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segunda-feira, 16 de maio de 2022

A POESIA CHAPADINHENSE E SEUS REPRESENTANTES: ênfase em Evaldo Carlos

 

Prof. Evaldo Carlos

    EVALDO CARLOS DE OLIVEIRA CARDOSO
nasceu em 8 de março de 1973, no povoado Fumaça, atualmente, Nova Esperança, no município de Buriti-MA. É filho de Benedito Ferreira Cardoso (in memoriam) e Angelina Cardoso de Oliveira (in memoriam). No ano de 1978, sua família migrou para a cidade de Chapadinha-MA, que tem sido o seu lar há mais de quatro décadas. É casado com Isomária Cardoso Silva, e dessa união nasceram três filhos: Jonas Silva Cardoso, Estéfana Silva Cardoso e Gabriel Silva Cardoso.

Ao chegar a Chapadinha, devido a algumas circunstâncias adversas, só pôde iniciar sua vida escolar formal aos 11 anos de idade, matriculando-se, no ano de 1984, na Escola Manuel Leite – já extinta, e que funcionava no atual prédio da Unidade Integrada Alexandre Costa –, onde iniciou e concluiu o Ensino Fundamental I. Apesar dessa distorção idade/série, sempre foi dedicado aos estudos, destacando-se em sala de aula por sua inteligência, aplicação e comportamento exemplar. Para continuar os estudos no Ensino Fundamental II, foi matriculado na Unidade Escolar Dr. Otávio Vieira Passos, onde estudou entre os anos de 1988 e 1991. E foi nessa instituição de ensino que se viu desde cedo inclinado ao ofício de professor, graças às suas memoráveis conversas com a sua Professora de Ciências – Marli Braga – e, também, com a Professora de Língua Portuguesa – Jesus Ferreira –, entre outras, que sempre perceberam o seu potencial nato para a docência. Nesse período, nas semanas que antecediam as provas, dava aulas de reforço de Língua Portuguesa e Matemática para seus colegas de turma. Essa experiência foi sempre exitosa, pois nenhum dos que participavam de suas aulas jamais obteve notas inferiores a 7.0 nas provas – nota mínima para a aprovação à época. Nascia, então, o futuro professor, o que se consolidaria nos anos seguintes, entre 1992 e 1994, com a realização do curso de Magistério realizado no Centro de Ensino de 2º Grau Raimundo Araújo. No ano seguinte ao da conclusão do 2º Grau, em 1995, iniciou oficialmente, no Colégio Francisco Almeida Carneiro (FAC), sua atividade docente, como professor de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental II e, depois, com a mesma disciplina, no Ensino Médio. Nessa escola, permaneceu por mais de uma década, adquirindo muita experiência profissional, o que resultou em diversos convites para lecionar em outras instituições da rede particular de ensino de Chapadinha. Pela ordem, ainda em 1995, passou a integrar o corpo docente do Centro Educacional Cenecista Professor Mata Roma (CNEC), a princípio, lecionando Arte e Ensino Religioso e, depois, Língua Portuguesa, até o ano de 2005, quando essa escola encerrou suas atividades. A partir de 2006, passou a lecionar Língua Portuguesa no Colégio Batista Chapadinhense (CBC), onde permaneceu até o ano de 2019, e, no Colégio Raimundo Bacelar, além de Língua Portuguesa, experimentou lecionar outras disciplinas, como Matemática do Ensino Fundamental II, por exemplo.

Evaldo Carlos com esposa e filhos

Até o ano de 2005, lecionou somente em escolas da rede privada, mas, a partir de 2006, por meio de concurso público, passou a integrar a rede municipal de ensino de Chapadinha-MA como professor de Língua Portuguesa e, posteriormente, em 2008, também por concurso público, ingressou na rede estadual de ensino como Supervisor Escolar na Unidade Regional de Educação de Chapadinha. Atualmente, devido a um acordo interinstitucional de permuta de servidores públicos – entre Município e Estado e vice-versa –, exerce suas funções profissionais integralmente na rede estadual, como Supervisor Escolar no Centro de Ensino Dr. Otávio Vieira Passos e no Centro de Ensino Dr. Paulo Ramos.

