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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A ORIGEM DA FOFOCA



A fofoca goza hoje de reputação indiscutível sendo, inclusive, incentivada em vários setores da sociedade moderna. Muitos a praticam com zelo e competência invejáveis. A sua origem remonta a épocas imemoriais, perdendo-se na noite misteriosa dos tempos. Dizem que surgiu no Jardim do Éden, logo após Adão e Eva terem comido do fruto proibido. A Serpente - causadora da expulsão do casal primordial do Paraíso -, não satisfeita, disse para Adão que ouviu dizer que Eva teria dito que achava o seu pinto pequeno. Se Adão acreditou, ou não, o certo é que logo depois tratou de cobri-lo com uma folha de parreira. A palavra fofoca, usada nos nossos dias, sofreu mudanças com o passar dos séculos. Usava-se, a princípio, fuxico que vem do sânscrito “fujco” com o sentido de “ouvi dizer”. Daí, a derivação para o grego “phuxko” que traduz-se por “tá todo mundo sabendo”; pelo latim tardio “fulsicum” obtém-se a tradução “me contaram”. O termo chegou à terra dos bretões, quando da ocupação pelo Império Romano governado pelo imperador Adriano, traduzido para “fullshit” com o sentido de “você viu a merda que fulano fez?”O fuxico alcançou grande notoriedade nas cortes européias, notadamente em França, ao tempo dos reis Luiz XIV e Luiz XV. Ali, era praticada com requinte aristocrático de causar inveja aos políticos da atualidade. Os nobres franceses denominavam “fois-tric” (pronuncia-se foá trique) às insinuações ouvidas de alguém que disse que alguém ouviu que uma pessoa contou que ouviu alguém dizer... Era tão difícil destrinçar a teia de um fois-tric que os envolvidos, quase sempre, perdiam a cabeça. Dizem que foi um famoso escritor francês do século XVIII quem primeiro fez um estudo científico sobre o tema. Em 1769 ou 1796 – quem me contou não sabe ao certo – escreveu o livro “Lê fois-tric c’est la mérde”, explorando com incrível riqueza de detalhes esse vasto e fascinante universo das futricas, como o termo ficou conhecido entre nós. Ei, psiu! Escuta aqui: vocês sabem porquê Freud separou-se de seu discípulo Jung? Nem vos conto. Dizem que foi porque Jung estava escrevendo um tratado monumental que iria derrubar todas as teorias freudianas sobre a psique humana. Disseram-me que a empregada de Jung, um dia, por curiosidade, viu sobre a mesa do escritório do renomado médico um manuscrito onde estava escrito: “Tratado Sobre a Futrica Como Gênese de Todas as Mazelas Humanas, Segundo me Contaram”. A empregada ficou tão curiosa que resolveu perguntar ao seu ex-patrão, doutor Charcot, sobre o significado daquele título tão instigante. Pronto. Foi o suficiente para que toda a comunidade científica da época tomasse conhecimento da obra. Menino, quando chegou aos ouvidos de Freud, ele ficou uma fera! A raiva dele era porque em conversas anteriores com Jung, havia lhe confidenciado que, na realidade, “tudo é futrica” e não “sexo” como supunha. Jung, que não é besta, pegou o gancho e começou a escrever sobre o tema. Quando Freud soube da “trairagem” de Jung, intrigou-se na mesma hora e disse-lhe que se ele tivesse vergonha não passasse na calçada da sua casa. O rompimento com o mestre fez com que Jung, com raiva, jamais publicasse o tratado. Há rumores de que o manuscrito teria ido parar na biblioteca particular de Adolf Hitler, que teria roubado de um amigo chamado Karl Haushoffer. Haushoffer era aquele mesmo que andava espalhando que os arianos seriam os descendentes dos gigantes que habitaram a Terra há muito tempo. Além de outras histórias que ele ouviu dizer. O resto, vocês já sabem no que deu. Um holocauto. Há muito mais coisas por trás das coisas que nos são apresentadas como verdades irretocáveis. Existem segredos ocultos em cada lance do que acontece na vida particular e na vida das coletividades. A futrica, dizem, governa invisivelmente o mundo, que é uma teia enorme de fofocas aumentando a cada segundo. Há sempre uma boca para fofocar e muitos ouvidos prontos para acolher, distorcer, aumentar e passar adiante. Todos querem dar sua contribuição. Eu não quero ser gente se tudo isso não for a mais autêntica verdade.
Paulo MouraJornalista Ilustrador e Designer gráfico.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

