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terça-feira, 29 de julho de 2008

BUMBA-MEU-BOI



Um dos folguedos mais tradicionais do Brasil, tendo englobado até vários reisados, o bumba-meu-boi é uma espécie de auto em que se misturam teatro, dança, música e circo. Ele é representado sob os mais diferentes nomes em localidades que vão do Rio Grande do Sul (como boizinho) e Santa Catarina (boi-de-mamão) aos estados do Nordeste (boi-de-reis) e o Amazonas (boi-bumbá). Sua provável origem é o Nordeste das últimas décadas do século XVIII, onde a criação de gado era feita por colonizadores com mão-de-obra escrava. Nas fazendas, os cativos teriam misturado suas tradições africanas (como a do boi geroa) a outras européias dos senhores (como a tourada espanhola, as tourinhas portuguesas e o boeuf gras francês), numa celebração que tematizava as relações de poder e uma certa religiosidade, sendo, inicialmente, alvo de grande repressão. Tradicionalmente realizado no período das festas juninas (em alguns lugares também no Natal e no carnaval), o bumba-meu-boi encena o rapto, morte e ressurreição do boi — uma história de certa forma metaforiza o ciclo agrário. Musicalmente, ele engloba vários estilos brasileiros, como os aboios, canções pastoris, toadas, cantigas folclóricas e repentes, tocados em instrumentos típicos do país, tanto de percussão como de cordas. Para alguns estudiosos, o "bumba" vem do som da zabumba, mas, para outros, trata-se de uma interjeição, que daria à expressão sentidos vários como "Vamos, meu boi!", "Agüenta meu boi" ou "Bate-meuboi!". O boi, figura central do auto, geralmente é feito com uma armação de cipó coberta de chita, grande o bastante para que um homem a vista. A cabeça que pode ser feita de papelão ou com a própria caveira do animal. Na encenação, a lenda pode ser contada de várias formas, mas a história básica é a da escrava Catirina (ou Catarina), grávida, que pede ao marido Chico (ou Pai Francisco) para que mate o boi mais bonito da fazenda porque quer comer a sua língua. Ele atende ao desejo da mulher e é preso pelo seu feitor, que tenta a todo custo ressuscitar o boi, com a ajuda de curandeiros. Boi revivido, tudo acaba em festa. Outros personagens podem entrar na história para dançar, dependendo do tipo de boi: Bastião, Arlequim, Pastorinha, Turtuqué, o engenheiro, o padre, o médico, o diabo etc, todos quase sempre interpretados por homens, que se travestem para compor os personagens femininos. Sufocado pelos avanços dos meios de comunicação, o boi fica cada vez mais restrito às comunidades rurais e pesqueiras que ainda conseguem preservar suas tradições. No entanto, ele é uma festividade muito popular em São Luís do Maranhão, para onde vários grupos do estado (alguns fortes, como o Boi Madre Deus e o Boi Maracanã) convergem na época junina e desfilam por toda a cidade. No entanto, esse boi ainda não supera em público o que acontece anualmente, nos dias 28, 29 e 30 de junho, na cidade de Parintins (Amazonas, a 420 km de Manaus), quando o boi Caprichoso (de cor azul, fundado em 1913 por Lindolfo Monteverde) e o Garantido (de cor vermelha, fundado em 1914 por José Furtado Belém e Emídio Rodrigues Vieira) desfilam no bumbódromo da cidade para um público que, entre locais e turistas, chega a reunir mais de 50 mil pessoas. Levado para a Amazônia por imigrantes maranhenses que foram no século XIX atrás dos lucros da borracha, esse boi ganhou o nome de boi-bumbá, sofreu influências indígenas e andinas e começou a sair ao som da chamada toada amazônica. A competição profissional entre Caprichoso e Garantido começou em 1966, e desde então só fez ganhar requintes de espetáculo (um desfile parecido com o das Escolas de Samba do Rio, com raio laser e o som amplificado de instrumentos eletrônicos) que transformou o Boi de Parintins na mais famosa manifestação folclórica da região Norte. Graças ao desfile amazônico, o boi pode gerar em 1996 o seu primeiro artista pop: a ex-banda de forró Carrapicho, que foi sucesso no Brasil e na França (levado pelo ator Patrick Bruel) com a música Tic Tic Tac. Gravado por Fafá de Belém e pela cantora de axé Márcia Freire, a música Vermelho (hino do Garantido, composto por Chico da Silva) também teve grande êxito, abrindo caminho para artistas de Parintins, como os levantadores de toada Arlindo Júnior e David Assayag.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

AS FACES E FASES DE HERBERT LAGO EM VERSOS AVOANTES




Em VERSOS AVOANTES, nota-se que Herbert Lago Castelo Branco soltou as amarras e revela ao mundo todas suas faces, suas fases, seu canto errante. Às vezes, moleque travesso e saudoso de sua Chapadinha. Noutras, homem com seus desejos, lamúrias, questionamentos e revoltas. O Papai Noel não vem ele abre as asas. Escreve e desenha seus versos.
Pictóricos, os poemas de Herbert Lago Castelo Branco, por vezes assumem formas visíveis e abstratas. Ele canta e o verso, dengoso, se enrosca em que lê, com ritmo e cadência despretenciosos, mas certeiros: “(...) Preso comunista / Ladrão de beijos / Mágoas socialistas / As rédeas das Diretas / Machão progressista / Caçador do Ibama / Cheirando na manha / Synthia (...).”
A verve social abre as asas, em seus versos de mãos abertas. Versos que falam de versos, Metapoesia que busca explicações, esquinas, ouvidos, olhos, emoções a despertar: (...) “O poeta também chora / Chora, mas escreve lindas frases / que no peito sempre vigora”.
Herbert Lago é poeta que sonha com musas e mesas fartas de esperança. Ele dança e nos chama a sermos amantes do universo de seu eu, entre linhas e lemas e lances e lenços e brumas.
Voei, como nunca antes... Vambora. Vem voar com a gente.