A princípio, sua formação era apenas em nível médio, ainda sob a égide da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 5.692/71. Contudo, sendo um amante do saber, percebeu a necessidade de avançar nos estudos. Assim, inicialmente, cursou Filosofia, pelo Instituto de Filosofia e Ciências Religiosas do Maranhão (IFCR-MA), com a conclusão em 2002; e, pela Universidade Regional do Cariri (URCA), fez o Curso de Licenciatura em Pedagogia, concluindo-o em 2005; em seguida, ingressou no Curso de Letras da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), graduando-se em 2008. Mas seus estudos acadêmicos não pararam por aí. Em 2014, concluiu o Curso de Pós-Graduação (Lato Sensu) em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Estrangeira, pelo Centro Universitário Internacional UNINTER; e, em 6 de junho de 2019, tornou-se Mestre em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras (PGLetras) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), com a Dissertação A Referenciação e a Construção de Sentido(s) no Texto Digital: um olhar fenomenológico, trabalho este recomendado para o Doutorado pela Banca Examinadora.

No âmbito acadêmico, é membro ativo do Grupo de Pesquisa em Tecnologia e Ensino, vinculado ao Departamento de Letras da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e, em decorrência de suas pesquisas, possui diversos trabalhos publicados, como artigos científicos, em revistas especializadas, em anais de eventos, e também capítulos de livros, destacando-se entre esses os seguintes: Os gêneros digitais e o ensino de Língua Portuguesa: uma reflexão sobre os novos caminhos da leitura e da escrita na era da comunicação virtual; Anáfora encapsuladora e argumentação em comentários no Facebook; Identidade, referenciação e texto digital: uma análise linguístico-discursiva; A referenciação no texto digital: análise das realizações dêiticas em comentários no Facebook; A construção de sentido(s) no texto digital: uma análise da dêixis pessoal em textos-comentários produzidos na rede social Facebook, entre outros. É destaque também a sua significa contribuição como Professor Orientador na Faculdade do Baixo Parnaíba (FAP), no ano de 2009, no período de formação da primeiras turmas, orientando mais de 30 trabalhos monográficos, sem contar a sua participação em Bancas Examinadoras, avaliando trabalhos orientados por outros professores.

Para além do universo acadêmico, o Professor Evaldo Carlos tem uma vida bastante ativa no âmbito da Igreja Católica de Chapadinha-MA, como Catequista, como Ministro de Música e Ministro da Palavra nas Celebrações Litúrgicas. Como músico, destaca-se por composições de cunho religioso e educativo. Uma de suas composições, – Do pão do corpo ao Pão da Fé – já migrou para ouros continentes, com o seu conhecido refrão Jesus é o Pão do Céu / Jesus é o Pão da vida / Quem come deste Pão não tem mais fome. É autor da versão em português do hino Une simple Marguerite – Uma simples Margarida –, composição original de Marcel Lefbvre, em parceria com seu filho, Jonas Silva Cardoso, que fez a adaptação dessa composição para o canto coral a quatro vozes. É Coordenador Geral do Coral Nossa Senhora das Dores, que atua nas duas Paróquias de Chapadinha. Devido à sua experiência, teve participação direta na formação de muitos outros musicistas, os quais atuam tanto no meio religioso como no meio secular em Chapadinha e região. Além desse pendor artístico-musical, também faz incursões pelo universo literário, com a produção de diversos poemas – sonetos, em sua maioria –, vinculados, pela forma, ao estilo neoclássico e, pelo conteúdo – que expressa uma subjetividade compartilhada – a um estilo mais contemporâneo, como podemos ver em seu soneto SOBRE JAJELAS E SONHOS.

 

SOBRE JANELAS E SONHOS

 

Toda manhã, eu abro a janela,

Fito o horizonte, penso no futuro.