BLOCO DOS QUIABOS PROMETE ESTE ANO....ÊITA CARNAVAL!



A rapaziada do bairro da cruz está é animada!
É que no ano passado um grupo de foliões lisos, sem nenhum dinheirinho para beber uma pinga e nem tampouco comprar um abadá resolveram criar o Bloco dos Lisos. E como adereços fizeram colar com um quiabo e colocaram no pescoço e saíram do bairro da cruz até a praça Cel. Luis Vieira. Por ser uma leguminosa lisa o Bloco dos Lisos virou o Bloco dos Quiabos.
Já neste ano os foliões prometem sair novamente do barro da cruz em direção a praça Cel. Luiz Vieira com a sua marchinha na ponta da língua. Estou indo pra lá, até depois do carnaval.

ÊITA CARNAVAL

Diz que nesta vida tudo se aproveita,
Êita, êita, êita... (BIS)
Então vai comer quiabo cru,
Lá na casa da prefeita.

Depois vem fedendo a xiranha,
Fedendo a xiranha... Fedendo a xiranha... (BIS)
Vem brincar o carnaval comigo,
Minha mulata sem vergonha.

Sou liso, mas sou feliz,
Não tenho dinheiro pra beber,
Nem pra comprar um abadá. (BIS)
Êita, êita, êita,
No bloco dos quiabos a gente brinca e aproveita.
Herbert Lago Castelo Branco
Poeta e Escritor

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O PMDB É CORRUPTO.

Entrevista do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) ao repórter Otávio Cabral:
O que representa para a política brasileira a eleição de José Sarney para a presidência do Senado?
É um completo retrocesso. A eleição de Sarney foi um processo tortuoso e constrangedor. Havia um candidato, Tião Viana, que, embora petista, estava comprometido em recuperar a imagem do Senado. De repente, Sarney apareceu como candidato, sem nenhum compromisso ético, sem nenhuma preocupação com o Senado, e se elegeu. A moralização e a renovação são incompatíveis com a figura do senador.Mas ele foi eleito pela maioria dos senadores.
Claro, e isso reflete o que pensa a maioria dos colegas de Parlamento. Para mim, não tem nenhum valor se Sarney vai melhorar a gráfica, se vai melhorar os gabinetes, se vai dar aumento aos funcionários. O que importa é que ele não vai mudar a estrutura política nem contribuir para reconstruir uma imagem positiva da Casa. Sarney vai transformar o Senado em um grande Maranhão.
(...) O senador Renan Calheiros acaba de assumir a liderança do PMDB...
Ele não tem nenhuma condição moral ou política para ser senador, quanto mais para liderar qualquer partido. Renan é o maior beneficiário desse quadro político de mediocridade em que os escândalos não incomodam mais e acabam se incorporando à paisagem.(...) Para que o PMDB quer cargos?
Para fazer negócios, ganhar comissões. Alguns ainda buscam o prestígio político. Mas a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral. A corrupção está impregnada em todos os partidos. Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção.
(...) O senhor sempre foi elogiado por Lula. Foi o primeiro político a visitá-lo quando deixou a prisão, chegou a ser cotado para vice em sua chapa. O que o levou a se tornar um dos maiores opositores a seu governo no Congresso?Quando Lula foi eleito em 2002, eu vim a Brasília para defender que o PMDB apoiasse o governo, mas sem cargos nem benesses. Era essencial o apoio a Lula, pois ele havia se comprometido com a sociedade a promover reformas e governar com ética. Com o desenrolar do primeiro mandato, diante dos sucessivos escândalos, percebi que Lula não tinha nenhum compromisso com reformas ou com ética. Também não fez reforma tributária, não completou a reforma da Previdência nem a reforma trabalhista. Então eu acho que já foram seis anos perdidos. O mundo passou por uma fase áurea, de bonança, de desenvolvimento, e Lula não conseguiu tirar proveito disso.(...) Mas esse presidente que o senhor aponta como medíocre é recordista de popularidade. Em seu estado, Pernambuco, o presidente beira os 100% de aprovação.O marketing e o assistencialismo de Lula conseguem mexer com o país inteiro. Imagine isso no Nordeste, que é a região mais pobre. Imagine em Pernambuco, que é a terra dele. Ele fez essa opção clara pelo assistencialismo para milhões de famílias, o que é uma chave para a popularidade em um país pobre. O Bolsa Família é o maior programa oficial de compra de votos do mundo.
Leia a íntegra da entrevista em "O PMDB é corrupto"


