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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

PARTICIPAR É MAIS QUE ASSISTIR E ANALISAR É MAIS DO QUE OLHAR.


Chapadinha sofre de apatia social. É preciso vitaminas de responsabilidade e vacinação contra o desinteresse. O futuro não pode depender só de profissionais políticos.

A situação do Município de Chapadinha é preocupante. Não pode continuar a ser tratada como assunto de propriedade privada de alguém que se habituou a fazer o que quer e nada acontece. É um Município atolado em promessas, vítima de politiquices prejudiciais. Faltam estruturas Públicas e infra-estruturas. As autoridades , na maior parte do tempo, estão ausentes da cidade. Tudo corre à revelia da lei e da ordem. Vejamos:
1) - É uma tristeza chegar aqui e deparar com uma Rodoviária daquele jeito. Meu Deus, que vergonha! Tal entrada da cidade, tal Rodoviária!
2) - O patrimônio público é prejudicado por falta de criatividade e iniciativa pública. Só a Secretaria de Saúde paga, anualmente, de aluguéis, R$ 1.900.000,00. A quem?... E será verdade que faz ainda obras para melhorar prédios que não são Municipais? - É o caso do Hospital de S. Francisco. A Secretaria de Obras Públicas e outras não têm máquinas próprias. Têm que as alugar para alguns trabalhos. Quem lucra com isso? E é de desconfiar, porque os aluguéis são feitos a pessoas ligadas à Prefeitura.
3) - O sistema de água está caótico. Macaoca não satisfaz. Estamos como em 1985. E a cidade triplicou. Os poços depressa estão inutilizados e os bairros sem água.
4)- A questão social está ao abandono. É um balão que a qualquer momento pode rebentar. Não há políticas públicas de segurança, de proteção à família, de combate ao tráfico de drogas, de luta contra o alcoolismo, de educação para a ordem no trânsito, de criação de espaços de recriação, de aplicação da lei do silêncio, de licenciamento de bares junto de escolas e em demasia nalguns locais...
5) - Não há um cemitério público grande e bem cuidado. As Comissões de Manutenção existentes zelam a limpeza, mas, talvez, exagerem nas condições para enterramento de mortos.
6) - Falta planejamento de trabalhos. O Plano Diretório Municipal está guardado. A população, acossada pelo Agro-Negócio, invade terrenos, não deixando nem espaço para os prédios públicos. Não se sabe onde trabalham algumas Secretarias Municipais e quem é o Secretário.
7) - As estradas do interior estão ao abandono. Quando é feito algum reparo, logo fica pior do que estava, porque não há manutenção de nada.
8) - O sistema de Saúde está falido. Responsáveis estão mais ausentes que presentes e há postos de saúde esquecidos. A intervenção do Ministério Público no Conselho de Saúde veio revelar muita arbitrariedade que aí se praticava.
9) - A limpeza nos bairros está péssima. O aterro sanitário é uma lixeira impossível...
10) - Alguns bairros, mesmo no Centro, estão com as avenidas cheias de covas e, no Inverno, as águas das chuvas criam uma situação perigosa para a Saúde, por exemplo, na Aparecida, perto da capela. Para não falar na Avenida Ataliba Vieira.
11) - Ainda se pratica em Chapadinha uma política de alienação incrível, pela informação e promoção de festinhas. E a Câmara assiste a tudo isto...
12) - O Ginásio Esportivo e a Biblioteca continuam sem serviço. Na deterioração.
13) - As contas que aparecem a público não são explicativas do dinheiro que vem e estão sendo reprovadas pelo Tribunal, além do sistema de compras ser extraordinariamente fechado.
14) - A agricultura ainda é no toco, e de mera subsistência. Enquanto nossos lavradores forem tão pobres não podemos falar em desenvolvimento chapadinhense.
Voltaremos ao assunto, mas pedimos que isto seja assunto de reflexão nas comunidades.

Extraido do Boletim VIDA NOVA Nº 43 DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA DAS DORES ( Padre Pedro)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

OS BURACOS DA NEGLIGÊNCIA


Há cerca de um ano quando postei pela primeira vez neste blog uma matéria falando dos inúmeros buracos na entrada de Chapadinha, na avenida Ataliba Vieira de Almeida, na Presidente Vargas e principais ruas de Chapadinha aqueles buracos já estavam lá, esperando pelas diligências das autoridades “competentes” responsáveis pela conservação e zelo das vias públicas. Na ocasião as autoridades alegavam as chuvas. Pois bem, o inverno passou e agora já está chegando novamente as chuvas e os buracos estão lá desafiando a perícia dos motoristas e motociclistas como se a vida fosse um circo de manobras radicais, patrocinadas pelo relaxo no dever de zelar pelas vias públicas e pela segurança no trânsito.
Quantas vezes não devem ter passado por ali um carro da prefeita, do secretário de obras, dos vereadores, ou até mesmo do Departamento de Trânsito, desviando-se dos buracos, desviando-se de sua responsabilidade. Preocupados em multar as irregularidades dos outros, mas esquivando-se de suas próprias em preservar as vias públicas e a vida das pessoas.
Sinto-me indignado, revoltado mesmo, pelo desleixo para com a nossa cidade. No desmazelo de pessoas que deveriam cuidar melhor de nossa cidade, mas andam nas ruas com os olhos vedados e viciados em suas próprias atribuições. Na via de principal acesso a cidade e nas principais ruas e avenidas não pode haver tantos buracos instalados a quase um ano e meio. São como feridas abertas onde não há cuidado sequer em reparar um simples buraco, que começa pequeno e cresce com o aumento dos descasos por parte das autoridades que governa o município.
Herbert Lago Castelo Branco
Poeta e Escritor

terça-feira, 3 de novembro de 2009

ESTAMOS MUITO LONGE DE SER UM PAÍS DE LEITORES





Estamos muito longe de ser um país de leitores. A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (Pró-Livro/ Ibope) concluiu que nossa média de leitura é de 4,7 livros por pessoa por ano, incluídos aí os didáticos. Se considerarmos apenas os livros lidos independentemente da escola, esse índice cai para 1,3, enquanto nos países desenvolvidos chega a 10 livros por ano. Temos mais de 77 milhões de pessoas que não leem. E não leem porque não aprenderam a considerar a leitura importante para suas vidas, vivem em ambientes que não valorizam o livro, não têm interesse, não têm tempo, têm dificuldades na decodificação da língua ou não têm acesso ao livro. Há muitas iniciativas pelo país afora que se esforçam para modificar esse quadro: festas literárias, feiras de livros, seminários, debates, contação de histórias, formação de bibliotecas comunitárias e públicas. O Ministério da Educação e o Ministério da Cultura estão envolvidos nesse empreendimento de transformar os índices de leitura no Brasil por meio do Plano Nacional do Livro e da Leitura, e de iniciativas como o Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE). O Ministério da Cultura pretende zerar em dezembro o número de municípios sem biblioteca Para que as pessoas se interessem pela leitura, além do acesso ao livro é necessário um ambiente que o valorize. Se vivemos numa sociedade que não dá valor ao livro, dificilmente nos sentiremos atraídos para a experiência profunda e transformadora da leitura. A formação de leitores depende de uma valorização do livro pela sociedade. Foi com esse pensamento que fundamos a Biblioteca Alternativa: com o proposito de um intenso reconhecimento do livro, da leitura e da literatura como caminho para ampliar os horizontes, a competência crítica e as habilidades necessárias aos indivíduos para o exercício pleno da cidadania.
Nunca é tarde para começar e ter o bom hábito da leitura. Faça uma visita à Biblioteca Alternativa que fica situada na rua do comércio 1161 e pegue gratuitamente um bom livro e tenha uma boa leitura.

Herbert Lago Castelo Branco
Poeta e Escritor

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

EXPECTATIVA DE VIDA DOS MARANHENSES É A MENOR DO BRASIL

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A Pesquisa Síntese de Indicadores Sociais, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada no último dia 21 de outubro, mostra que a expectativa de vida do Brasil aumentou nos últimos 10 anos, saltando de 67,9 anos para 72,7 anos. As crianças que nascem na Capital da República tem a melhor expectativa e devem viver em média 75,6 anos – três anos a mais que a média nacional. No entanto, para os que nascem no Maranhão tem menos chances de viver mais do que pessoas nascidas em outros estados, haja vista que na pesquisa o estado do Maranhão aparece em 26ª colocação, ou seja, em penúltimo lugar com expetativa de 68,0 anos, abaixo da média nacional que é de 72,7 anos.
Os dados são preocupantes e chama a atenção para a necessidade de investimentos em áreas cruciais para a população, principalmente na saúde e no combate a mortalidade infantil que exigem respostas cada vez mais rápidas e eficientes.
Os dados explicam a baixa qualidade de vida dos maranhenses, uma vez que os governos não lhes oferece instrução adequada, e a perversa existência de trabalho escravo, favorecido pela situação de miséria a que são submetidos em busca de sobrevivência.
Herbert Lago Castelo Branco
Poeta e Escritor

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

MAL CARATISMO




As noticias de escândalo no futebol maranhense, tendo como protagonista o Chapadinha Futebol Clube correu o mundo.
A cidade de Chapadinha não merecia ser vinculada a essa vergonhosa notícia. E nada justifica a atitude dos dirigentes e principalmente dos jogadores que não horraram sua profissão ao aceitarem a fazer esse jogo sujo e abrirem as pernas para uma inesquecível goleada de 11 x 0.
O fato de o Santa Quitéria e o Moto Clube terem feito jogo sujo não dá o direito dos dirigentes e jogadores do Chapadinha a fazerem o mesmo papel que para mim significa mal caratismo tanto dos dirigentes como dos “jogadores” que se sujeitaram a fazer essa lambança manchando a sua carreira de atleta, além é claro, não tiveram respeito para como o nome de nossa cidade e nem tampouco para com os torcedores.
Herbert Lago Castelo Branco
Poeta e Escritor

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A LEI & OS FICHAS-SUJAS


O ÚNICO MEIO EFICAZ DE BARRAR OS FICHAS-SUJAS, É O VOTO CONSCIENTE.


O movimento de barrar a candidatura de quem tenha problemas a resolver com a justiça mais conhecido como lei da ficha limpa, articulado pelo MCCE – Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral – representado por membros da CNBB – Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, das instituições representativas da sociedade, fizeram questão de comparecer ao salão verde da Câmara dos Deputados para a entrega do projeto de lei complementar que recebeu 1.300.000 ( hum milhão e trezentas mil ) assinaturas.
Apesar de a iniciativa ter apelo popular, dificilmente os “políticos” vão votar logo o projeto que barra os fichas sujas. E o argumento é simples. Muitos acham que o projeto é inconstitucional.
O artigo 5º da Carta Magna, o que fala das garantias individuais, estabelece que todo mundo tem direito à ampla defesa. A pessoa só é considerada culpada depois de sentença transitada em julgado – isso para muitos especialistas significa esgotadas as possibilidades de defesa, quando o sujeito já recorreu em todas as instâncias e foi considerado culpado.
E, para nós, que vamos votar em 3 de outubro de 2010 para presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual, fica a lição: o único meio eficaz de barrar os fichas-sujas, hoje e amanhã, é o voto consciente. Pesquise a ficha dos candidatos antes de votar.