Desejo a vida qual quintal sem muro;

Desejo o mar e minha caravela...

 

Embarco e começo a grande aventura.

O que era obscuro então se revela;

Descortino o mundo em cada parcela.

Vejo que o sonho não cessa, perdura.

 

Sou de uma só vez barco e tripulante.

No içar das velas, espero o vento;

Sou velejador nos mares da vida.

 

Não penso em voltar; só penso na ida.

Quero a magia do descobrimento.

Se morre o sonho, morre o navegante.

 

 Por essa e por muitas outras razões, foi convidado a ingressar na Academia de Letras, Artes e Ciências de Chapadinha e na Academia Buritiense de Artes, Letras e Ciências (ABALC) – em sua terra natal –, em ambas, tendo seu nome aprovado por maioria absoluta dos confrades.

Por toda a sua trajetória construída em Chapadinha, foi indicado a receber o título honorífico de Cidadão Chapadinhense. Indicação essa apreciada e aprovada por unanimidade pelo Poder Legislativo Municipal, e cuja cerimônia de outorga se deu em Sessão Solene da Câmara Municipal de Chapadinha, no dia 29 de março de 2022, dia da celebração do 84º aniversário da cidade.

Isso posto, acrescente-se a este relato biográfico que o Prof. MSc. Evaldo Carlos de Oliveira Cardoso adota como princípio basilar de sua atuação profissional a ideia de Immanuel Kant de que “é no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade”.

 

Herbert Lago Castelo Branco

Fonte: Evaldo Carlos

A reprodução deste texto ou qualquer parte dele é permitida, desde que seja dado o crédito de autoria conforme as normas e leis.

 

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 13 de maio de 2022

A POESIA CHAPADINHENSE E SEUS REPRESENTANTES: ênfase em Carlos Borromeu

 



    
Dr. Calos Borromeu

    Calos Borromeu Passos Vale, nasceu na cidade de Chapadinha, no dia 29 de julho de 1950. Filho do poeta Raimundo Nonato Vale e Elim Passos Vale e tem mais 5 (cinco) irmãos: Ninda Celeste, Zizinho, Márcia, Serenilia e Luizinho.

            Borromeu começou os estudos com 7 (sete) anos de idade com Dona Amélia Almeida na Escola Amélia Almeida em 1957, em seguida estudou na Escola Paroquial Cônego Walter Castro de Abreu e no Ginásio Professor Mata Roma.

            Em 1966 Borromeu foi para São Luís, onde estudou no Colégio Marista e no Colégio São Luís. A partir de 1969 transferiu-se para o Colégio Lá Salle em Brasília. Em 1970 fez o vestibular para Geologia na UNB – Universidade Nacional de Brasília, formando-se como Geólogo em 1973.

Capa do Livro

            Em 1974 retorna para São Luís, para trabalhar na CODEMINAS até 1975. Em 1976 foi para terra de Carlos Drummond de Andrade, Itabira-MG, trabalhar na Vale do Rio Doce.

            No dia 22 de julho de 1972 numa festa de aniversário de seu pai Raimundo Nonato Vale, no Rodeio, conhece Ana Lúcia, ocasião em que começou o namoro. E três anos depois, no dia 26 de julho de 1975 Borromeu casou-se com Ana Lucia Machado  com tem 3 (três) filhos: Rafael, Danilo e Olavo.

            Em Minas Gerais, Carlos Borromeu foi muito atuante na luta comunitária. Foram 10 (dez) anos dedicados ao Rotary Clube de Itabira, a Loja Maçônica Estrela do Vale, a Comissão Interna de Meio Ambiente da Vale e na Presidência do Conselho Deliberativo do Valério Doce Esporte Clube. Em Itabira fez grandes amizades e deixou um legado reconhecido pela Câmara Municipal de Vereadores de Itabira, quando em 1985, por unanimidade lhe concedeu o Título de Cidadão Itabirano, pelos relevantes serviços dedicado a cidade e as causas sociais, como tão bem expressado em versos de autoria do poeta e amigo Itabirano José Pinheiro de Lima:

Borromeu se casando com Ana Lucia

O seu nobre coração

Divide em partes iguais

Um tanto pro Maranhão

Outro, pra Minas Gerais.

