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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

PARTICIPAR É MAIS QUE ASSISTIR E ANALISAR É MAIS DO QUE OLHAR.


Chapadinha sofre de apatia social. É preciso vitaminas de responsabilidade e vacinação contra o desinteresse. O futuro não pode depender só de profissionais políticos.

A situação do Município de Chapadinha é preocupante. Não pode continuar a ser tratada como assunto de propriedade privada de alguém que se habituou a fazer o que quer e nada acontece. É um Município atolado em promessas, vítima de politiquices prejudiciais. Faltam estruturas Públicas e infra-estruturas. As autoridades , na maior parte do tempo, estão ausentes da cidade. Tudo corre à revelia da lei e da ordem. Vejamos:
1) - É uma tristeza chegar aqui e deparar com uma Rodoviária daquele jeito. Meu Deus, que vergonha! Tal entrada da cidade, tal Rodoviária!
2) - O patrimônio público é prejudicado por falta de criatividade e iniciativa pública. Só a Secretaria de Saúde paga, anualmente, de aluguéis, R$ 1.900.000,00. A quem?... E será verdade que faz ainda obras para melhorar prédios que não são Municipais? - É o caso do Hospital de S. Francisco. A Secretaria de Obras Públicas e outras não têm máquinas próprias. Têm que as alugar para alguns trabalhos. Quem lucra com isso? E é de desconfiar, porque os aluguéis são feitos a pessoas ligadas à Prefeitura.
3) - O sistema de água está caótico. Macaoca não satisfaz. Estamos como em 1985. E a cidade triplicou. Os poços depressa estão inutilizados e os bairros sem água.
4)- A questão social está ao abandono. É um balão que a qualquer momento pode rebentar. Não há políticas públicas de segurança, de proteção à família, de combate ao tráfico de drogas, de luta contra o alcoolismo, de educação para a ordem no trânsito, de criação de espaços de recriação, de aplicação da lei do silêncio, de licenciamento de bares junto de escolas e em demasia nalguns locais...
5) - Não há um cemitério público grande e bem cuidado. As Comissões de Manutenção existentes zelam a limpeza, mas, talvez, exagerem nas condições para enterramento de mortos.
6) - Falta planejamento de trabalhos. O Plano Diretório Municipal está guardado. A população, acossada pelo Agro-Negócio, invade terrenos, não deixando nem espaço para os prédios públicos. Não se sabe onde trabalham algumas Secretarias Municipais e quem é o Secretário.
7) - As estradas do interior estão ao abandono. Quando é feito algum reparo, logo fica pior do que estava, porque não há manutenção de nada.
8) - O sistema de Saúde está falido. Responsáveis estão mais ausentes que presentes e há postos de saúde esquecidos. A intervenção do Ministério Público no Conselho de Saúde veio revelar muita arbitrariedade que aí se praticava.
9) - A limpeza nos bairros está péssima. O aterro sanitário é uma lixeira impossível...
10) - Alguns bairros, mesmo no Centro, estão com as avenidas cheias de covas e, no Inverno, as águas das chuvas criam uma situação perigosa para a Saúde, por exemplo, na Aparecida, perto da capela. Para não falar na Avenida Ataliba Vieira.
11) - Ainda se pratica em Chapadinha uma política de alienação incrível, pela informação e promoção de festinhas. E a Câmara assiste a tudo isto...
12) - O Ginásio Esportivo e a Biblioteca continuam sem serviço. Na deterioração.
13) - As contas que aparecem a público não são explicativas do dinheiro que vem e estão sendo reprovadas pelo Tribunal, além do sistema de compras ser extraordinariamente fechado.
14) - A agricultura ainda é no toco, e de mera subsistência. Enquanto nossos lavradores forem tão pobres não podemos falar em desenvolvimento chapadinhense.
Voltaremos ao assunto, mas pedimos que isto seja assunto de reflexão nas comunidades.