Herbert Lago Castelo Branco
Poeta e Escritor

terça-feira, 29 de setembro de 2009

PEC DOS VEREADORES - Lembrete aos TREs.

Em ofício enviado aos tribunais regionais eleitorais, Ayres Britto reforça entendimento do TSE, para quem norma não vale para a atual legislatura


O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto, reafirmou ontem que a PEC dos Vereadores não poderá entrar em vigor nesta legislatura. Ele encaminhou ontem aos presidentes dos tribunais regionais eleitorais (TREs) ofício em que reitera o entendimento do TSE sobre a emenda constitucional promulgada na última semana pelo Congresso Nacional. A emenda aumentou em 7.623 o número de vereadores em todo o país, passando dos atuais 51.988 para 59.611. No ofício, Britto citou a resposta a uma consulta, feita em 2007, na qual o TSE disse, de forma unânime, que a emenda constitucional não retroage. Assim, o novo número de cadeiras parlamentares fixadas pela PEC dos Vereadores teria de ser submetido a uma convenção partidária, o que se dá entre 10 e 30 de junho do ano da eleição. Segundo a jurisprudência do TSE, as novas vagas de vereadores criadas por uma emenda promulgada na última quarta-feira só poderiam ser preenchidas a partir da próxima eleição municipal. Apesar de enfatizar a posição do TSE sobre o assunto, Ayres Britto não chegou a recomendar os TREs a não darem posse aos vereadores suplentes, contemplados dentro das mais de 7 mil vagas criadas pela emenda. No ofício, Britto deixa claro que não tem “a pretensão de interferir na esfera da autonomia” dos TREs. Em entrevista concedida na semana passada, o presidente do TSE afirmou que “a emenda atual chegou tarde para entrar em vigor na corrente legislatura”. Na mesma entrevista, o ministro ponderou que a Justiça Eleitoral não teria outra opção senão dar posse aos suplentes. Ele lembrou, no entanto, que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) deve entrar com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a constitucionalidade da emenda aprovada pelo Congresso. Os recursos ao STF foram previstos pelo deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ) durante a votação da PEC na Câmara.

Fonte: Correio Braziliense








PROJETO DE LEI DA FICHA LIMPA CHEGA HOJE AO CONGRESSO

O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) protocola hoje no Congresso o projeto de lei de iniciativa popular que institui a chamada “ficha limpa” obrigatória para os candidatos nas eleições em todos os níveis. A proposta recebeu 1,3 milhão de assinaturas, coletadas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O texto da norma torna inelegível candidato condenado em primeira instância ou denunciado por crimes como improbidade administrativa, uso de mão de obra escrava e estupro. A data de entrega da projeto popular foi escolhida para coincidir com a comemoração dos 10 anos da lei de iniciativa popular mais notória do Brasil, a Lei nº 9849/99, que tipifica o crime da compra de votos.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

LIBERDADE E JUSTIÇA SOCIAL


Na década de 1980 visitei, com frequência, países socialistas: União Soviética, China, Alemanha Oriental, Polônia, Tchecoslováquia e Cuba. Estive também na Nicarágua sandinista. As viagens decorreram de convites dos governos daqueles países, interessados no diálogo entre Estado e Igreja. Do que observei, concluí que socialismo e capitalismo não lograram vencer a dicotomia entre justiça e liberdade. Ao socializar o acesso aos bens materiais básicos e aos direitos elementares (alimentação, saúde, educação, trabalho, moradia e lazer), o socialismo implantara, contudo, um sistema mais justo à maioria da população que o capitalismo. Ainda que incapaz de evitar a desigualdade social e, portanto, estruturas injustas, o capitalismo instaurou, aparentemente, uma liberdade — de expressão, reunião, locomoção, crença etc. — que não se via em todos os países socialistas governados por um partido único (o comunista), cujos filiados estavam sujeitos ao “centralismo democrático”. Residiria o ideal num sistema capaz de reunir a justiça social, predominante no socialismo, com a liberdade individual vigente no capitalismo? Essa questão me foi colocada por amigos durante anos. Opinei que a dicotomia é inerente ao capitalismo. A prática de liberdade que nele predomina não condiz com os princípios de justiça. Basta lembrar que seus pressupostos paradigmáticos — competitividade, apropriação privada da riqueza e soberania do mercado — são antagônicos aos princípios socialistas (e evangélicos) de solidariedade, partilha, defesa dos direitos dos pobres e da soberania da vida sobre os bens materiais. No capitalismo, a apropriação individual e ilimitada da riqueza é direito protegido por lei. E a aritmética e o bom-senso ensinam que quando um se apropria muitos são desapropriados. A opulência de uns poucos decorre da carência de muitos. A história da riqueza no capitalismo é uma sequência de guerras, opressão colonialista, saques, roubos, invasões, anexações, especulações etc. Basta verificar o que sucedeu na América Latina, na África e na Ásia entre os séculos 16 e a primeira metade do século 20. Hoje, a riqueza da maioria das nações desenvolvidas decorre da pobreza dos países ditos emergentes. Ainda agora os parâmetros que regem a Organização Mundial do Comércio (OMC) são claramente favoráveis às nações metropolitanas e desfavoráveis aos países exportadores de matérias-primas e mão de obra barata. Um país capitalista que agisse segundo os princípios da justiça cometeria um suicídio sistêmico; deixaria de ser capitalista. Nos anos 1980, ao integrar a Comissão Sueca de Direitos Humanos, fui questionado, em Uppsala, por que o Brasil, com tanta fartura, não conseguia erradicar a miséria, como fizera a pequena Suécia. Perguntei-lhes: “Quantas empresas brasileiras estão instaladas na Suécia?” Fez-se prolongado silêncio. Naquela época, nenhuma empresa brasileira operava na Suécia. Em seguida, indaguei: “Quantas empresas suecas estão presentes no Brasil?” Todos sabiam que havia marcas suecas em quase toda a América Latina, como Volvo, Scania, Ericsson e a SKF, mas não precisamente quantas no Brasil. “Vinte e seis”, esclareci. (Hoje são 180). Como falar em justiça quando um dos pratos da balança comercial é obviamente favorável ao país exportador em detrimento do importador? Sim, a injustiça social é inerente ao capitalismo, poderia alguém admitir. E logo objetar: mas não é verdade que, no capitalismo, o que falta em justiça sobra em liberdade? Nos países capitalistas não predominam o pluripartidarismo, a democracia, o sufrágio universal, e cidadãos e cidadãs não manifestam com liberdade suas críticas, crenças e opiniões? Não podem viajar livremente e até mesmo escolher viver em outro país, sem precisar imitar os balseros cubanos? De fato, nos países capitalistas a liberdade existe apenas para uma minoria, a casta dos que têm riqueza e poder. Para os demais, vigora o regime de liberdade consentida e virtual. Como falar de liberdade de expressão da faxineira, do pequeno agricultor, do operário? É uma liberdade virtual, pois não dispõem de meios para exercitá-la. E se criticam o governo, isso soa como um pingo de água submergido pela onda avassaladora dos meios de comunicação — TV, rádio, internet, jornais, revistas — em mãos da elite, que trata de infundir na opinião pública sua visão de mundo e seu critério de valores. Inclusive a ideia de que miseráveis e pobres são livres. Por que os votos dessa gente jamais produzem mudanças estruturais? No capitalismo, devido à abundância de ofertas no mercado e à indução publicitária ao consumo supérfluo, qualquer pessoa que disponha de um mínimo de renda é livre para escolher, nas gôndolas dos supermercados, entre diferentes marcas de sabonetes ou cervejas. Tente-se, porém, escolher um governo voltado aos direitos dos mais pobres! Tente-se alterar o sacrossanto “direito” de propriedade (baseado na sonegação desse direito à maioria). E por que Europa e EUA fecham suas fronteiras aos imigrantes dos países pobres? Onde a liberdade de locomoção? Sem os pressupostos da justiça social, não se pode assegurar liberdade para todos.

FREI BETTO - teólogo e escritor autor de Diário de Fernando – Nos cárceres da ditadura militar brasileira entre outros.


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

DEMO-TUCANOS DEVERIAM PENSAR DUAS VEZES ANTES DE EMBARCAR SEM VOLTA NUMA NOVA CANOA FURADA

A mídia golpista e a oposição mais uma vez se associam para trabalhar contra o Brasil.
Segundo elas, o projeto do governo Lula para o pré-sal não dá a devida consideração às magníficas contribuições que as multinacionais podem trazer ao Brasil na exploração do pré-sal.
Compreende-se que os monopólios de mídia queiram garantir os interesses de seus anunciantes. E basta folhear uma publicação impressa ou sintonizar as emissoras de televisão dos referidos monopólios para ver que, no essencial, é a publicidade das multinacionais que viabiliza a sua existência.
Isto dá às multis muitos direitos sobre a mídia golpista, mas nenhum sobre o pré-sal.
A contribuição das multinacionais para que o Brasil primeiro conquistasse a auto-suficiência petrolífera e depois realizasse a grande descoberta foi igual à zero.
Tudo dependeu exclusivamente do esforço do povo, da União e da Petrobrás. E a nossa principal empresa não precisa nem da tecnologia, nem dos recursos financeiros que as petroleiras internacionais possam obter para explorar o pré-sal.
Portanto, parafraseando o grande sábio de Nazaré, este é um caso típico para que se dê às multinacionais o que é delas e à Petrobrás o que é da Petrobrás.
A oposição deveria refletir sobre isso antes de embarcar numa nova canoa furada – desta vez, pela magnitude da traição, sem direito a volta.


Herbert Lago Castelo Branco
Poeta e Escritor

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

'CONSOLAI O MEU POVO"

Encontra-se em missão em Chapadinha desde o dia 31 de julho deste ano o grupo de missionário João Paulo II constituído de 10 jovens missionários da diocese de Coimbra – Portugal, acompanhados pelo Pe. Luis Miranda que em nome do Grupo divulgou uma carta circular intitulada “Consolai o meu povo” com uma análise critica de suas percepções sobre a cidade de Chapadinha a qual publico abaixo um parágrafo que mais me chamou a atenção.