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

NOVOS VALORES PARA NOVA CIVILIZAÇÃO

No Fórum Social Mundial de Belém se concluiu que as alternativas ao neoliberalismo e à construção do ecossocialismo não se engendram na cabeça de intelectuais ou de programas partis ou de programas partidários, e sim na prática social, através de lutas populares, movimentos sindicais, camponeses, indígenas, étnicos, ambientais e comunidades de base. Para gestar tais alternativas exigem-se pelo menos quatro atitudes. A primeira, visão crítica do neoliberalismo. Este aprofunda as contradições do capitalismo, na medida em que a expansão globalizada do mercado acirra a competição comercial entre as grandes potências; desloca a produção para áreas onde se possa pagar salários irrisórios; estimula o êxodo das nações pobres rumo às ricas; introduz tecnologia de ponta que reduz os postos de trabalho; torna as nações dependentes do capital especulativo; e intensifica o processo de destruição do equilíbrio ambiental do planeta. A segunda atitude — organizar a esperança. Encontrar alternativas é um trabalho coletivo. Elas não surgem da cabeça de intelectuais iluminados ou de gurus ideológicos. Daí a importância de se dar consistência organizativa a todos os setores da sociedade que esperam outra coisa diferente do que se vê na realidade atual: desde agricultores que sonham lavrar a própria terra a jovens interessados na preservação do meio ambiente. Terceira atitude — resgatar a utopia. O neoliberalismo não visa a destruir apenas as instâncias comunitárias criadas pela modernidade, como família, sindicato, movimentos sociais e Estado Democrático. Seu projeto de atomização da sociedade reduz a pessoa à condição de indivíduo desconectado da conjuntura social, política e econômica na qual se insere, e o considera mero consumidor. Estende-se, portanto, também à esfera cultural. Como diria Emmanuel Mounier, o individualismo é oposto ao personalismo. Pascal foi enfático: “O eu é odioso”. No seu apogeu, o capitalismo mercantiliza tudo: a biodiversidade, o meio ambiente, a responsabilidade social das empresas, o genoma, os órgãos arrancados de crianças etc, e até mesmo o nosso imaginário. Um exemplo trivial é o que se gasta com a compra de água potável engarrafada em indústria, dispensando o velho e bom filtro de cerâmica ou mesmo a coleta da limpíssima água da chuva após um minuto de precipitação. Sem utopias não há mobilizações motivadas pela esperança. Nem possibilidade de visualizar um mundo diferente, novo e melhor. Quarta atitude — elaborar um projeto alternativo. A esperança favorece a emergência de novas utopias, que devem ser traduzidas em projetos políticos e culturais que sinalizem as bases de uma nova sociedade. Isso implica o resgate dos valores éticos, do senso de justiça, das práticas de solidariedade e partilha, e do respeito à natureza. Em suma, trata-se de um desafio também de ordem espiritual, na linha do que apregoava o professor Milton Santos, de que devemos priorizar os bens infinitos e não os bens finitos. O projeto de uma sociedade ecossocialista alternativa ao neoliberalismo exige revisar, a partir da queda do Muro de Berlim, os aspectos teóricos e práticos do socialismo real, em particular do ponto de vista da democracia participativa e da preservação ambiental. O ecossocialismo se caracterizaria pela capacidade de incorporar conceito e práticas de igualdade social e desenvolvimento sustentável a partir de experiências dos movimentos sociais e ecológicos, assim como da Revolução Cubana, do levante zapatista do Chiapas, dos assentamentos do MST etc. É vital incluir no projeto e no programa os paradigmas ora emergentes, como ecologia, indigenismo, ética comunitária, economia solidária, espiritualidade, feminismo e holística. Esse sonho, essa utopia, essa esperança que chamamos de ecossocialismo, não é se não a continuação das esperanças daqueles que lutaram pela defesa da vida, como Chico Mendes e Dorothy Stang, dois lutadores cristãos que deram suas vidas pela causa dos pobres, dos explorados, dos indígenas, dos trabalhadores da terra e dos povos da floresta.