Marcos Linhares
Jornalista, professor e escritor.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Herbert Lago e seus Versos Avoantes



Na vida existem homens que marcam sua existência por atuações dignificantes e de grande importância no contexto mundial. Há seres fadados ao sucesso e pessoas que apenas transitoriamente se fazem notar. Herbert Lago Castelo Branco pertence a uma plêiade de pessoas fadadas ao sucesso. Originário de Chapadinha, no Maranhão, hoje desponta como uma das mais promissoras revelações poéticas de Brasília, dignificando e honrando as letras Nacionais.
VERSOS AVOANTES, cuja tônica versa contra as injustiças, contra as angústias peculiares às pessoas que possuem sensibilidade e se sentem mal com a opressão, a falta de liberdade, e demagogia barata, o descaso e a insensatez humana.
Sua poesia tem a angústia peculiar dos tristes em “INERTE”: “E o meu corpo inerte, / esperando a hora de partir. E eu...; espírito! / triste!... / Sem saber pra onde ir”. Há o clamor pela liberdade em “PÁSSARO”: “... e faço um apelo como irmão: / por favor, / soltem os pássaros da prisão!” Há o extravasar de um sentimento, quando em “O POETA”, prega o direito de ser feliz, pois, o poeta também chora, / chora... mas escreve lindas frases / que no peito sempre vigora”. A sua “UTOPIA” será no dia em que os políticos chegarem a um consenso, “no dia em que destruírem as bombas / e o mundo deixar de ser tenso / (...) no dia em que não houver mais crianças abandonadas”. Herbert Lago é na verdade, um poeta que faz da palavra a sua maior expressão de vida por que a sua sensibilidade o leva a transformar em palpável, um sentimento de amor, fé e esperança num futuro melhor. De uma consciência emotiva digna dos melhores elogios, que levam Herbert Lago Castelo Branco a não ser apenas mais um poeta a lançar um livro, mas um homem de letras a lançar uma importante obra, cujo valor será enaltecido e engrandecido por todas as pessoas de bom senso crítico e sensibilidade de poeta.

CLÉRIO JOSÉ BORGES DE SANT’ANNA
Presidente do Clube dos Trovadores Capixabas.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

FERREIRA GULLAR



Nasce em São Luís do Maranhão, em 1930.
Até os 21anos, quando muda-se definitivamente de São Luís para o Rio de janeiro, é locutor de rádio, editor de revistas literárias e desenvolve sua cultura poética com leituras sistemáticas de poetas brasileiros e estrangeiros. Autodidata no aprendizado do francês, é em visitas à Biblioteca Pública de sua cidade, à maneira de Rimbaud, que passou a compreender a poesia moderna e dá os primeiros passos no estudo da Arte. Aos dezenove anos é premiado em um concurso de poesias promovido pelo jornal de Letras e publica Um pouco acima do chão (l949), coletânea de poemas com ressonâncias de suas leituras de adolescência, mas que prenunciava o poeta de A Luta Corporal (l954). No Rio de janeiro, colabora em jornais e revistas como poeta e principalmente como crítico de arte, sendo com estes os seus primeiros contatos intelectuais. A partir d'A Luta Corporal faz parte do movimento concretista com o qual rompe para, em 1959, teorizar e liderar o movimento neoconcretista. Em 1961, considerando o novo movimento esgotado, dedica-se à cultura popular, fazendo parte do CPC da UNE, do qual é presidente até o golpe militar de 1964. Mas, a partir de 1962, seus textos já refletem a preocupação em denunciar e combater a opressão e as injustiças sociais. Reelabora então sua experiência poética com textos de cordel até chegar aos poemas de Dentro da Noite Veloz, de 1975. Em 1964 publica o ensaio Cultura Posta em Questão, em que aborda temas de cultura popular, artes plásticas e poesia, e em 1969 reaparece com Vanguarda e Subdesenvolvimento, onde teoriza novos conceitos para uma vanguarda estética. No teatro, Ferreira Gullar escreve , em parceria com escritores amigos, peças que também abordam a situação social do povo brasileiro: Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come (l966), com Oduvaldo Viária Filho; A saída? Onde fica a saída? (l967), com Armando Costa e A.C. Fontoura; e Dr. Getúlio, sua vida e sua glória (l968), com Dias Gomes. Em 1979 edita a peça Um rubi no umbigo. Exilado do Brasil em 1971, Escreve em Buenos Aires, em 1975, o livro que marca toda sua obra, Poema Sujo, publicado em 1976. De volta ao Brasil, publica Antologia Poética e Uma Luz do Chão, em 1978, e Na Vertigem do Dia, um novo livro de poemas. Em 1986, lança Crime na Flora, reflexões escritas ao longo dos últimos trinta anos, e em 1989 publica Indagações de hoje e A estranha Vida Banal. O seu último livro de poemas é Barulhos, de 1987. Hoje, Ferreira Gullar divide seu tempo entre poemas, análises e reflexões sobre artes plásticas e como consultor e redator da Rede Globo de Televisão realizando textos e adaptações para mini-séries e especiais. Até o início de 1995 foi presidente do IBAC (Instituto Brasileiro de Arte e Cultura).