““... Em Chapadinha permanecem algumas características que já no ano anterior tínhamos encontrado: de dia ou de noite um barulho ensurdecedor, a degradação das famílias com a proliferação de bares e com políticas que em nada preservam a família e os filhos. Ao nível da educação existem muitos colégios, mas a formação escolar é bastante deficitária devido a uma preparação pouco rigorosa dos professores. Permanece a corrupção latente e visível dos políticos… neste contexto a Igreja torna-se a única referência moral que aponta caminhos de fidelidade, perseverança, verdade e transparência. Tudo isto implica um trabalho de evangelização nem sempre bem compreendido e muitas vezes perseguido pelas autoridades civis. Mesmo assim, no testemunho que colhemos dos padres Missionários aqui presentes, Pe Neves, Pe Casimiro e Pe Pedro, o evangelho tem de ser proclamado em cada dia com renovado vigor, ousadia e fidelidade e é notório o esforço que fazem para no âmbito da evangelização ajudarem a “cidade dos homens” a ser mais humanizada e humanizadora, mais cristã porque mais humana e mais humana porque cada vez mais cristã”. (Pe. Luis Miranda).

Esta é a visão que o grupo de missionários tem de Chapadinha, que com certeza foi encaminhada a diocese de Coimbra e até mesmo ao Papa Bento XVI, a qual deixo aqui para reflexão dos políticos e dos Chapadinhenses em geral com a seguinte pergunta: é isso mesmo?

Herbert Lago Castelo Branco
Poeta e Escritor

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A DIREITA JOGA VERDE

Considerando o Artigo, abaixo, assinado por Valter Pomar - secretário de Relações Internacionais do PT -, "A direita joga verde", senti-me compelido a tecer alguns comentários sobre o tema nele abordado: é certo que a direita está comemorando a eventual candidatura de Marina Silva à presidência da república. Mas, que direita? José Sarney por exemplo, que apoia abertamente a candidatura de Dilma Roussef, tendo por base os últimos acontecimentos ocorridos no Senado, tem motivo de sobra para comemorar sua escolha. Ou José Sarney não é mais direita? E Renan Calheiros, Fernando Collor, Duque, Azeredo e tantos outros que apoiam Dilma, deixaram de ser direita? Suas comemorações pela candidata escolhida também não contam?
Lançada a candidatura de Dilma pelo PT, o surgimento de qualquer outro nome ligado à esquerda não ficará imune à velha retórica: "fazendo o jogo da direita", "equivocado"; "vendido", e outras. O que, eventualmente, pode até ocorrer. Agora, para Marina Silva isto não se aplica. O PT - e o universo político brasileiro - sabem muito bem disso. E não se aplica apenas ela, a esquerda tem outros nomes - poucos, é verdade - nas mesmas condições de Marina, inclusive nas fileiras do próprio PT. O que não podemos admitir é a ditadura de projeto. Há que se admitir que mesmo apoiando, aprovando e trabalhando, pode-se criticar e, eventualmente, oferecer projeto diferente sem perder a linha, sem perder o horizonte, sem perder a dignidade e sem perder a utopia (palavra tão fora de uso, não?). Por que não? Por que não?

Herbert Lago C. Branco
Poeta e escritor

A DIREITA JOGA VERDE

Não sei se a senadora Marina Silva decidiu se fica ou sai do PT, se disputa ou não a presidência da República. Mas sua eventual candidatura já está sendo comemorada pela direita brasileira.
O troféu da babação foi para Danuza Leão, autora de um artigo intitulado “Quem tem medo da doutora Dilma” (Folha de S.Paulo, 16 de agosto). Segundo Danuza, “não existe em Dilma um só traço de meiguice, doçura, ternura (....) Lembro de quando Regina Duarte foi para a televisão dizer que tinha medo de Lula (....) Não lembro exatamente de que Regina disse que tinha medo, mas de uma maneira geral era medo de um possível governo Lula. Demorei um pouco para entender o quanto Regina tinha razão. Hoje estamos numa situação pior, e da qual vai ser difícil sair, pois o PT ocupou toda a máquina, como as tropas de um país que invade outro. Com Dilma seria igual ou pior (...) Minha única esperança, atualmente, é a entrada de Marina Silva na disputa eleitoral, para bagunçar a candidatura dos petistas (....) Seja bem-vinda, Marina. Tem muito petista arrependido para votar em você e impedir que (...) Dilma Roussef passe para o segundo turno”.
De maneira menos boçal, variantes deste raciocínio foram matéria de capa da Época (“Marina embaralha o jogo eleitoral de 2010”), da IstoÉ (“o Brasil não é só PT e PSDB”), bem como de textos publicados em Veja (que ainda não deu capa) e outras publicações.
Os que comemoram, não acreditam e geralmente não desejam que Marina possa ser presidente; acham apenas que ela pode atrapalhar uma terceira vitória do PT. Ou seja: sua candidatura é vista como linha auxiliar do PSDB, mais ou menos como o Partido Verde se comporta em vários estados do Brasil.
Como ficaria mal falar isto de maneira explícita, a grande imprensa faz três movimentos diversionistas: a) apresenta Marina como candidata de quem “manteve viva a utopia”; b) destaca a importância de incluir o meio ambiente no debate presidencial; c) diz que o Brasil deve escapar da falsa polarização entre PT e PSDB.
A verdade é que a direita não se incomoda com a defesa das utopias e do meio ambiente, desde que essa defesa não se materialize em atos de governo. Por isso, dirão o que for necessário para impedir uma vitória do PT nas eleições de 2010, pois sabem muito bem que nesta quadra da história não haverá presidente de esquerda, nem defesa efetiva do meio ambiente, sem o Partido dos Trabalhadores.
Neste sentido, a crítica à “falsa polarização PT e PSDB” tem o mesmo objetivo daquele discurso que fala que não existem mais diferenças ideológicas: quem se beneficia de ambos é a direita, que opera nos marcos do senso comum e das personalidades, não precisando demarcar diferenças, nem construir organizações coletivas.
Infelizmente, existem setores do PT que alimentam este discurso. Por exemplo, não por coincidência, a senadora Marina Silva, que em artigo intitulado “Renda básica na política” (FSP, 9/2/ 2009) defende que PT e PSDB, que “têm sido as forças mais estáveis no comando do país”, se unam “pelo resgate da política e por meio de um alinhamento ético”. Política de alianças adotada no Acre, segundo consta.
Acontece que estes dois partidos organizam a disputa política brasileira, exatamente porque representam dois projetos nacionais opostos e contrapostos: o neoliberal e o democrático-popular. Não é a disputa entre PT e PSDB que cria esta contraposição; é esta contraposição na vida real (algo que nossos velhos chamavam de luta de classes) que se traduz na disputa política entre os dois partidos.
Que essa disputa às vezes assuma formas mesquinhas, rebaixadas, pouco claras ou elegantes, é outro assunto. Mas enquanto aquela contradição de projetos for dominante na sociedade brasileira, enquanto petistas e tucanos representarem projetos opostos, não haverá aliança estratégica entre eles.
Neste sentido, quem tiver a ambição de construir uma terceira via entre PT e PSDB, viverá o mesmo dilema do PSOL em 2006: no segundo turno, dividir-se entre Alckmin e Lula. A direita sabe disto e joga verde apenas para colher serra. Motoserra.
Valter Pomar é secretário de relações internacionais do PT
http://www.pt.org.br/portalpt/index.php?option=com_content&task=view&id=80480&Itemid=201

QUANDO A NATUREZA TÁ DE SACANAGEM




sexta-feira, 14 de agosto de 2009

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

NASA DIVULGA FOTO INÉDITA


A coisa não está para brincadeira, mas... a foto não está tão longe da realidade.
Se você duvida, entre no site da NASA e confira as fotos do Hubble.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

RELENDO GREGÓRIO DE MATOS...
VERSO E ANVERSO DA CRISE:
QUE HÁ NESTA CIDADE? VELEIDADE!
DO POVO A BRONCA? AFRONTA!
DOS FATOS A VERDADE? FALSIDADE!

terça-feira, 28 de julho de 2009

AS DITADURAS PODEM VOLTAR


Todos os ditadores — de Hitler a Médici, de Batista a Stalin, de Franco a Somoza — passam à história como figuras execráveis, cujos nomes, estigmatizados, se associam às vítimas de seus governos tirânicos. Aliás, Tirano era o comandante da guarda do rei Herodes. Seu nome tornou-se sinônimo de crueldade por se atribuir a ele a execução da ordem real de decapitar, em Belém, todos os bebês, entre os quais estaria Jesus se José e Maria não tivessem fugido com ele para o Egito. A América Latina carrega em sua história longos períodos de supressão do regime democrático. No século 20, o Brasil conheceu dois: sob o governo Vargas (1937-1945) e sob o regime militar (1964-1985), sem falar dos que governaram sob Estado de Sítio. O paradoxo é que todas as ditaduras latino-americanas foram suscitadas, patrocinadas, financiadas e armadas pelo governo dos EUA. Até o mandato de George W. Bush, para a Casa Branca, democracia consistia numa panaceia, mera retórica política. Fala-se que nos EUA nunca houve golpe de Estado porque não há, em Washington, embaixada americana. O recente golpe em Honduras, que resultou na deposição do presidente Zelaya, democrática e constitucionalmente eleito, coloca o governo Obama frente à hora da verdade. Ao receber a notícia, Hillary Clinton, secretária de Estado, vacilou. Talvez tivesse manifestado apoio aos golpistas se o presidente Obama, em viagem à Rússia, não houvesse reagido em defesa de Zelaya como legítimo mandatário. Ainda assim, os EUA não suspenderam sua ajuda financeira e militar às Forças Armadas hondurenhas, que sustentam o ditador de plantão. A política externa da Casa Branca trafega sobre o fio da navalha. Sabe que Zelaya está mais próximo de Chávez que dos falcões norte-mericanos que ainda comandam a CIA. Essa agência, especializada em terrorismo oficial, não foi devidamente saneada por Obama. E, agora, tenta justificar o golpe sob o pretexto, infundado, de que o presidente da Venezuela estaria prestes a remeter comandos militares a Honduras para derrubar os golpistas e devolver o mandato ao presidente Zelaya. A América Latina conheceu significativos avanços políticos nas últimas duas décadas. Após destronar as ditaduras militares e rechaçar presidentes neoliberais — Collor no Brasil, Menem na Argentina, Fujimori no Peru, Caldera na Venezuela —, demonstra preferência eleitoral por candidatos oriundos de movimentos sociais, dispostos a disputar o espaço das esferas de poder com os tradicionais grupos oligárquicos. É verdade que o uso do cachimbo entorta a boca. Alguns mandatários, em nome da governabilidade, não têm escrúpulos em fazer concessões a velhos caciques políticos notoriamente corruptos, representantes de feudos eleitorais marcados pela mais extrema pobreza. Quando um líder político de origem progressista se deixa cooptar pela oligarquia conservadora, o que está em jogo, de fato, não é a propalada governabilidade. É a empregabilidade. Perder eleição significa o desemprego de milhares de correligionários que ocupam a máquina do Estado. Nesses tempos de crise financeira não é fácil inserir órfãos do Estado na iniciativa privada. Seria, para muitos, atroz sofrimento perder o cargo e, com ele, as mordomias, tanto materiais — transporte e viagens pagos pelo contribuinte — quanto simbólicas — a aura de autoridade que desencadeia em torno ondas concêntricas de bajulação. Todos sabemos que, hoje, no centro da vida política se sobressai a questão ética. A maioria dos políticos teme a transparência. Por isso, muitos, descaradamente, agem por baixo dos panos, promulgam decretos secretos, cumpliciam-se em maracutaias, tratam como de somenos importância o fato de o deputado do castelo usar verba pública em benefício próprio, ou um senador, ex-presidente da República, incluir sua árvore genealógica na folha de pagamento custeada pelo contribuinte. Se não se estancar essa deletéria convivência e conivência de lideranças outrora progressistas com velhos e corruptos caciques, não se evitarão a descrença na democracia, a deterioração das instituições políticas, a perda do senso histórico na administração pública. O que constitui excelente caldo de cultura para favorecer o retorno de ditadores salvadores da pátria