 

E ele não adivinha

Como nos deixa contente:

Um filho de Chapadinha

Pousar na alma da gente.

            Em 1986 Carlos Borromeu retorna para São Luís, para trabalhar no Porto de Ponta da Madeira da Vale, onde presidiu a Comissão de Meio Ambiente. Pelo seu trabalho em busca da preservação ambiental, em 2002 recebeu o merecido reconhecimento da Câmara Municipal de São Luís.

            Como todo bom filho à casa retorna, em 2001 Borromeu volta para Chapadinha para exercer o cargo de Secretário Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, ocasião em que organizou a Festa da Mandioca nos anos 2002, 2003 e 2004, como parte do Projeto Mandioca. Em 2002 criou a casa da Família Rural de Chapadinha, instituição de ensino que prepara jovens para serem os futuros produtores rurais.

Borromeu num momento em família.

            De 2013 a 2016 Carlos Borromeu voltou a exercer o cargo de Secretário de Agricultura, quando organizou a EXPOCHAPADINHA, caprinos e ovinos. Foi um dos fundadores do Comitê da Bacia do Rio Munim, o primeiro do Maranhão, do qual foi o primeiro presidente de 2015 a 2016.

            No mês de setembro de 2017 foi um dos idealizadores e fundadores da AFACHAP – Associação de Filhos e Amigos de Chapadinha, da qual é presidente. Na presidência da AFACHAP organizou as comemorações dos 80 anos de Chapadinha, coordenou e juntamente com outros membros escreveu para a revista CHAPADINHA: 80 anos. Escreveu parte do Livro “TEMAS & ESBOÇOS” com poesias de seu pai Raimundo Nonato Vale, lançado em 1995. Escreveu também matéria sobre a História de Chapadinha publicada na revista “CAMINHOS DO MARANHÃO”, publicada em 2002 e em julho de 2010 lançou o seu livro intitulado “FOI UM RIO QUE PASSOU EM MINHA VIDA... POR TODOS OS RODEIOS”. Atualmente Carlos Borromeu está coordenando e escrevendo um capítulo do livro “GEOGRAFIA E HISTÓRIA DE CHAPADINHA”, que será lançado em breve.

            Dr. Carlos Borromeu no dia 29 de julho estará completando os seus 72 anos de idade. Um idealista e historiador contumaz, defensor da nossa História e da nossa cultura. Está em plena atividade e atualmente reside na rua do Comércio em Chapadinha e em São Luís.

Herbert Lago Castelo Branco

Fonte: Carlos Borromeu

A reprodução deste texto ou qualquer parte dele é permitida, desde que seja dado o crédito de autoria conforme as normas e leis.

 

 

 

 

           

quarta-feira, 11 de maio de 2022

A POESIA CHAPADINHENSE E SEUS REPREENTANTES: ênfase em Francisca Quariguasí.

 

    

Francisca Quariguasi

    Francisca das Chagas Quariguasí, nasceu no dia 20 de julho de 1915, na fazenda Ininga, zona rural da cidade de Luzilândia, estado do Piauí, propriedade de seus pais José Gonçalves do Vale e Florinda Jesuína do Vale e teve mais oito irmãos: Maria do Carmo Vale (Inhazinha), Manoel Gonçalves do Vale Neto (Nelinho), Maria da Glória Vale (Glorinha), José Firmino do Vale (Zé Firmino, Antonio Gonçalves do Vale (Toinho), Raimundo Nonato Vale, Maria da Conceição Vale (Maria Vale) e José Ramos (Zé Mendengue), irmão adotivo.                    Desde muito jovem começou a trabalhar com a sua mãe ajudando na confecção de chapéus de palha de carnaúba e na confecção de rendas. Mesmo participando das tarefas da família Francisca ia para a escola todos os dias, percorrendo a pé uma distância de 1 km, para estudar com a sua professora Nemézia Pires de Carvalho, até a 5º ano do primário, porque naquela época não tinha curso médio em Luzilândia.
Francisca e esposo Pedro