Frei Betto
Escritor e Teólogo

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O HAI-KAI

Poema originário do Japão, Bashô, o hai-kai, consta originalmente de 17
sílabas em três versos:
o primeiro de cinco, o segundo de sete e o terceiro de cinco.
Quem primeiro introduziu o hai-kai .no .Brasil .foi Guilherme de Almeida,
que definia essa .forma..como
"uma.anotação.poética.e.sincera.de.um momento de elite".
Transpondo-o para o português, em 1936 e, posteriormente, em 1947
em Poesia Varia, acrescentou-lhe a rima.
Em época mais recente, Paulo Leminski traz novamente o hai-kai,
porém adaptando-o, ou seguindo uma tendência já em voga no
Brasil (Olga Savary, Armando Catta Preta e outros) à
estrutura do poema moderno, ou seja,
sem a rima.
Como fazer hai-kai, de acordo com Paulo Leminski
- Você tem a fórmula do conteúdo, que é o que os poetas contemporâneos
obedecem, ao invés da contagem de sílabas;
-Escolha temas simples: natureza, primavera, verão, outono, inverno;
- O primeiro verso expressa algo permanente, eterno
- O segundo, introduz uma novidade, um fenômeno;
- O terceiro e último, é a síntese;
O hai-kai é anti-retórico, liso e simples;
Isso deriva das categorias estéticas japonesas:
*Kirei: o límpido, o lindo
*Wabi: a penúria, a miséria(tão simples que decepciona)
*Yugen : a profundidade, o mistério
O hai-kai é uma imagem, tem economia verbal, humor e objetividade,
características centrais da poesia moderna
(Octávio Paz)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