Frei Beto
Teólogo e Escritor

sexta-feira, 24 de julho de 2009

A GREVE DO BIGODE



Um blog na internet decidiu tratar com irreverência a crise que assola o Senado Federal. Os autores do blog, os publicitários Ricardo Silveira e Viton Araújo, iniciaram uma campanha pela saída de José Sarney (PMDB-AP) da presidência da Casa chamada de "greve do bigode". O slogan é "Só tiro o meu quando o Senado tirar o dele" e sugere que os internautas deixem crescer o bigode e só o cortem se Sarney deixar o cargo. A repercussão foi tamanha que até o periódico inglês The Guardian noticiou o fato. A campnha pode ser acessada em http://tiremobigode.blogspot.com

terça-feira, 21 de julho de 2009

POR FALTA DE REGULAMENTAÇÃO TRABALHADORES AUTONOMOS DE CHAPADINHA SÃO IMPEDIDOS DE TRABALHAREM

Com o pretexto de cumprir a lei e a ordem pública, vi no último dia 17 de julho todo um aparato da guarda municipal de Chapadinha com reforçada ronda ostensiva em toda região central da cidade, cujo objetivo era de inibir e coagir a presença de trabalhadores e trabalhadoras vendedores ambulantes, mototaxistas e etc., que exploram comercialmente do espaço urbano e trabalham honestamente para tirar o sustento de suas famílias, já que o município não lhes dá outras condições e oportunidades de emprego para as suas subsistências e de suas famílias.
A ação civil pública que foi solicitada pelo ministério público se for cumprida por falta de uma legislação que regulamenta o trabalho desses trabalhadores autônomos pode trazer conseqüências sociais, econômicas e até mesmo o aumento do índice da violência urbana por total falta de emprego e renda.
Acredito que em Chapadinha têm outras coisas e até mesmo mais agravantes que o ministério público poderia está olhando, como por exemplo: a compra e uso de cigarros e bebidas alcoólicas por menores, menores dirigindo veículos e motos sem habilitação, o uso indiscriminado de bicicletas e veículo até mesmo sem documentação para fins de propagandas comerciais com som altíssimo que chega a perturbar o sossego das pessoas, o cumprimento da lei seca, haja visto os graves acidentes ocorridos nos finais de semana e ninguém vai preso. Pois aqui não se prende nem aqueles que saqueiam o erário. Só vai preso o pobre miserável que não tem dinheiro para pagar defensor.

Sem revisão.

Herbert Lago Castelo Branco
Poeta e Escritor

quinta-feira, 9 de julho de 2009

PARA NÃO DIZER QUE NÃO CURTI MICHAEL JACKSON



Quando saí de Chapadinha aos 17 anos de idade em 1974 para Teresina, ainda embalado pelo som do iê-iê-iê da jovem guarda, do fumacê de Gil e maluco beleza de Raul Seixas, vi pela primeira vez os Jackson Five arrebentando na televisão ainda em preto e branco. Michael Jakson com 15 anos era tudo que alguém na nossa idade podia almejar: talentoso, cantava e dançava lindamente. Até me atrevi a fazer alguns de seus passos. O que não sabia então, e só fui tomar conhecimento muito depois, o quanto era sofrida aquela construção de mito. Vivendo uma vida adulta infeliz e atormentada.
O talento o levou aos pícaros da glória, para usar um chavão. No entanto, ele continuou patinando na infelicidade, sem conseguir fazer as pazes com o passado, com as raízes, com os próprios sentimentos, o que lhe acarretou todo tipo de problema.
Com o massacre de informações sobre sua vida e sua morte, pouco tive oportunidade de sofrer por causa de Michael Jackson. Na última terça, durante os funerais, finalmente chorei na hora do WE ARE THE WORLD, que os convidados cantaram em uníssono. Chorei de tristeza pela sua partida tão cedo, de pena pelo homem infeliz que foi e com tudo que teve para ser feliz. Mas nem tudo o dinheiro compra.

Herbert Lago Castelo Branco
Poeta e escritro

segunda-feira, 6 de julho de 2009

terça-feira, 30 de junho de 2009

PRESSIONADO PELOS ESCÂNDALOS NO SENADO, SARNEY SE AGARRA EM LULA PARA SOBREVIVER.


Os sucessivos escândalos e benesses envolvendo a família Sarney não param de crescer. A cada dia surgem novos fatos de empregos de familiares e uso da máquina pública em favor de irmãos, primos, sobrinhos e netos do patriarca maranhense, além de outros afilhados e parentes de aliados. Tudo pago com dinheiro público, extraído de milhares de contribuintes que dão duro para pagar seus impostos.
A descoberta de que um neto seu explorava a concessão de crédito consignado junto aos servidores do Senado Federal assustou até mesmo parte de seus aliados, deixando insustentável a permanência de José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado diante da crescente onda de irregularidades envolvendo as benesses de sua família na instituição. O DEM deu até hoje para Sarney dar uma explicação convincente, caso contrário pulará da barca maranhense.

Herbert Lago Castelo Branco
Poeta e Escritor

segunda-feira, 22 de junho de 2009

SALSICHAS E JORNALISTAS

Impressionante o que estamos vendo neste século 21 no Brasil. Estamos diante de tantos absurdos, lesões a direitos, deformações de teses de toda espécie, que uma decisão totalmente desprovida de lógica como essa do STF sobre diploma de jornalista é justificada como necessária para a liberdade de expressão. E o ministro Gilmar Mendes e outros aproveitam para desqualificar outras profissões, ameaçando com novas incursões na área.
Tratar o jornalismo como área em que qualquer um pode atuar é, no mínimo, irresponsabilidade. Os Ministros do Supremo fazem coisas que até mesmo Deus duvida. Depois de quatro anos numa cadeira de faculdade, investimentos, tempo, material, pesquisas, decidem rebaixar os profissionais de comunicação e compará-los a chefes de cozinha. Respeitamos todo profissional, de nível superior ou não. Mas sabemos distinguir o que é matéria jornalística, enquanto ao maitre cabe distinguir salsicha de lingüiça e outros ingredientes. O presidente do STF foi infeliz ao comparar profissionais de diferentes áreas. Como já dizia colega dele de tribunal, “respeite, não somos seus capangas de Mato Grosso”.
Mas esperar algo diferente do STF de Gilmar Mendes beira à utopia. E mais: num país dominado por políticos corruptos e sem ética, a maioria também sem qualquer formação profissional, a ausência de verdadeiros jornalistas é muito bem-vinda, pelo menos para eles, não?


Herbert Lago Castelo Branco
Poeta e escritor
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quarta-feira, 17 de junho de 2009

O DESCALABRO DOS INCRÍVEIS ATOS SECRETOS DO SENADO


Certa vez Carlos Drummond de Andrade disse: “Acho o Brasil infecto. Não tem atmosfera mental; não tem literatura; não tem arte; tem apenas uns políticos muito vagabundos”.
A crise no Senado Federal parece mesmo grave. Parece, porque para mim é puro cinismo de um bando de vagabundos. Entra escândalo, sai escândalo, e a caixa-preta da casa continua trancada a sete chaves.
O desgaste político de José Sarney e do Congresso Nacional alcançaram novo patamar com o descalabro dos incríveis atos secretos.
O fato é que Sarney tem elementos favoráveis. Os generais adversários políticos estão todos atingidos de algum modo. Tem o que abasteceu jatinho com verba de passagens aéreas, o que mandou a namorada ao exterior à custa do erário, ou o que emprestou o telefone celular funcional para a filha viajar ao exterior e etc. E não foi só por isso que Sarney em seu discurso ontem declarou guerra contra os servidores do Congresso e dizendo mais de uma vez, que a crise não era sua e sim do Senado Federal.
É difícil acreditar que nenhum senador conhecia o que se passava no lugar em que trabalha. Mais difícil ainda será provar que algum deles sabia dos atos secretos.
Herbert Lago Castelo Branco
Poeta e Escritor

segunda-feira, 15 de junho de 2009

sexta-feira, 5 de junho de 2009

terça-feira, 2 de junho de 2009

PROGRAMA MINHA CASA MINHA VIDA NO ESTADO DO MARANHÃO



Com o objetivo de resgatar a enorme dívida com a população do Brasil, sobretudo os trabalhadores, que mais necessitam desta política pública. O presidente Lula lançou o programa Minha Casa Minha Vida.
Para o Maranhão está prevista a construção de 72.500 unidades habitacionais nos municípios acima de 50 mil habitantes.
Chegou a hora da Camara de Vereadores, dos dirigentes dos Sindicatos, Associações de Moradores ou Cooperativas de Chapadinha a se unirem e fazer um debate e um estudo deste programa para ajudar a implementar em Chapadinha beneficiando aqueles que realmente esteja necessitando.
Maiores informações sobre o programa acesse o site www.mrv.com.br


Herbert Lago Castelo Branco
Poeta e Escritor

sexta-feira, 29 de maio de 2009

CHAPADINHENSE MATOU MULHER EM BRASILIA E JOGOU CORPO NA FOSSA

EM SANTA MARIA, MARIDO SE EMBRIAGA, TEM CRISE DE CIÚMES E ESPANCA A MULHER ATÉ A MORTE, DIZENDO AOS FILHOS QUE ELA ABANDONARA A CASA