          

            Um certo dia, em outubro de 1930 Francisca Quariguasi tinha apenas 15 anos de idade e foi visitar sua irmã Inhazinha. Ao chegar, encontra Inhazinha conversando com um rapaz que lhe apresentou dizendo: Francisca, esse é Pedro, filho do tio João Quariguasi, recém chegado da Bahia onde estudava. Ao se cumprimentarem, em tom de brincadeira, Pedro perguntou: já se casou? Aí Francisca respondeu: ainda não encontrei o noivo, e ele de pronto, perguntou: Francisca, quer se casar comigo? Francisca também em tom de brincadeira disse: quero! Francisca não imaginava que, depois de 7 (sete) anos, esta brincadeira fosse se tornar realidade. Francisca e Pedro Quariguasi, se casaram às 20 horas do dia 27 de setembro de 1937, com cerimônia celebrada pelo padre Benedito.

            Em julho de 1940 Francisca e seu esposo Pedro vieram para Chapadinha, e fixaram residência ao lado da Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores, onde só tinha 24 casas e colocaram um comércio. Em Chapadinha tiveram os filhos: Maria do Socorro, Maria Ercilia, José Maria, Francisco Boanerges, Maria Gerviz, Pedro Filho e Lucia de Fátima.

Casa de Francisca Quariguasi

            Francisca e Pedro viveram um grande amor. Mas depois de 1 (um) ano e quatro meses da comemoração dos 25 anos de casados, seu esposo Pedro não resistiu um infarto fulminante e Francisca Quariguasí ficou viúva no dia 15 de janeiro de 1964, com 48 anos de idade.

Comemoração dos 100 anos de Francisca

            Em outubro de 2000, Francisca Quariguasi publicou o seu livro com suas memórias intitulado “RECORDAÇÕES” e para reafirmar o seu sentimento sobre o seu amor e o seu passado ela dedicou a canção “MEUS AMORES”, que retrata bem a saudade que ela sentia da sua terra natal e das pessoas que a fizeram feliz.

MEUS AMORES

Tenho saudade, sinto tanta saudade

De minha terra feliz, onde nasci

Do canto triste da juriti

E da alegria do bem-te-vi

 

Em minha terra quando eu lá voltar,

De saudade eu hei de chorar

Revendo os campos belos e cheios de flores

E a casa pequenina de meus amores

 

Ó terra cheia de mil flores

Cheia de tanto encanto

Terra querida de meus amores

Por ti eu choro sentido pranto

 

Lágrimas sentidas sempre eu hei de chorar

Mágoas doridas de quando lá voltar

Vendo a casinha branca e tão sozinha

Onde nasci e de amor eu vivi.

 

            Francisca Quariguasí faleceu aos 100 (cem) anos de idade, às 19:30 hs do dia 28 de fevereiro de 2016 e está sepultada no Cemitério Central de Nossa Senhora das Dores, de quem era devota.

 

Herbert Lago Castelo Branco

Fonte: Livro Recordações.

A reprodução deste texto ou qualquer parte dele é permitida, desde que seja dado o crédito de autoria conforme as normas e leis.

 

segunda-feira, 2 de maio de 2022

A POESIA CHAPADINHENSE E SEUS REPRESENTANTES: ênfase em Chico Bolota.

 

Poeta Chico Bolota

 
Francisco das Chagas Nunes da Silva, popularmente conhecido como Chico Bolota, nasceu na cidade de Brejo-ma, no dia 16 de outubro de 1951. Filho de Manoel Valério e Raimunda Nunes da Silva, mais conhecida como Raimunda Bolota, tem mais 5 (cinco) irmãos: Antonio (falecido), Domingos (falecido), Socorro, Raimundo Nonato, o Nego Velho (falecido) e Rita de Cassia.