Extraido do Boletim VIDA NOVA Nº 43 DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA DAS DORES ( Padre Pedro)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

OS BURACOS DA NEGLIGÊNCIA


Há cerca de um ano quando postei pela primeira vez neste blog uma matéria falando dos inúmeros buracos na entrada de Chapadinha, na avenida Ataliba Vieira de Almeida, na Presidente Vargas e principais ruas de Chapadinha aqueles buracos já estavam lá, esperando pelas diligências das autoridades “competentes” responsáveis pela conservação e zelo das vias públicas. Na ocasião as autoridades alegavam as chuvas. Pois bem, o inverno passou e agora já está chegando novamente as chuvas e os buracos estão lá desafiando a perícia dos motoristas e motociclistas como se a vida fosse um circo de manobras radicais, patrocinadas pelo relaxo no dever de zelar pelas vias públicas e pela segurança no trânsito.
Quantas vezes não devem ter passado por ali um carro da prefeita, do secretário de obras, dos vereadores, ou até mesmo do Departamento de Trânsito, desviando-se dos buracos, desviando-se de sua responsabilidade. Preocupados em multar as irregularidades dos outros, mas esquivando-se de suas próprias em preservar as vias públicas e a vida das pessoas.
Sinto-me indignado, revoltado mesmo, pelo desleixo para com a nossa cidade. No desmazelo de pessoas que deveriam cuidar melhor de nossa cidade, mas andam nas ruas com os olhos vedados e viciados em suas próprias atribuições. Na via de principal acesso a cidade e nas principais ruas e avenidas não pode haver tantos buracos instalados a quase um ano e meio. São como feridas abertas onde não há cuidado sequer em reparar um simples buraco, que começa pequeno e cresce com o aumento dos descasos por parte das autoridades que governa o município.
Herbert Lago Castelo Branco
Poeta e Escritor

terça-feira, 3 de novembro de 2009

ESTAMOS MUITO LONGE DE SER UM PAÍS DE LEITORES





Estamos muito longe de ser um país de leitores. A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (Pró-Livro/ Ibope) concluiu que nossa média de leitura é de 4,7 livros por pessoa por ano, incluídos aí os didáticos. Se considerarmos apenas os livros lidos independentemente da escola, esse índice cai para 1,3, enquanto nos países desenvolvidos chega a 10 livros por ano. Temos mais de 77 milhões de pessoas que não leem. E não leem porque não aprenderam a considerar a leitura importante para suas vidas, vivem em ambientes que não valorizam o livro, não têm interesse, não têm tempo, têm dificuldades na decodificação da língua ou não têm acesso ao livro. Há muitas iniciativas pelo país afora que se esforçam para modificar esse quadro: festas literárias, feiras de livros, seminários, debates, contação de histórias, formação de bibliotecas comunitárias e públicas. O Ministério da Educação e o Ministério da Cultura estão envolvidos nesse empreendimento de transformar os índices de leitura no Brasil por meio do Plano Nacional do Livro e da Leitura, e de iniciativas como o Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE). O Ministério da Cultura pretende zerar em dezembro o número de municípios sem biblioteca Para que as pessoas se interessem pela leitura, além do acesso ao livro é necessário um ambiente que o valorize. Se vivemos numa sociedade que não dá valor ao livro, dificilmente nos sentiremos atraídos para a experiência profunda e transformadora da leitura. A formação de leitores depende de uma valorização do livro pela sociedade. Foi com esse pensamento que fundamos a Biblioteca Alternativa: com o proposito de um intenso reconhecimento do livro, da leitura e da literatura como caminho para ampliar os horizontes, a competência crítica e as habilidades necessárias aos indivíduos para o exercício pleno da cidadania.
Nunca é tarde para começar e ter o bom hábito da leitura. Faça uma visita à Biblioteca Alternativa que fica situada na rua do comércio 1161 e pegue gratuitamente um bom livro e tenha uma boa leitura.