“A última vez que vi a mamãe foi quando o papai bateu nela até que ela dormisse. Depois disso, não a vi mais.” As palavras de uma menina de cinco anos somadas ao desaparecimento de Maria Mônica da Silva Souza, 26 anos, levaram um conhecido da família a procurar a seção de localização de pessoas desaparecidas na Divisão de Repressão a Sequestros (DRS) da Polícia Civil. A denúncia levou à descoberta de um crime hediondo na zona rural de Santa Maria. Na noite de quarta-feira, os policiais encontraram o corpo de Mônica escondido em uma fossa do terreno onde ela morava. O marido dela, o caseiro Antônio Borges da Silva, 40 anos, confessou depois que matou a mulher por ciúmes. O homicídio ocorreu na noite do último dia 16. Na versão do acusado, Mônica teria saído por volta das 19h para ir à igreja com uma amiga e retornado aproximadamente à meia-noite, momento em que teria confessado uma traição ao companheiro. Antônio, que admitiu ter tomado três cervejas e três doses de cachaça naquela noite, agrediu a mulher no banheiro da casa e no quarto onde dormiam com socos e pontapés, até matá-la. Os dois filhos do casal, uma menina de cinco anos e um menino de três, assistiram a algumas etapas da cena de violência. À polícia, Antônio declarou que só percebeu ter matado a mulher no domingo pela manhã, quando decidiu ocultar o que tinha feito. Ele enrolou o corpo de Mônica com um lençol e o escondeu debaixo da cama — “para as crianças não verem”, justificou. Depois, disse aos filhos e conhecidos que Mônica abandonara a família de madrugada. Ele esperou até que as crianças fossem dormir para retirar o corpo da mulher do esconderijo improvisado e jogar em uma fossa séptica nos fundos do terreno. Ontem, Antônio disse ter se arrependido do crime que cometeu. Cães farejadores A equipe da DRS levou quatro horas para entender o caso. “Após chegarmos ao local, constatamos que havia ocorrido algo mais que um simples desaparecimento devido aos indícios que encontramos, como marcas de sangue embaixo da cama”, detalhou o delegado Eric Seba de Castro, diretor da DRS. Os policiais contaram com a ajuda do Batalhão de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiros, que levou cães farejadores ao local do crime. Os animais ficaram agitados ao se aproximar da fossa séptica e levaram à descoberta do corpo da vítima. Antônio foi preso em flagrante pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Pode pegar de 12 a 30 anos de prisão pelo primeiro crime, e de 1 a 3 anos pelo segundo. Os dois filhos do casal foram recolhidos a um abrigo, onde passaram a noite, e terão o destino decidido pela Vara da Infância e da Juventude (VIJ). “Normalmente em casos como esse, o que a VIJ faz é tentar localizar os parentes mais próximos das crianças para ver se eles têm condições de criá-los. Caso a resposta seja positiva, os meninos são encaminhados para os familiares em seguida”, explicou o delegado. O casal morava na zona rural de Santa Maria há apenas três meses. Eles vieram de Chapadinha, no interior do Maranhão, em busca de uma vida melhor. Entre os objetos encontrados pela polícia na casa onde viviam, estavam duas cartas escritas por Mônica. A primeira era endereçada aos pais, com quem não chegou a viver, pois foi abandonada quando criança. O documento demonstrava a vontade que ela tinha de conhecê-los e de perdoá-los por terem-na deixado sozinha no mundo. A segunda carta era endereçada a um programa de televisão, onde ela pedia ajuda para poder realizar o sonho de encontrar os pais e uma irmã, que possivelmente estariam no DF.
Fonte: CORREIO BRAZILIENSE de hoje 29/05/09
Por PABLO RABELLO

quinta-feira, 28 de maio de 2009

O FUTURO DA RADIODIFUSÃO BRASILEIRA


A capital federal foi o palco principal dos debates sobre o setor de rádio e televisão. Durante três dias, empresários, comunicadores, técnicos e pesquisadores abordaram temas como liberdade de expressão, novas tecnologias, marco regulatório e gestão de empresas no 25° Congresso Brasileiro da Radiodifusão. O evento encerrou com conclusões importantes e superou as expectativas na área comercial: a Feira Internacional de Equipamentos e Serviços, que contou com a presença de 94 empresas nacionais e multinacionais, faturou R$ 38 milhões. A edição deste ano assinalou 47 anos de debates sobre a comunicação no país, liderados pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). Além disso, o evento aconteceu num momento de grandes transformações tecnológicas, que impactam não só o rádio e a televisão, mas todas as formas de comunicação. Nesse cenário, um passo significativo foi dado pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, que anunciou já na abertura do congresso a assinatura da portaria para a realização de consulta pública que permitirá a concorrência dos principais padrões digitais de rádio do mundo e, posteriormente, a definição do modelo a ser adotado pelas milhares de emissoras brasileiras. Com uma história quase centenária, o rádio brasileiro tem um papel predominante no cotidiano de cada um de nós, seja numa metrópole ou numa pequena cidade do interior. Entretanto, o rádio, que vivencia como nenhum outro meio a vida de cada comunidade, é o único remanescente no ambiente analógico. Por isso, a confirmação da consulta pública é tão importante e esperamos que até o próximo ano será possível escolher definitivamente o padrão mais adequado para o nosso rádio. Com a participação de renomados profissionais de diversas áreas do conhecimento, o congresso discutiu a defesa da publicidade para a consolidação da democracia e do desenvolvimento do país e a realização da I Conferência Nacional da Comunicação (Confecom), marcada para dezembro. Reafirmou-se durante o evento a defesa unânime do Conar como órgão capaz de regular a propaganda no país, garantindo a liberdade de expressão nessa área e, ao mesmo tempo, preservando os interesses da sociedade. O setor da radiodifusão — que responde por 0,49% do PIB, gera 302,6 mil empregos (diretos e indiretos) e fatura mais de R$ 14 bilhões ao ano — depende essencialmente da publicidade. Pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) indica que a comercialização de publicidade representa 89% da receita das emissoras de rádio e televisão. Portanto, garantir a livre expressão comercial representa assegurar também condições de independência e de pleno exercício da liberdade de imprensa aos veículos e, por consequência, o acesso ao cidadão a uma diversidade de conteúdo, produtos e serviços. O debate sobre a participação do segmento na Confecom serviu para definir os principais eixos a serem defendidos durante as discussões sobre a comunicação brasileira nas diversas regiões do país. Os radiodifusores reafirmaram a certeza de que será uma oportunidade importante para discutir o modelo atual das comunicações, porém, desde que vislumbremos o seu futuro, como a regulação das novas mídias, o processo de convergência tecnológica, as regras para a concorrência etc. O Brasil precisa adaptar-se, o mais rápido possível, ao novo cenário de comunicação que avança embalado pela internet e pela digitalização dos meios. A Abert espera que o comitê organizador defina os eixos da conferência, para então consolidar suas prioridades para o debate nacional. Por último, os empresários do setor reafirmaram a necessidade de o Ministério das Comunicações aperfeiçoar a gestão dos processos das emissoras. O desmantelamento do órgão ocorrido durante a gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso determinou o acúmulo de dezenas de milhares de processos que até hoje, apesar do esforço da atual gestão, não foi superado. Enfim, foram três dias de intenso debate, em mais de 40 plenárias, painéis e oficinas técnicas. Deles, não temos dúvida, o setor da radiodifusão sai fortalecido pelas conclusões e diretrizes que conseguiu produzir para consolidar sua atuação em um cenário de convergência tecnológica, cada vez mais complexo e desafiador, que elimina fronteiras entre os meios de comunicação, torna mais veloz o acesso a informações e redesenha, pouco a pouco, a maneira de fazer negócios.

Daniel Pimentel SlavieroPresidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert)
Fonte: Correiobraziliense de hoje 28-05-09


segunda-feira, 25 de maio de 2009

APELO À SOLIDARIEDADE


Nos últimos dias temos acompanhado o sofrimento de milhares de pessoas atingidas pelas chuvas nas regiões norte e nordeste do Brasil. A tragédia das chuvas assume dimensões de catástrofe com mais de 750 mil pessoas precisando de comida, água potável e abrigo.

No Piauí, são mais de 48 mil pessoas atingidas em 61 municípios do Estado. No Maranhão, 29 municípios estão em situação de emergência e mais de 22 mil pessoas estão desabrigadas. No Ceará, 69 municípios foram atingidos pelas águas, 12 pessoas morreram, 140 estão feridas, 16.311 perderam tudo e estão desabrigadas (dados da Defesa Civil de 07/05/2009).

Reconhecendo que a valiosa ação de solidariedade das comunidades e da Igreja local não consegue fazer frente a tantas necessidades, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em conjunto com a Cáritas Brasileira, convoca suas dioceses, paróquias e todo o povo brasileiro para se juntarem à Campanha Nacional de Solidariedade ao Norte e Nordeste.

Cada paróquia, diocese ou comunidade organizada poderá buscar a melhor forma de colaborar com os atingidos pelas chuvas. A solidariedade não tem fronteiras nem limites.

Aqueles que decidirem fazer doações em dinheiro para socorro imediato às vítimas, reconstrução de casas e recuperação dos meios produtivos poderão fazer o depósito nas contas bancárias abertas para esta finalidade pela Cáritas Brasileira.

Cáritas Brasileira – SOS NORTE E NORDESTE
· Banco do Brasil: Agência 3475-4, c/c: 23091-X
· Banco Bradesco: Agência 606, c/c: 68000-1
· Caixa Econômica Federal: Agência 1041, operação 003, c/c: 935-1

As contas bancárias estarão abertas por 120 dias, ou seja, até o dia 10 de setembro de 2009. As paróquias, comunidades e doadores individuais que necessitarem de recibos deverão enviar o comprovante de depósito para a Cáritas Brasileira (fax: 0xx61 3214.5404), informando os dados para emissão do recibo e o endereço para onde ele deverá ser enviado.

A CNBB solicita a todos os bispos, presbíteros, ministros e agentes de pastoral que divulguem a CAMPANHA nas missas, visitas domiciliares e reuniões pastorais, sítios eletrônicos, programas de rádio e de televisão; e colaborem na realização de coletas de solidariedade nas missas, na comunidade, nos grupos e nas escolas católicas.

Confiantes na materna proteção de Nossa Senhora Aparecida, oremos todos pelas vítimas das enchentes, para que encontrem conforto e alivio em suas dores.

Com fraterna saudação e unidos em oração.