   Em 1958, Chico Bolota tinha 7 (sete) anos de idade quando seus pais mudaram-se para a cidade de Chapadinha e se instalaram numa casa na rua Cel. Pedro Mata número 295.

  Poeta autodidata Chico Bolota só foi alfabetizado, na extinta “Escola Pé no Chão Também se Aprende”, idealizada pelo Dr. Almada Lima.

 Originário de uma família que, tradicionalmente sempre esteve envolvida com a cultura popular Chico Bolota começou ainda muito jovem a participar da tradicional brincadeira de bumba-meu-boi no lendário “Boi do Zé de Cinzas” e mais tarde comandando o seu próprio boi de nome “LINDO AMOR” na década de 60 até o início dos anos 70.

            Em 1971 foi servir o Exército Brasileiro no 25 BC na capital piauiense, Teresina.

            O terreiro da casa de sua mãe, dona Raimunda Bolota, era uma arena cultural a céu aberto com várias apresentações culturais como: as brincadeiras juninas de Bumba-meu-boi, Quadrilhas, Pau de Sebo e grandes cantorias com repentistas da região, o que influenciou mais tarde Chico Bolota a seguir a careira de poeta repentista, já desafiando grandes nomes da literatura de cordel.

Chico Bolota e Andorinha no Abrigo Central

            Ao participar do memorável programa “DEBAIXO DO PÉ DE CAJUEIRO” na Rádio Difusora de São Luís, apresentado pelo radialista popular Jairzinho, Chico Bolota foi batizado pelo locutor com o nome de “Estrela do Norte”. Chico Bolota ou Estrela do Norte participou ainda de vários festivais e programas de rádios como: Rádio Difusora do Maranhão, Rádio Timbiras de São Luís, Rádio Ribamar, Radio Tupinambá de Sobral, Rádio Gurupi, Rádio Pioneira de Teresina, Rádio Educadora de Parnaíba, Rádio Iracema de Fortaleza e Rádio Nacional de Brasília. Sendo também premiado nos festivais de São Bento, na Paraíba, Teresina e Taguatinga no Distrito Federal.

            Estrela do Norte ou Chico Bolota também fez dupla com repentista renomados do Brasil como: Jonas Martins de Oliveira, Abdias Ferreira, Cesar Nildo, Raufridol Felício Gabriel e Andorinha do Norte.

            Chico Bolota casou-se muito jovem com Natividade e depois com Ana Francisca dos Santos com quem teve 2 (dois) filhos: Erdilande Rendrix e Francisco (falecido), depois casou-se com Alcineide com quem teve 3 (três) filhos: Beni France, Valder Grébio e Darlene France.

Poeta Repentista Chico Bolota

            Em Chapadinha Chico Bolota trabalhou na Guarda Municipal na administração do então prefeito Isaias Fortes de Menezes e apresentou os programas “O FORRÓ NA VOZ DA VIOLA”, na rádio Mirante de Chapadinha e “NO ANOITECER NA FAZENDA” na Rádio Cultura também de Chapadinha.

            Chico Bolota gravou apenas um CD intitulado de “ESTRELA DO NORTE NA VOZ DA POESIA” e tem uma centena de repentes e canções ainda inéditas, como a que publicamos abaixo gravada em seu CD.

NÃO ADIANTA A GENTE VER A LUA

Não adianta a gente ver a lua

De ver a lua e não poder pegar,

Não adianta de ser o amante

Com os lábios brilhante e não poder beijar.

Tu não me amas porque eu sou pobre,

E ver que eu não sou merecedor

Mas Jesus Cristo lá no céu é nobre,

Ainda lhe deixo pobre, assim como eu estou,

Rico de dinheiro, pobre de amor.

Não adiante a gente ver a lua,

De ver a lua e não poder pegar,

Não adianta de ser o amante

Com os lábios brilhantes e não poder beijar.