Herbert Lago Castelo Branco
Poeta e Escritor

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

MOÇÃO DE REPÚDIO AO GALO DA CHAPADA


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

EXPECTATIVA DE VIDA DOS MARANHENSES É A MENOR DO BRASIL

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A Pesquisa Síntese de Indicadores Sociais, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada no último dia 21 de outubro, mostra que a expectativa de vida do Brasil aumentou nos últimos 10 anos, saltando de 67,9 anos para 72,7 anos. As crianças que nascem na Capital da República tem a melhor expectativa e devem viver em média 75,6 anos – três anos a mais que a média nacional. No entanto, para os que nascem no Maranhão tem menos chances de viver mais do que pessoas nascidas em outros estados, haja vista que na pesquisa o estado do Maranhão aparece em 26ª colocação, ou seja, em penúltimo lugar com expetativa de 68,0 anos, abaixo da média nacional que é de 72,7 anos.
Os dados são preocupantes e chama a atenção para a necessidade de investimentos em áreas cruciais para a população, principalmente na saúde e no combate a mortalidade infantil que exigem respostas cada vez mais rápidas e eficientes.
Os dados explicam a baixa qualidade de vida dos maranhenses, uma vez que os governos não lhes oferece instrução adequada, e a perversa existência de trabalho escravo, favorecido pela situação de miséria a que são submetidos em busca de sobrevivência.
Herbert Lago Castelo Branco
Poeta e Escritor

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

MAL CARATISMO




As noticias de escândalo no futebol maranhense, tendo como protagonista o Chapadinha Futebol Clube correu o mundo.
A cidade de Chapadinha não merecia ser vinculada a essa vergonhosa notícia. E nada justifica a atitude dos dirigentes e principalmente dos jogadores que não horraram sua profissão ao aceitarem a fazer esse jogo sujo e abrirem as pernas para uma inesquecível goleada de 11 x 0.
O fato de o Santa Quitéria e o Moto Clube terem feito jogo sujo não dá o direito dos dirigentes e jogadores do Chapadinha a fazerem o mesmo papel que para mim significa mal caratismo tanto dos dirigentes como dos “jogadores” que se sujeitaram a fazer essa lambança manchando a sua carreira de atleta, além é claro, não tiveram respeito para como o nome de nossa cidade e nem tampouco para com os torcedores.
Herbert Lago Castelo Branco
Poeta e Escritor

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A LEI & OS FICHAS-SUJAS


O ÚNICO MEIO EFICAZ DE BARRAR OS FICHAS-SUJAS, É O VOTO CONSCIENTE.


O movimento de barrar a candidatura de quem tenha problemas a resolver com a justiça mais conhecido como lei da ficha limpa, articulado pelo MCCE – Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral – representado por membros da CNBB – Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, das instituições representativas da sociedade, fizeram questão de comparecer ao salão verde da Câmara dos Deputados para a entrega do projeto de lei complementar que recebeu 1.300.000 ( hum milhão e trezentas mil ) assinaturas.
Apesar de a iniciativa ter apelo popular, dificilmente os “políticos” vão votar logo o projeto que barra os fichas sujas. E o argumento é simples. Muitos acham que o projeto é inconstitucional.
O artigo 5º da Carta Magna, o que fala das garantias individuais, estabelece que todo mundo tem direito à ampla defesa. A pessoa só é considerada culpada depois de sentença transitada em julgado – isso para muitos especialistas significa esgotadas as possibilidades de defesa, quando o sujeito já recorreu em todas as instâncias e foi considerado culpado.
E, para nós, que vamos votar em 3 de outubro de 2010 para presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual, fica a lição: o único meio eficaz de barrar os fichas-sujas, hoje e amanhã, é o voto consciente. Pesquise a ficha dos candidatos antes de votar.

Herbert Lago Castelo Branco
Poeta e Escritor

terça-feira, 29 de setembro de 2009

PEC DOS VEREADORES - Lembrete aos TREs.