TSE ADIA MAIS UMA VEZ JULGAMENTO DE PROCESSO CONTRA JACKSON LAGO

O Tribunal Superior Eleitoral adiou ontem mais uma vez o julgamento do processo contra o governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT), acusado de irregularidades durante a campanha eleitoral de 2006. Como o ministro Joaquim Barbosa, do TSE, se julgou impedido de participar do julgamento, os ministros do tribunal entenderam por unanimidade que o processo deve ser "renovado" - o que na prática faz com que comece a tramitar do zero.
O ministro Félix Fischer pediu a renovação do julgamento com base no regimento interno do STF (Supremo Tribunal Federal). Como Barbosa foi substituído no julgamento pelo ministro Ricardo Lewandowski, o processo vai reiniciar sua tramitação no tribunal - o que inclui a sua leitura e novas sustentações orais dos advogados de acusação e defesa.
"No caso em que se busca uma cassação de mandato envolvendo grande quantidade de provas, é conveniente a renovação", disse o ministro Marcelo Ribeiro, do TSE. O presidente do tribunal, Carlos Ayres Britto, definiu que o julgamento do processo será retomado no dia 19 de fevereiro, data em que terá início a sua renovação.
O ministro Lewandowski, que substituiu Barbosa no julgamento, argumentou que terá que analisar melhor o processo uma vez que teve acesso à matéria somente nesta terça-feira. "Estou aqui para compor o quórum. Não estou aqui simplesmente para participar de um julgamento qualquer em que exige quórum. Na esteira do que foi ponderado, o julgamento terá que ser renovado com a leitura do relatório e dos debates", disse o ministro.
Barbosa se declarou impedido de participar do julgamento por razões pessoais, mas não deixou claro os motivos do seu impedimento. No final do ano passado, Barbosa chegou a abandonar o julgamento do processo contra o governador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) depois que o ministro Arnaldo Versiani pediu vista da matéria. Na ocasião, Barbosa criticou o adiamento porque o governador estava no cargo sustentado por decisões liminares.
Polêmica - O processo, que começou a ser julgado pelo Plenário do TSE em 19 de dezembro de 2008, foi retomado hoje após vista do ministro Félix Fischer. Antes do julgamento de ontem, o ministro Eros Grau, relator do processo, já havia adiantado seu voto. Ele decidiu pela cassação de Lago e do vice-governador do Estado, Luiz Carlos Porto (PPS).
O pedido de cassação de mandato foi feito pela coligação da senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), candidata derrotada por Lago nas eleições de 2006. A principal acusação é a de que José Reinaldo Tavares (PSB), governador do Maranhão à época da eleição, teria usado a máquina do Estado em favor de Lago.
Entre as supostas infrações cometidas por Lago, a denúncia menciona doações irregulares de cestas básicas e kit salva-vidas para moradores da baía de São Marcos, em São José de Ribamar, além de transferência de recursos públicos, de mais de R$ 700 mil, para uma associação de moradores de Grajaú.
Há também menção a uma suposta apreensão de R$ 17 mil pela Polícia Federal, em Imperatriz. O valor, segundo a coligação de Roseana, teria sido utilizado para a compra de votos. Distribuição de combustível e material de construção completa a lista das irregularidades eleitorais.

O TRIGO E O JOIO

“Um homem semeou trigo em seu campo. Durante a noite, o inimigo foi e semeou joio no meio do trigo. As duas plantas cresceram juntas. Quando o trigo começou a formar espigas, os servos viram que havia joio no meio do trigo. Então perguntaram ao dono da plantação: ‘Quer que arranquemos o joio?’ Este porém, respondeu a eles: ‘Não, para não acontecer que, ao arrancar o joio, vocês não arranquem, com ele, o trigo. Por enquanto, deixem crescer juntos. Na hora da colheita, direi aos ceifadores: arranquem primeiro o joio e o amarrem em feixes para ser jogado no fogo; o trigo, recolham no meu celeiro’” (cf. Mt 13,24-30).
Às vezes, parece que a sorte beneficia os desonestos. Há pessoas boas que trabalham e nunca têm nada. Algumas até chegam a perguntar se vale a pena ser correto.
O que dizer disso?
O julgamento divino tem a sua hora. A demora de Deus é misericórdia. Ele dá a todos o tempo suficiente para que venham a converter-se e ser salvos (cf. 2Pd 3,3-9).
Mas chegará a hora do julgamento. Naquele dia triunfará a justiça divina: o joio será jogado no fogo para ser queimado, e o trigo recolhido no celeiro da Casa do Senhor.