Tu não me amas porque sou pobre,

Mais o pobre sabe amar também

Neste mundo eu ando desprezado,

Sem ter ao meu lado quem me queira bem,

Tu tem outro amor

Eu não tenho ninguém.

Não adianta a gente ver a lua,

De ver a lua e não poder pegar,

Não adianta de ser o amante

Com os lábios brilhante e não poder beijar.

Não ignore de eu andar cantando,

Ando cumprindo com o destino meu,

A gente sofre na flor da idade,

A minha saudade só que sabe é eu

Não adiante a gente ver a lua,

De ver a lua e não poder pegar,

Não adianta de ser o amante

Com os lábios brilhante e não poder beijar.

Eu amanhã vou partir chorando

Vou derramando lágrimas de dor,

Adeus, adeus, eu vou partir chorando

E o mundo eu vou deixando,

Pra quem tem amor.

Adeus, adeus, adeus amor.

            Hoje com 71 anos de idade, Chico Bolota mora na Rua da Águia nº 36, no Bairro Recanto dos Pássaros, o qual ele foi quem deu o nome.

 

Herbert Lago Castelo Branco

Fonte: Entrevista com Chico Bolota

A reprodução deste texto ou qualquer parte dele é permitida, desde que seja dado o crédito de autoria conforme as normas e leis.

  

sexta-feira, 29 de abril de 2022

A POESIA CHAPADINHENSE E SEUS REPRESENTANTES: ênfase em Totonha Galvão.

 

    

Poetisa Totonha Galvão

    Antonia Lima Galvão de Almeida, mais conhecida como professora Totonha Galvão, é natural da cidade de Ibiapina no Ceará, nasceu no dia 01 de janeiro de 1939. Filha de João Ferreira Primo e Maria Rodrigues de Lima e tem mais 8 (oito) irmãos: Edmar Lima Galvão, Osmar Lima Galvão, Maria do Socorro Lima Galvão, Teresinha Lima Galvão (falecida), Francisco Tupinambá Lima Galvão (falecido), Teresa Maria Lima Galvão (adotiva) e Misael Lima Galvão (adotivo).

            Em 1945 Totonha Galvão tinha 6 (seis) anos de idade, quando seus pais migraram para a cidade de Chapadinha, onde começou os seus primeiros estudos no Colégio |Dr. Paulo Ramos até o 4º ano primário. Em 1959 matriculou-se na Escola Paroquial Conego Walter de Castro Abreu, concluindo o curso ginasial em 1962. Depois fez a prova de admissão para a Escola Normal Ana Delaide Belo e em 1965 formou-se em Normalista. Em 1967 fez o curso adicional em pedagogia na Escola 19 de Março, sendo seu professor Padre Manoel Prestes.

            A sua missão como educadora começou em 1959 com apenas 20 (vinte) anos de idade, na Escola Manoel Inácio de Almeida, no povoado Boqueirão, zona rural de Chapadinha, até 1962. Em 1963 foi cedida para o IBGE, para corrigir os mapas do recenciamento até o ano de 1969.

Totonha com esposo e filhos

            A professora e poetisa Totonha Galvão casou-se em 1970 com Carlos Alberto de Almeida, com quem teve 2 (dois) filhos: Carlos Antonio Galvão de Almeida e Carlos Alberto de Almeida Júnior. Ainda em 1970 foi aprovada no concurso para ACEM (hoje SUCAM), saindo em 1973 por vontade própria, para voltar a lecionar na Escola Municipal Manoel Ferro até 1975. Totonha Galvão lecionou ainda nas Escolas Joaquim Almeida, Manoel José de Santana e FAC – Francisco Almeida Carneiro e aposenta-se como normalista em 1979. Além de presidir o posto da TELMA/Chapadinha, foi também Supervisora Municipal de Educação em 1979 na gestão do então prefeito José Almeida.