Em ofício enviado aos tribunais regionais eleitorais, Ayres Britto reforça entendimento do TSE, para quem norma não vale para a atual legislatura


O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto, reafirmou ontem que a PEC dos Vereadores não poderá entrar em vigor nesta legislatura. Ele encaminhou ontem aos presidentes dos tribunais regionais eleitorais (TREs) ofício em que reitera o entendimento do TSE sobre a emenda constitucional promulgada na última semana pelo Congresso Nacional. A emenda aumentou em 7.623 o número de vereadores em todo o país, passando dos atuais 51.988 para 59.611. No ofício, Britto citou a resposta a uma consulta, feita em 2007, na qual o TSE disse, de forma unânime, que a emenda constitucional não retroage. Assim, o novo número de cadeiras parlamentares fixadas pela PEC dos Vereadores teria de ser submetido a uma convenção partidária, o que se dá entre 10 e 30 de junho do ano da eleição. Segundo a jurisprudência do TSE, as novas vagas de vereadores criadas por uma emenda promulgada na última quarta-feira só poderiam ser preenchidas a partir da próxima eleição municipal. Apesar de enfatizar a posição do TSE sobre o assunto, Ayres Britto não chegou a recomendar os TREs a não darem posse aos vereadores suplentes, contemplados dentro das mais de 7 mil vagas criadas pela emenda. No ofício, Britto deixa claro que não tem “a pretensão de interferir na esfera da autonomia” dos TREs. Em entrevista concedida na semana passada, o presidente do TSE afirmou que “a emenda atual chegou tarde para entrar em vigor na corrente legislatura”. Na mesma entrevista, o ministro ponderou que a Justiça Eleitoral não teria outra opção senão dar posse aos suplentes. Ele lembrou, no entanto, que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) deve entrar com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a constitucionalidade da emenda aprovada pelo Congresso. Os recursos ao STF foram previstos pelo deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ) durante a votação da PEC na Câmara.

Fonte: Correio Braziliense








PROJETO DE LEI DA FICHA LIMPA CHEGA HOJE AO CONGRESSO

O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) protocola hoje no Congresso o projeto de lei de iniciativa popular que institui a chamada “ficha limpa” obrigatória para os candidatos nas eleições em todos os níveis. A proposta recebeu 1,3 milhão de assinaturas, coletadas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O texto da norma torna inelegível candidato condenado em primeira instância ou denunciado por crimes como improbidade administrativa, uso de mão de obra escrava e estupro. A data de entrega da projeto popular foi escolhida para coincidir com a comemoração dos 10 anos da lei de iniciativa popular mais notória do Brasil, a Lei nº 9849/99, que tipifica o crime da compra de votos.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