Dom Geraldo Lyrio Rocha Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Mariana Arcebispo de Manaus
Presidente da CNBB Vice-Presidente da CNBB


Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário-Geral da CNBB

sexta-feira, 22 de maio de 2009

MERCADO DA FÉ

Como os supermercados, as igrejas disputam clientela. A diferença é que eles oferecem produtos mais baratos e elas prometem alívio ao sofrimento, paz espiritual, prosperidade e salvação. Por enquanto, não há confronto nessa competição. Há, sim, preconceitos explícitos em relação a outras tradições religiosas, em especial às de raízes africanas, como o candomblé e a macumba, e ao espiritismo. Se não cuidarmos agora, essa demonização de expressões religiosas distintas da nossa pode resultar, no futuro, em atitudes fundamentalistas, como a “síndrome de cruzada”, a convicção de que, em nome de Deus, o outro precisa ser desmoralizado e destruído. Quem mais se sente incomodada com a nova geografia da fé é a Igreja Católica. Quem foi rainha nunca perde a majestade. Nos últimos anos, o número de católicos no Brasil decresceu 20% (IBGE, 2003). Hoje, somos 73.8% da população. E nada indica que haveremos de recuperar terreno em futuro próximo. Paquiderme numa avenida de trânsito acelerado, a Igreja Católica não consegue se modernizar. Sua estrutura piramidal faz com que tudo gire em torno das figuras de bispos e padres. O resto são coadjuvantes. Aos leigos não é dada formação, exceto a do catecismo infantil. Compare-se o catecismo católico à escola dominical das igrejas protestantes históricas e se verá a diferença de qualidade. Crianças e jovens católicos têm, em geral, quase nenhuma formação bíblica e teológica. Por isso, não raro encontramos adultos que mantêm uma concepção infantil da fé. Seus vínculos com Deus se estreitam mais pela culpa que pela relação amorosa. Considere-se a estrutura predominante na Igreja Católica: a paróquia. Encontrar um padre disponível às três da tarde é quase um milagre. No entanto, há igrejas evangélicas onde pastores e obreiros fazem plantão toda a madrugada. Não insinuo assoberbar ainda mais os padres. A questão é outra: por que a Igreja Católica tem tão poucos pastores? Todos sabemos a razão: ao contrário das demais igrejas, ela exige de seus pastores virtudes heroicas, como o celibato. E exclui as mulheres do acesso ao sacerdócio. Tal clericalismo trava a irradiação evangelizadora. O argumento de que assim deve continuar porque o Evangelho o exige não se sustenta à luz do próprio texto bíblico. O principal apóstolo de Jesus, Pedro, era casado (Marcos 1, 29-31); e a primeira apóstola era uma mulher, a samaritana (João 4, 28-29). Enquanto não se puser um ponto final à desconstrução do Concílio Vaticano II, realizado para renovar a Igreja Católica, os leigos continuarão como fiéis de segunda classe. Muitos não têm vocação ao celibato, mas sim ao sacerdócio, como acontece nas igrejas anglicana e luterana. Ainda que Roma insista em fortalecer o clericalismo e o celibato (malgrado os escândalos frequentes), quem conhece uma paróquia efervescente? Elas existem, mas, infelizmente, são raras. Em geral, os templos católicos ficam fechados de segunda a sexta (por que não aproveitar o espaço para cursos ou atividades comunitárias?); as missas são desinteressantes; os sermões, vazios de conteúdo. Onde os cursos bíblicos, os grupos de jovens, a formação de leigos adultos, o exercício de meditação, os trabalhos voluntários? Em que paróquia de bairro de classe média os pobres se sentem em casa? Não é o caso das igrejas evangélicas. Basta entrar numa delas, mesmo em bairros nobres, para constatar quanta gente simples ali se encontra. Aliás, as igrejas evangélicas sabem lidar com os meios de comunicação, inclusive a TV aberta. Pode-se discutir o conteúdo de sua programação e os métodos de atrair fiel. Mas sabem falar uma linguagem que o povo entende e, por isso, alcançam tanta audiência. A Igreja Católica tenta correr atrás com as suas showmissas, os padres aeróbicos ou cantores, os movimentos espiritualistas importados do contexto europeu. É a espetaculização do sagrado; fala-se aos sentimentos, à emoção, e não à razão. É a semente em terreno pedregoso (Mateus 13, 20-21). Não quero correr o risco de ser duro com a minha própria igreja. Não é verdade que ela não tenha encontrado novos caminhos. Encontrou-os, como as Comunidades Eclesiais de Base. Infelizmente não são suficientemente valorizadas por ameaçarem o clericalismo. Aliás, as CEBs realizarão seu 12º encontro intereclesial de 21 a 25 de julho deste ano, em Porto Velho (RO). O tema, “Ecologia e missão”; o lema, “Do ventre da Terra, o grito que vem da Amazônia”. São esperados mais de 3 mil representantes de CEBs de todo o Brasil. Bom seria ver o papa Bento XVI participar desse evento profundamente pentecostal.
FREI BETO
Teólogo e autor em parceria com Leonardo Boff, de Mística e espirituralidade
(Garamond), entre outros livros.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

POETA É POETA



Em um momento de descontração, o grande poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu:


'Satânico é meu pensamento a teu respeito,
e ardente é o meu desejo
de apertar-te em minha mão,
numa sede de vingança incontestável
pelo que me fizeste ontem.
A noite era quente e calma
e eu estava em minha cama,
quando,
sorrateiramente,
te aproximaste.
Encostaste o teu corpo sem roupa
no meu corpo nu,
sem o mínimo pudor!
Percebendo minha aparente indiferença,
aconchegaste-te a mim
e mordeste-me sem escrúpulos.
Até nos mais íntimos lugares..
Eu adormeci.
Hoje quando acordei,
procurei-te numa ânsia ardente,
mas em vão.
Deixaste em meu corpo
e no lençol
provas irrefutáveis
do que entre nós ocorreu durante a noite.
Esta noite recolho-me mais cedo,
para na mesma cama te esperar.
Quando chegares,
quero te agarrar com avidez e força.
Quero te apertar com todas as forças de minhas mãos.
Só descansarei quando vir sair o sangue quente do seu corpo.
Só assim, livrar-me-ei de ti,
pernilongo Filho da Puta!'


quarta-feira, 13 de maio de 2009

"É PROIBIDO PESCAR"






É proíbido pescar na Lagoa do Magno na Avenida Ataliba Vieira de Almeida. Paciência! Daqui sairá 30 toneladas de pescadinha que será distribuido gratuitamente na Semana Santa.
Herbert Lago Castelo Branco
Poeta e Escritor



terça-feira, 12 de maio de 2009

SOCORRO URGENTE

As fortes chuvas que se abatem sobre o Norte e o Nordeste causam estragos e suscitam preocupações. As enchentes começaram no mês passado e, de lá para cá, ampliam-se os prejuízos e multiplicam-se as vítimas. Segundo levantamento da Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec) divulgado na sexta-feira, o desastre atinge 329 municípios localizados em 11 estados. O número de vítimas deixa clara a dimensão da tragédia: 44 mortos, 126.376 desabrigados (dependentes de acolhimento público) e 57.249 desalojados (pessoas hospedadas em casa de amigos ou familiares). As cheias alagaram ruas, afundaram casas, inutilizaram bens, romperam açudes, destruíram pontes. Obrigados a fugir, os moradores das regiões atingidas temem a ação de bandoleiros que, aproveitando-se da tragédia, roubam o que encontram nos domicílios abandonados. Além disso, falta-lhes transporte adequado para buscarem lugares mais seguros. A ajuda humanitária é lenta e insuficiente. Para agravar o quadro, outro perigo ronda a população. São as doenças oportunistas. Entre elas, viroses respiratórias, diarréias, vômitos, leptospirose, hepatite e dengue. As principais vítimas são crianças e idosos. Em primeiro lugar, porque o organismo frágil é mais suscetível a enfermidades causadas pela poluição das águas. Em segundo, porque faltam leitos e remédios nos hospitais públicos. O socorro a enfermos, precário em épocas normais, corre risco de colapso com a sobrecarga. No 10º Fórum de Governadores do Nordeste, realizado na semana passada, surpreendeu a declaração do ministro da Integração Regional, Geddel Vieira Lima. Questionado sobre a lentidão e a falta de planejamento no socorro às vítimas, o político baiano afirmou ser inútil mandar recursos para os estados atingidos porque os municípios se encontram debaixo d’água. Mais: frisou que a solução do problema não pode ficar só a cargo do poder público, mas “também das pessoas que assumem o risco de viver em áreas de risco”. A insensibilidade do ministro choca as consciências civilizadas do país. Geddel se esquece de que ninguém mora em encostas ou em palafitas por deleite ou pela beleza da paisagem. Famílias se sujeitam à precariedade da morada por falta de alternativa. Ali, além da falta de higiene, de segurança e de saneamento básico, correm o risco de ter as casas invadidas pelas águas. São calamidades que exigem ação efetiva do Estado. Outras regiões são também vítimas de tragédias climáticas periodicamente. As autoridades têm de estar preparadas para responder com eficácia à necessidade de socorro das populações atingidas. É tempo de encarar a questão com profissionalismo e presteza. Improvisações e demoras cobram preço alto. Pagam-se com vidas.
Fonte: VISÃO DO CORREIO
Correio Braziliense edição de hoje 12 de maio de 2009

quinta-feira, 7 de maio de 2009

MANIFESTAÇÃO DO DIA 1º DE MAIO EM CHAPADINHA FOI UM SUCESSO!


ACORDA CHAPADINHA!! "O Direito não assiste aos que dormem."

Organizada pelo SINDCHAP (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Chapadinha), com o tema “ACORDA CHAPADINHA” mais de mil trabalhadores e trabalhadoras, entre professores, servidores públicos, representantes de igreja e entidades de classe de Chapadinha, em manifestação pacífica, saíram às ruas da cidade no dia 1º de maio, dia mundial de lutas por melhores salários, condições dignas de trabalho e qualidade de vida.
A manifestação se encerrou com um ato público na praça Cel. Luis Vieira, onde os manifestantes denunciaram os descasos com a saúde, a falta de cuidado com a cidade que está cheia de buracos que estão se transformando em verdadeiras crateras e exigindo prestação de contas à atual Administração do Fundo de Participação do Município e do Fundo Nacional de Saúde, para a qual foi assinado um documento que será entregue ao ministério público.
A história do dia do trabalho remonta o ano de 1886, quando mais de 500 mil trabalhadores paralisaram suas atividades e saíram às ruas de Chicago, nos Estados Unidos reivindicando melhores condições de trabalho e redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias. A policia reprimiu a manifestação depois de ferir e matar dezenas de trabalhadores.
Foi um dia histórico na luta dos trabalhadores, e para homenagear aqueles que foram covardemente mortos pela polícia foi instituído no ano de 1889 o dia mundial do trabalho que seria comemorado mundialmente todo 1º de maio de cada ano.
Como trabalhador nós devemos reconhecer e comemorar o dia 1º de maio não apenas pela sua importância histórica, mas também para organizar-mo-nos torno de assuntos de vital importância para a classe trabalhadora de hoje. E foi com esse propósito que o SINDCHAP mobilizou as entidades de classes, os trabalhadores de Chapadinha em torno de um PCCS justo, melhores condições de trabalho, educação e saúde publica de qualidade.

Herbert Lago Castelo Branco
Poeta e Escritor





quarta-feira, 6 de maio de 2009

DIREITO DE RESPOSTA CONCEDIDO AO REPORTER LUIS CARLOS JUNIOR


Caro Herbert,
Solicito que seja publicada a minha resposta a esse senhor, assim como foi publicado o dele. Desde já agradeço pelo espaço e ler o outro lado da história.