Fonte: Lendas e fatos a luz da fé.Pe. Luiz Cechinato

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

POEMETO SENSUAL



DESCULPA-ME AS MULHERES,
AINDA QUE BEM VESTIDAS,
QUANDO SURGEM OS ABROLHOS,
EU FAÇO AMOR COM OS OLHOS.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

RAÍZES E SUPERAÇÃO DA CRISE

Frei Betto
Escritor e Teólogo


Ao priorizar a acumulação do capital em detrimento dos direitos humanos e do equilíbrio ecológico, o capitalismo instaura no planeta brutal desigualdade social, além de promover a devastação ambiental. Hoje, 80% da produção industrial do mundo são absorvidos por apenas 20% da população que vive nos países ricos do Hemisfério Norte. Os EUA, que abrigam apenas 5% da população mundial, consomem 30% dos recursos do planeta. O padrão de consumo da sociedade capitalista é insustentável e tem papel decisivo no processo de mudança climática. Boa parte desse consumo é reservada às práticas ostentatórias de uma reduzida oligarquia. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, a soma da renda das 500 pessoas mais ricas do mundo supera a de 416 milhões mais pobres. Um multimilionário ganha mais do que 1 milhão de pessoas. Segundo a revista Forbes, que se dedica a radiografar os donos do mundo, essa gente costuma pagar US$ 160 mil por um casaco de pele; US$ 3.480 por uma dúzia camisas da loja londrina Turnbull & Asser; ou US$ 241 mil numa única noite num cabaré de strip-tease, como fez Robert McCormick, presidente da Savvis, empresa que monitora os computadores da bolsa de Nova York. Pode também comprar o carro mais caro do mundo, o Bentley 728, que custa US$ 1,2 milhão. Os muros dos campos de concentração da renda são altos demais para permitir a entrada da multidão de excluídos. Mas são demasiadamente frágeis para impedir o risco de implosão. Há que buscar alternativa ao atual modelo de civilização. E essa alternativa passa, necessariamente, por mudança de valores, e não apenas de mecanismos econômicos. Se o mundo roda em torno da economia e a economia gira em torno do mercado, isso significa que este, revestido de caráter idolátrico, paira acima dos direitos das pessoas e dos recursos da Terra. Apresenta-se como um bem absoluto. Decide a vida e a morte da natureza e da humanidade. Assim, os fins — a defesa da vida no nosso planeta e a promoção da felicidade humana — ficam subordinados à acumulação privada das riquezas. Não importa que a riqueza de uns poucos signifique a pobreza de muitos. Os cifrões de contas bancárias são o paradigma do mercado e não a dignidade das pessoas. O princípio supremo da cidadania mundial é o direito de todos à vida e, como enfatiza Jesus, “vida em plenitude” (João 10, 10). Como tornar isso viável? Qualquer alternativa deverá fugir dos extremos que puniram parcela significativa da humanidade no século 20: o livre mercado e a planificação burocrática centralizada. Nem um nem outro subordina a economia aos direitos do cidadão. O mercado afunila oportunidades, concentrando a riqueza em mãos de poucos, e agrava o estado de injustiça. A planificação burocrática, embora exercida em nome do povo, de fato o exclui das decisões e muitas vezes restringe o exercício da liberdade. Ambos são incompatíveis com o meio ambiente e conduzem ao dramático processo atual de aquecimento global. Para superar esses impasses, urge que a lógica econômica abandone o paradigma da acumulação privada, para recuperar o do bem comum e do respeito à natureza, de modo que a cidadania se sobreponha ao consumismo e aos privilégios ostentatórios da minoria. O Fórum Social Mundial é uma luz que se acende no fim do túnel, resgatando a esperança de tantos militantes da utopia que lutam contra um sistema que imprime ao pão valor de troca, como mercadoria, e não valor de uso, como bem indispensável à nossa sobrevivência. Repensar o socialismo supõe não identificá-lo com o regime derrubado pelo Muro de Berlim, assim como a história da Igreja não se resume à Inquisição. Se somos cristãos, é porque o Evangelho de Jesus encerra determinados valores, como a natureza sagrada de toda pessoa, que servem inclusive de juízo condenatório ao que representou a Inquisição. Uma proposta alternativa de sociedade deve partir de práticas concretas, nas quais economia política e ecologia se coadunem. Uma das razões da brutal desigualdade social imperante no Brasil (75,4% da riqueza nacional em mãos de apenas 10% da população, segundo dado do Ipea, maio de 2008) é a esquizofrenia neoliberal que divorciou a economia da política, e a política do social e do ecológico. A consolidação da democracia e a defesa dos ecossistemas no nosso país e no mundo dependem, agora, da capacidade de enfrentar a questão prioritária: erradicar as desigualdades sociais. Preservação ambiental e superação da miséria são inseparáveis.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A ÚLTIMA DAS RAPOSAS FELPUDA DO BRASIL