LIBERDADE E JUSTIÇA SOCIAL


Na década de 1980 visitei, com frequência, países socialistas: União Soviética, China, Alemanha Oriental, Polônia, Tchecoslováquia e Cuba. Estive também na Nicarágua sandinista. As viagens decorreram de convites dos governos daqueles países, interessados no diálogo entre Estado e Igreja. Do que observei, concluí que socialismo e capitalismo não lograram vencer a dicotomia entre justiça e liberdade. Ao socializar o acesso aos bens materiais básicos e aos direitos elementares (alimentação, saúde, educação, trabalho, moradia e lazer), o socialismo implantara, contudo, um sistema mais justo à maioria da população que o capitalismo. Ainda que incapaz de evitar a desigualdade social e, portanto, estruturas injustas, o capitalismo instaurou, aparentemente, uma liberdade — de expressão, reunião, locomoção, crença etc. — que não se via em todos os países socialistas governados por um partido único (o comunista), cujos filiados estavam sujeitos ao “centralismo democrático”. Residiria o ideal num sistema capaz de reunir a justiça social, predominante no socialismo, com a liberdade individual vigente no capitalismo? Essa questão me foi colocada por amigos durante anos. Opinei que a dicotomia é inerente ao capitalismo. A prática de liberdade que nele predomina não condiz com os princípios de justiça. Basta lembrar que seus pressupostos paradigmáticos — competitividade, apropriação privada da riqueza e soberania do mercado — são antagônicos aos princípios socialistas (e evangélicos) de solidariedade, partilha, defesa dos direitos dos pobres e da soberania da vida sobre os bens materiais. No capitalismo, a apropriação individual e ilimitada da riqueza é direito protegido por lei. E a aritmética e o bom-senso ensinam que quando um se apropria muitos são desapropriados. A opulência de uns poucos decorre da carência de muitos. A história da riqueza no capitalismo é uma sequência de guerras, opressão colonialista, saques, roubos, invasões, anexações, especulações etc. Basta verificar o que sucedeu na América Latina, na África e na Ásia entre os séculos 16 e a primeira metade do século 20. Hoje, a riqueza da maioria das nações desenvolvidas decorre da pobreza dos países ditos emergentes. Ainda agora os parâmetros que regem a Organização Mundial do Comércio (OMC) são claramente favoráveis às nações metropolitanas e desfavoráveis aos países exportadores de matérias-primas e mão de obra barata. Um país capitalista que agisse segundo os princípios da justiça cometeria um suicídio sistêmico; deixaria de ser capitalista. Nos anos 1980, ao integrar a Comissão Sueca de Direitos Humanos, fui questionado, em Uppsala, por que o Brasil, com tanta fartura, não conseguia erradicar a miséria, como fizera a pequena Suécia. Perguntei-lhes: “Quantas empresas brasileiras estão instaladas na Suécia?” Fez-se prolongado silêncio. Naquela época, nenhuma empresa brasileira operava na Suécia. Em seguida, indaguei: “Quantas empresas suecas estão presentes no Brasil?” Todos sabiam que havia marcas suecas em quase toda a América Latina, como Volvo, Scania, Ericsson e a SKF, mas não precisamente quantas no Brasil. “Vinte e seis”, esclareci. (Hoje são 180). Como falar em justiça quando um dos pratos da balança comercial é obviamente favorável ao país exportador em detrimento do importador? Sim, a injustiça social é inerente ao capitalismo, poderia alguém admitir. E logo objetar: mas não é verdade que, no capitalismo, o que falta em justiça sobra em liberdade? Nos países capitalistas não predominam o pluripartidarismo, a democracia, o sufrágio universal, e cidadãos e cidadãs não manifestam com liberdade suas críticas, crenças e opiniões? Não podem viajar livremente e até mesmo escolher viver em outro país, sem precisar imitar os balseros cubanos? De fato, nos países capitalistas a liberdade existe apenas para uma minoria, a casta dos que têm riqueza e poder. Para os demais, vigora o regime de liberdade consentida e virtual. Como falar de liberdade de expressão da faxineira, do pequeno agricultor, do operário? É uma liberdade virtual, pois não dispõem de meios para exercitá-la. E se criticam o governo, isso soa como um pingo de água submergido pela onda avassaladora dos meios de comunicação — TV, rádio, internet, jornais, revistas — em mãos da elite, que trata de infundir na opinião pública sua visão de mundo e seu critério de valores. Inclusive a ideia de que miseráveis e pobres são livres. Por que os votos dessa gente jamais produzem mudanças estruturais? No capitalismo, devido à abundância de ofertas no mercado e à indução publicitária ao consumo supérfluo, qualquer pessoa que disponha de um mínimo de renda é livre para escolher, nas gôndolas dos supermercados, entre diferentes marcas de sabonetes ou cervejas. Tente-se, porém, escolher um governo voltado aos direitos dos mais pobres! Tente-se alterar o sacrossanto “direito” de propriedade (baseado na sonegação desse direito à maioria). E por que Europa e EUA fecham suas fronteiras aos imigrantes dos países pobres? Onde a liberdade de locomoção? Sem os pressupostos da justiça social, não se pode assegurar liberdade para todos.

FREI BETTO - teólogo e escritor autor de Diário de Fernando – Nos cárceres da ditadura militar brasileira entre outros.