Por: Luis Carlos Júnior
Ainda bem que o nosso país é democrático. O pensamento das pessoas é livre e acho que antes de me atacar, esse senhor representante da minha igreja católica deveria verificar as informações e procurar saber o que foi dito in loco às pessoas ali presentes em relação à visita ao hospital regional.
Quero informar também que não sou repórter por um dia, como afirmou o padre. Se ele não se lembra, fiz algumas reportagens com ele. Inclusive cobri vários eventos relacionados à igreja. Não quero polemizar, mas acho que o padre deveria se informar melhor. Moro nesta cidade há 17 anos e atuo no jornalismo do meu estado há 22 anos.


Luis Carlos Júnior é jornalista registrado na DRT/710-MA/ Mtb 56027/PA




terça-feira, 5 de maio de 2009

"VISITA AO HOSPITAL REGIONAL"

- Caso de Denegação Noticiosa -

“A visita do pároco ao hospital teve um propósito, desmentir as informações que estavam sendo veiculadas por parte da imprensa local de que a unidade de saúde estaria passando por dificuldades no atendimento aos pacientes.”- Luis Carlos Júnior (Cfr. FONTE: “Prefeita, secretários e pároco visitam Hospital Regional” in http://tvmirante.blogspot.com/, acesso: 29-04-09).

No Meio da Crise – Estamos vivendo uma crise sem precedentes. Perante esta crise quer a expansão da incompetência, quer os profetas da desgraça, em nada contribuem para ajudar na resolução. Por essa razão muitos de nós sentimo-nos lançados ao fundo do porão de um navio à deriva, e a ausência da linha de horizonte, de todo o ponto fixo provoca-nos um tal enjôo que teríamos vontade de nos lançarmos ao mar e assim acabar com tudo, o mais rapidamente possível. Esperamos uma Luz, um Farol, uma Liderança, forte e responsável, que nos salve da perdição, da apatia, do naufrágio.

O Dever de Fazer Melhor – Sempre devemos recusar, apesar das desumanas tentações, aderir ao “espírito-das-capelinhas” e prezar a nossa independência. Independência não é vida descompromissada, nem o posicionamento de ficar em cima do muro. Independência é Cidadania sem suborno. Todos aspiramos a essa verticalidade, não reivindicamos direitos de autoria. São raros os políticos – em Chapadinha não se nota muito a diferença entre governo e oposição – que arriscam a sua popularidade para defender as suas convicções, nesta matéria decisiva. Isto explica bem o sentido crítico e a capacidade de reflexão da “matilha social” que caminha ao som do “aplaudímetro”, excitada pelos jornalistas e manipuladores de toda a espécie.

Dar a Cara Sem Preço – Admiramos as pessoas que sabem correr riscos, que põem em segundo plano o sucesso mundano de suas carreiras e seus patrimônios; até a sua própria vida, para defender os seus ideais, sobretudo, os apóstolos, os mártires, e os cidadãos de bem. Admiramos os que são capazes de ter uma palavra íntegra. Crítica é critica, elogio é elogio, denúncia é denúncia, e crime é crime. As palavras, também, são obras e ações. As noticias são a interpretação reflexiva sobre os fatos e os acontecimentos. As noticias não devem criar os fatos, nem os acontecimentos. Por isso não louvamos os homens e as mulheres do Poder, e seus respectivos subordinados, que apalpam o pulso dos seus eleitores, sustentam as suas carteiras e contas bancárias, para dizerem “vamos fazer...”, em vez de “já está feito...”. “Não é preciso dar primeira página à galinha que põe o seu ovo ordinário”. Direito à informação sempre. Manipulação da informação: é má publicidade.

Ética Todos os Dias - Deve-se exercer a política como serviço à Ética. Sem puritanismos, sem farisaísmos disfarçados ou justiças vingativas. Em Chapadinha, quando alguém tem a ousadia de falar em valores éticos (pior se for apelar à moral...) provoca imediatamente em certas pessoas e grupos um reflexo: assim como o cão de Pavlov, também lhes vem água à boca, preparados que estão para saltar sobre a presa e a desfazerem em bocados. Se não são do nosso lado são contra nós! Mas qual é o lado do verdadeiro serviço ao Povo?

Trabalho e atendimento públicos precisam-se – Vivemos três crises: a mundial, a brasileira (com e sem “BRIC”...), e a do nosso meio, com face-dupla: estadual e municipal. Se o leitor estiver em crise, individual ou familiar, já não chegam os dedos da sua mão para contar tanta CRISE. Crise é oportunidade, não desespero. Não há lugar para a obsessão, nem para a depressão. É urgente competências e parcerias. No plural. A “comunicação” palavra chave do nosso tempo...é um trabalho dos mais exigente! Parabéns para quem sabe ser exigente com a verdade existencial. Hoje corremos o risco de perder as nossas defesas éticas (e morais...). E sem essa imunidade, o nosso sentido crítico não existe. Não vivemos de “farsas”. É a hora do serviço público de qualidade. É a hora do dever cívico no seio da Administração Municipal e da corresponsabilidade na Oposição. Sejamos solidários na defesa das posições verticais. O nosso otimismo não é ingênuo. A nossa visão de Chapadinha não é desesperante. Chapadinha está em crescimento (quantidade); mas queremos Chapadinha: em desenvolvimento (qualidade)! Não basta Mais, é preciso Melhor! Mas o melhor não é necessariamente inimigo do bom-que-já-se-está-a-tentar-fazer-realmente! Há providência e previdência. No meio termo de virtude está o Nosso Trabalho. Precisamos acabar com o circulo vicioso da politicagem. O amor a esta Terra e suas raízes culturais nobres: primeiro. Primeiro trabalho, depois emprego! Primazia ao trabalho ético. Trabalhar com o maior número possível, para servir a todos(as)! Não queremos ser repórteres por um dia!? Com estas razões lamentamos, profundamente, o caso de denegação noticiosa registrado em epígrafe. Visitar não é concordar. Visitar é estar disponível para construir!

AUTOR: Pedro José, Chapadinha, 30-04-2009.
PARA LER MAIS: http://pedroc72.spaces.live.com/

quarta-feira, 29 de abril de 2009

AUMENTAR A ESPERANÇA, RENOVAR AS FORÇAS, CONTINUAR A LUTA:

Os Indicadores Sociais no Maranhão exigem.

O impacto da cassação do Governador Jackson Lago nos trouxe sofrimento, frustração desesperança, principalmente para aqueles que nunca se afastaram da luta e sempre estiveram construindo alternativas para que o Estado pudesse recuperar a dignidade e sair da miséria. A eleição de Jackson Lago em 2006 representou para todos nós um alento, um respirar aliviado e esperança de ver um Estado redirecionado para combater os índices de pobreza que tanto nos envergonha.
Acompanhamos a composição e as muitas fragilidades do governo (estive durante um ano como secretaria adjunta de cultura e participei de várias ações do governo quando tive oportunidade de pensar, planejar e ao mesmo tempo conhecer muitos dos projetos delineados nas várias secretarias para mudar o quadro de pobreza do Estado).
Apesar das inúmeras críticas e da oposição feroz que não deu ao governo nenhuma trégua nem direito de resposta em nenhuma situação. O governo avançava. Para alguns de forma lenta, para outros, que estavam trabalhando arduamente, de forma acelerada, veja os exemplos da Secretaria de Igualdade Racial coordenada por João Francisco representante histórico do movimento negro e do PDT e Silvio referência no movimento sindical do PT. A Secretaria da Mulher que abriu diversas frentes de atuação, articulando a criação de inúmeros organismos de políticas públicas para as mulheres, intensificou campanhas de combate à violência e lançou o Plano Estadual de Políticas Públicas para Mulheres, possibilitando mudanças na visão das mulheres ainda vistas como inferiores, submissas e dependentes. A Secretaria da Educação que em 2 anos inaugurou 164 escolas que comparado ao governo de Roseana que em 8 anos somente inaugurou 5 escolas, nos parece um número significativo. A Secretaria de Trabalho e Economia Solitária coordenada por Terezinha Fernandes e Franklin Douglas abriram muitas frentes de debate e desenvolviam um trabalho importante na construção de alternativas de trabalho e renda para as populações em situação de miséria.
O trabalho desenvolvido pela Secretaria de Cultura que, embora tenha me afastado, reconheço os inúmeros fóruns que realizamos que tinha como objetivo inaugurar um novo momento na construção de políticas públicas de cultura. O resultado disso foi o redirecionamento das ações da cultura no qual o Estado passou a dar uma atenção maior aos outros 216 municípios maranhenses, ampliando assim as fronteiras do acesso a cidadania cultural dos maranhenses – meta que considero das mais caras e importantes em qualquer projeto político que vislumbre a construção de um novo modelo de sociedade.
Não poderia deixar de destacar o trabalho desenvolvido pela FAPEMA coordenado de forma muito competente pelo Dr. Sofiani Labidi que inverteu totalmente as formas de atuação daquele órgão, abriu espaços para apoio a eventos científicos, apoio a projetos de pesquisas, bolsas de pesquisas e criou algo ainda inédito em muitos Estados brasileiros: bolsas de iniciação científica a jovens pesquisadores de ensino médio. Tive oportunidade de ser avaliadora dos trabalhos de vários jovens em evento realizado no Liceu Maranhense e constatei não apenas a qualidade dos trabalhos dos jovens iniciantes, mas, a esperança de entrar na universidade já com um campo de estudo definido o que dá a esses jovens a oportunidade de aprofundar seus estudos quando muitos jovens somente o fazem, quando estão concluindo sua graduação.
São muitos exemplos, muitos deles desconhecidos da sociedade o que mostra talvez a grande falha deste governo. Seu projeto de comunicação não conseguiu chegar à sociedade. Não conseguiu romper com a mídia oligárquica, não conseguiu romper com o conservadorismo de uma sociedade que talvez esperasse de imediato, obras faraônicas – elevados, grande prédios que certamente não teria o nome da família Sarney. Mas o governo inaugurou ponte em Imperatriz, inaugurou Hospital público, porém não foi na Capital São Luís. Será que por isso não repercutiu?? Não, não foi por isso. Tudo o que este governo faria jamais teria repercussão nessa imprensa porque grande parte dela apenas reproduzia de forma zelosa aquilo que a oligarquia determinava, ou seja, é um jornalismo torpe, mesquinho e parcial. Ressalve o Jornal O Imparcial que teve uma atitude digna e mostrou em diversos momentos o lado negado pela imprensa oligárquica e o Jornal Pequeno, que embora com muitos equívocos, veja a justificativa dada pelo Jornal para a atitude do presidente da Assembléia, mas manteve uma postura coerente em relação ao golpe arquitetado pelo grupo Sarney.
Qual a saída agora?
Passado o impacto, é hora de renovar as resistências. A frustração deste momento não pode representar a morte das esperanças alimentadas após décadas de um Estado que vive indicadores que parece estamos sempre no mesmo lugar. Os indicadores sociais demonstram essas assertivas: Somos 26% de analfabetos, vivemos no Estado do Brasil com o maior número de municípios em situação de pobreza extrema, o Maranhão foi o Estado que mais fechou bibliotecas públicas na década de noventa – período em que Roseana governou o Maranhão. Algumas reabertas no governo de Jackson, mas ainda assim mais de 40 % dos municípios não conseguiram reabrir seus espaços de informação. É um dos Estados do Brasil com apenas 36% de trabalhadores com carteira assinada quando a média nacional é de 64%. Temos Regiões como Baixo Parnaíba para onde se estima o percentual de 63,21% de excluídos, e Lençóis Maranhenses, onde 60,73% da população é socialmente excluída, segundo Mapa da Exclusão Social de Lemos (2007). Se considerarmos que essas regiões têm inúmeras riquezas naturais, então há necessidade de desenvolver estudo e pesquisas e análises mais reais desses dados que possam mudar o quadro social destas localidades.
Temos, portanto, um grande desafio: tornar esses dados uma meta a ser perseguida pelo Estado. Exigir que os planejamentos que foram pensados no Governo Jackson Lago para atacar estes problemas sejam considerados e não haja descontinuidade. O maior problema da gestão pública no Maranhão foi a descontinuidade: um gestor apaga o que o outro deixou para demonstrar que tudo que vai pensar é novo. As declarações de Roseana já apontam para esta direção.
Não podemos deixar que o Maranhão fique a mercê dos interesses de um grupo que já demonstrou que não tem interesse de mudar esse quadro. Será que agora irá trabalhar nesta direção?
Vamos criar mecanismos de fiscalizar a ação do Estado. Esse é o papel de todos os cidadãos e cidadãs. A hora exige! O Maranhão agradece!
MARY RERREIRA

