecimento de
uma vida literária
Atualmente, a posse na Academia de Letras,
Artes e Ciências de Chapadinha simboliza um marco significativo. Embora tenha
recebido convite ainda em 1995, o escritor optou por adiar sua entrada devido a
divergências e ao período de inatividade da instituição. Entretanto, a
reestruturação recente e a nova dinâmica da academia motivaram a aceitação do
convite.
Herbert e Esposa
Ademais, ocupar a cadeira 39 representa não apenas
reconhecimento, mas também responsabilidade. Ter como patrono Luiz Eduardo da
Silva reforça o compromisso com a preservação e valorização da cultura local. O
homenageado destaca que a função ultrapassa o prestígio, configurando-se como
um dever com a literatura e a história da cidade.
Por fim, mesmo aos 69 anos, os planos permanecem
ativos e consistentes. O foco continua sendo a escrita e a dedicação à
Biblioteca Alternativa, agora aliados à participação nas atividades da
academia. Ao deixar uma mensagem aos novos escritores, ele enfatiza que a
literatura é um ato de coragem e uma ferramenta essencial na construção da
identidade cultural. Assim, sua trajetória reafirma o papel transformador da
palavra e o valor do legado artístico.
Anand Rao
Editor Chefe
Cultura Alternativa
Tabela de conteúdos
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Herbert Lago assume cadeira 39 na ALACC em Chapadinha
·
Trajetória entre poesia, jornalismo e resistência
cultural
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Biblioteca Alternativa e formação de novos leitores
·
Posse na ALACC e reconhecimento de uma vida literária
BIBLIOTECA,
Chapadinha,
ESCRITOR,
LITERATURA
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Biblioteca
Alternativa Herbert Lago Castelo Branco no interior do Maranhão
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Herbert Lago
Castelo Branco no Cultura Alternativa
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Dicas práticas
para quem trabalha sentado