A última das raposas felpuda do Brasil, o Senador José Sarney passou meses descartando a possibilidade de candidatar-se a presidência do Senado Federal, chegando a afirmar em dezembro: “...não tenho mais idade, disposição e paciência para ficar sentado na cadeira da Presidência do Senado, ouvindo o Mão Santa discursar”. Essas raposas são mesmo craques em dissimulação e na arte de cooptar.
Com 49 votos, Sarney consagrou-se pela terceira vez como presidente do Senado Federal (81 senadores).

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

PRAÇA DA SOBERANIA


Tenho acompanhado o polêmico debate, a meu ver nada desgastante, em torno da construção da Praça da Soberania, projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, na Esplanada dos Ministérios.
Residente nesta cidade deste o ano de 1977 não me contive em entrar nesta celeuma que está ocupando a mídia, por que como disse o próprio arquiteto Oscar Niemeyer “a briga está boa” – cada um defendendo seu ponto de vista.
O talento, a sabedoria, a importância de Oscar Niemeyer para Brasília e toda obra arquitetônica desse gênio é para todos nós de uma magnitude indiscutível. O projeto da praça e o monumental obelisco são lindos! Mas não se trata disso, e sim de questões e projetos de paisagismo e urbanístico da cidade de Brasília.
Por ter sido idealizador dos mais famosos monumentos de Brasília, hoje tombados pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade, o arquiteto Oscar Niemeyer ou o governador do Distrito Federal, não tem o direito e a prerrogativa de mudar sozinho o projeto paisagístico de Brasília, capital de todos os Brasileiros.
Com toda essa celeuma, talvez as autoridades se dêem conta de que a sociedade organizada como o IAB-DF o IPHAN, etc. que se manifestaram, assim como os Candangos, os Brasilienses e todas as pessoas que residem e que também amam Brasília estão se manifestando com suas opiniões e querem ser ouvidos.
Acho contraditório quando o arquiteto Oscar Niemeyer diz no seu artigo publicado no Caderno CIDADES, intitulado de UMA EXPLICAÇÃO NECESSÁRIA “que o Plano Piloto está dividido entre pobres e ricos. Os primeiros em seus apartamentos confortáveis ligados às escolas, ao comércio local, como convém: os outros, mais de 3 milhões de brasileiros, esquecidos pelas cidades satélites sem escolas, postos de saúdes e as áreas de recreio indisponíveis.”
Peço permissão de fazer minha as palavras de Oscar Niemeyer, pois Brasília hoje tem outras necessidades mais prementes. Que o dinheiro, portanto, seja investido no trânsito, saúde, educação, segurança, para minimizar estas discrepâncias sociais.

Herbert Lago Castelo Branco
Poeta e Escritor
*Matéria publicada na coluna OPINIÃO do Jornal Correio Braziliense de hoje 03/02/09


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

LABOR & LAZER



Contam que certa vez um escritor regava as plantas quando um vizinho passou e disse “e aí, trabalhando?”, ao que ele respondeu, “não, descansando”. Mais tarde, o mesmo vizinho, ao vê-lo pela janela aberta da sala, debruçado sobre livros, perguntou, “e aí, descansando?”, ao que ele disse, “não, trabalhando”.