segunda-feira, 27 de abril de 2009

SESSÃO DE ESTUDO ANÁLISE CONJUNTURA POLÍTICA DO MARANHÃO


O escritório político da deputada estadual Helena Barros Heluy (PT) promoveu, terça-feira (7), uma sessão de estudo para debater a atual situação política do Maranhão, a partir da explanação do professor da Ufma, Vagner Cabral e do jornalistr Cabral e do jornalista Walter Rodrigues, que assina o blog Colunão, especializado em política. As sessões de estudo são atividades realizadas mensalmente com o objetivo de contribuir para formar a consciência crítica de sua assessoria e de representantes de entidades diversas e movimentos sociais.
Fatos e personagens marcantes da história política do Maranhão desde quando se instalou o vitorinismo, o surgimento e a trajetória do mais famoso político maranhense (José Sarney), o rompimento de seu ex-afilhado político José Reinaldo, a eleição e a cassação do governador Jackson Lago e suas prováveis conseqüências foram tratados com a efervescência natural que o tema costuma provocar. A platéia formada por militantes e dirigentes do PC do B, deputado estadual Max Barros (DEM), representante do Conselho Regional de Enfermagem (Corem), religiosos e universitários não viu a hora passar e ficou atenta à palestra das 20h às 23h e, depois, ao debate.
Vagner Cabral procurou em sua fala fugir a uma análise maniqueísta dos fatos, evitando tratar os dois grupos que hoje disputam a cena política maranhense como heróis e vilões. O professor defende que a conjuntura política no estado retrata a violência com que sempre foi tratada a população em todas as áreas onde atua o poder público, situação exemplificada pelo caso do juiz do Trabalho Marcelo Baldocchi, acusado da prática de trabalho escravo em sua fazenda.
Para ele, o pivô da disputa entre o grupo Jackson, de um lado, e Sarney, de outro, é tão somente o poder político e não melhorar as condições de vida da população miserável que vive no estado cuja capital tem relativamente uma das maiores concentrações de renda do país, com índices comparáveis às grandes cidades industriais.
A derrota da família Sarney, que manteve a hegemonia política nas eleições estaduais há mais de três décadas, Cabral classifica como fascinante votação plebiscitária que surpreendeu o senador maranhense eleito pelo Amapá. Segundo o professor, para conseguir êxito na contra-ofensiva a Jackson, Sarney procurou se fortalecer na estrutura de poder da esfera federal “pendurado” na argumentação do apoio à governabilidade do presidente Lula e, ao mesmo tempo, na estrutura do Poder Judiciário. A disputa se dá no plano do Estado e a imprensa dá aos fatos uma versão maniqueísta de disputa de poder.
Cabral entende que o grupo Jackson conseguiu eleger dois terços das prefeituras do Estado, em 2006, mas a alternância de poder não foi acompanhada por uma melhoria da qualidade do estilo de política praticada no Estado.
Golpe Jurídico - Questionado se a cassação seria um golpe, o professor defendeu que, embora os fatos evidenciassem corrupção pelo uso da máquina do Estado, o processo resultou de um golpe jurídico que Sarney engendra desde 2006, quando, ao reforçar sua influência no governo federal e no Judiciário, conseguiu que o processo de cassação do mandato de Jackson tramitasse com celeridade.
Pedagogia da Queda - Paraense há 30 anos em São Luís e considerado grande conhecedor do traçado político do Maranhão, o jornalista Walter Rodrigues fez sua análise a partir da trajetória dos protagonistas da cena política maranhense da atualidade. Sarney, jovem político ligado a um grupo que se apresentava identificado com ideais revolucionários e que conquistou espaço como aliado político de Vitorino Freire, ao qual abandonou fazendo-lhe oposição, aliando-se, depois, aos generais da ditadura militar e que, a partir daí, mantém-se no poder independente da corrente ideológica no comando do país; de outro lado, o médico Jackson Lago, que começou como secretário de Saúde do ex-governador Cafeteira e galgou lugar na vida política como prefeito da Ilha rebelde.
Sua grande vitória política ao derrotar Roseana Sarney, em 2006, com apoio do governador José Reinaldo – oriundo do grupo Sarney ao qual abandonou – e da máquina administrativa, tornou-se também sua maior derrota política ao ser cassado sob acusação de corrupção eleitoral.
Para Walter, Jackson foi cassado não por ter cometido corrupção – que é a prática comum no processo eleitoral no estado –, mas pela exacerbação da prática. O jornalista afirma que o movimento apelidado de “balaiada” em defesa do governador Jackson foi construído e não genuinamente popular, ganhando eco na mídia nacional e internacional por causa da participação da “grife” do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).
Ele argumenta que a cassação do governador não é um golpe, mas tem caráter pedagógico e deve provocar nos próximos candidatos a inquilinos do Palácio dos Leões e de outras esferas do poder o cuidado em respeitar o limite no trato da coisa pública.

Extraído do Boletim Eletrônico da Deputada Estadual Helena Barros Heluy
Edição 1ª e 2ª semanas de abril de 2009

segunda-feira, 20 de abril de 2009

NOVO MODELO DE SOCIEDADE

Ao participar do Fórum Econônimo Mundial para a América Latina, nesta semana, no Rio, indaguei: diante da atual crise financeira, trata-se de salvar o capitalismo ou a humanidade? A resposta é aparentemente óbvia. Por que o advérbio de modo? Por uma simples razão: não são poucos os que acreditam que fora do capitalismo a humanidade não tem futuro. Mas teve passado? Em cerca de 200 anos de predominância do capitalismo, o balanço é excelente se considerarmos a qualidade de vida de 20% da população mundial que habitam nos países ricos do hemisfério norte. E os restantes 80%? Excelente também para bancos e grandes empresas. Porém, como explicar, à luz dos princípios éticos e humanitários mais elementares, estes dados da ONU e da FAO: de 6,5 bilhões de pessoas que existem hoje no planeta, cerca de 4 bilhões vivem abaixo da linha da pobreza, dos quais 1,3 bilhão abaixo da linha da miséria. E 950 milhões sofrem desnutrição crônica. Se queremos tirar algum proveito da atual crise financeira, devemos pensar como mudar o rumo da história, e não apenas como salvar empresas, bancos e países insolventes. Devemos ir à raiz dos problemas e avançar o mais rapidamente possível na construção de uma sociedade baseada na satisfação das necessidades sociais, de respeito aos direitos da natureza e de participação popular num contexto de liberdades políticas. O desafio consiste em construir um novo modelo econômico e social que coloque as finanças a serviço de um novo sistema democrático, fundado na satisfação de todos os direitos humanos: o trabalho decente, a soberania alimentar, o respeito ao meio ambiente, a diversidade cultural, a economia social e solidária e um novo conceito de riqueza. A atual crise financeira é sistêmica, de civilização, a exigir novos paradigmas. Se o período medieval teve como paradigma a fé; o moderno, a razão; o pós-moderno não pode cometer o equívoco de erigir o mercado em paradigma. Estamos todos em meio a uma crise que não é apenas financeira, é também alimentar, ambiental, energética, migratória, social e política. Trata-se de uma crise profunda, que põe em xeque a forma de produzir, comercializar e consumir. O modo de ser humano. Uma crise de valores. Desacelerada a ciranda financeira, inútil os governos tentarem converter o dinheiro do contribuinte em boia de salvação de conglomerados privados insolventes. A crise exige que se encontre uma saída capaz de superar o sistema econômico que agrava a desigualdade social, favorece a xenofobia e o racismo, criminaliza os movimentos sociais e gera violência. Sistema que se empenha em priorizar a apropriação privada dos lucros acima dos direitos humanos universais; a propriedade particular acima do bem comum; e insiste em reduzir as pessoas à condição de consumistas, e não em promovê-las à dignidade de cidadãos. Há que transformar a ONU, reformada e democratizada, no fórum idôneo para articular as respostas e soluções à atual crise. Urge implementar mecanismos internacionais de controle do movimento de capitais; de regular o livre comércio; de pôr fim à supremacia do dólar e aos paraísos fiscais; e assegurar a estabilidade financeira em âmbito mundial. Não haveremos de encontrar saída se não nos dermos conta de que novos valores devem ser rigorosamente assumidos, como tornar moralmente inaceitável a pobreza absoluta, em especial na forma de fome e desnutrição. É preciso construir uma cultura política de partilha dos bens da Terra e dos frutos do trabalho humano, e passar da globocolonização à globalização da solidariedade. As Metas do Milênio e, em especial, os sete objetivos básicos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, de 1995, devem servir de base a um pacto para uma nova civilização: 1) Escolaridade primária universal; 2) Redução imediata do analfabetismo de adultos em 50%; 3) Atenção primária de saúde para todos; 4) Eliminação da desnutrição grave e redução da moderada em 50%; 5) Serviços de planificação familiar; 6) Água apta para o consumo ao alcance de todos; 7) Créditos a juros baixos para empresas sociais. A experiência histórica demonstra que a efetivação dessas metas exige transformações estruturais profundas no modelo de sociedade que predomina hoje, de modo a reduzir significativamente as profundas assimetrias entre nações e desigualdades entre pessoas.
FREI BETO
Escritor, autor em parceria com Luis Fernando Veríssimo e outros, de O desafio ético (Garamond), entre outros livros.