            Totonha Galvão é poetisa e uma das fundadoras da Academia de Letras, Artes e Ciências de Chapadinha e tem como patrono o Conego Walter de Castro Abreu. Tem várias poesias de sua autoria publicadas nas Coletâneas Poéticas da Academia de Letas de Chapadinha, como a que publicamos abaixo em homenagem aos 58 anos de Chapadinha.

CHAPADINHA

A noite fria avança

Vinte e nove de março anuncia

Mais um risinho de alegria

Chapadinha manifesta neste dia.

 

Chapadinha tu és plana e bonita

Diz sempre quem te visita.

Tens n’agua um paladar

Quem a toma, não pode te deixar.

 

Teus habitantes se alegram

Pelo teu aniversário

São tantas saudades, tantas

Dos tempos, que já passaram!

 

Chapadinha terra querida,

Cheia de tantas alegrias,

Tens uma página sofrida

Compondo o livro da tua vida.

 

Foste calma e serena

Tuas praças com lindas flores,

Na igreja subiam os degraus

Para louvar Nossa Senhora das Dores.

 

O tempo foi passando

A evolução chegando

Tua beleza acabando

Teus habitantes aceitando.

 

Dai-nos a benção, ó virgem Santa

Pelos cinquenta e oito anos que completas

És uma terra aconchegante

Dando esperança aos teus habitantes.

 

            Devota de Nossa Senhora das Dores, Totonha Galvão foi catequista, ministra da eucaristia é presidente da Associação Santa Margarida Dyoville, zeladora do coração de Jesus e fez ainda várias palestras para grupos de jovens com o tema “como se comportar na sociedade” e para grupos de casais com o tema “vida matrimonial”.

Poetisa Totonha com o poeta Herbert Lago

            Em 2018 aos 80 anos de idade, Totonha Galvão foi agraciada com o título de Cidadã Chapadinhense, indicação do vereador Junior Carneiro e aprovado por unanimidade pela Câmara de Vereadores.

            Aos 83 anos de idade a professora e poetisa Totonha Galvão reside na Rua Sebastião Almeida, em Chapadinha.

 

Herbert Lago Castelo Branco

Fonte: Entrevista com Totonha Galvão

A reprodução deste texto ou qualquer parte dele é permitida, desde que seja dado o crédito de autoria conforme as normas e leis.

quarta-feira, 20 de abril de 2022

A POESIA CHAPADINHENSE E SEUS REPRESENTANTES: ênfase em João Batista dos Santos.

     

João Batista dos Santos

    João Batista dos Santos, carinhosamente chamado pelos seus pais de Joãozinho, nasceu em Chapadinha, num dia primaveril  de 22 de setembro de 1941. Filho de Antonio Ferreira dos Santos e Vina da Costa Santos e tinha mais seis irmãos.

            João Batista estudou as quatro primeiras séries do primário no Grupo Escolar Dr. Paulo Ramos, de 1949 a 1954. Completou o ciclo básico 5ª a 8ª série do primeiro grau no Centro Caixeral e no Sesc-Senac, em São Luís, de 1957 a 1961.

            Em São Luís, João Batista serviu às Forças Armadas no 24º BC, na condição de soldado, de 1961 a 1962 quando deu baixa para continuar os estudos.

            Em Brasília, de 1964 a 1966 cursou o ensino secundário no Colégio Elefante Branco. Depois, em 1967, prestou o vestibular na UNB – Universidade Nacional de Brasília, onde se formou como Bacharel em Direito, especializando-se em Direito Processual Penal e Análise de jurisprudência. Ainda na UNB fez vários cursos como: Suficiência em História, Aperfeiçoamento para Juízes.

Os Pais de João Batista

            João Batista dos Santos tem uma vasta experiência profissional. Foi professor de Ensino Médio da FEDF – Fundação Educacional do DF, da UEMA – Universidade Estadual do Maranhão, CAMPI de Caxias, professor da Academia de Polícia de Rondônia, Advogado inscrito nas Seções dos Estados do Maranhão e Goiás, Assessor de Desembargador do TJ/RO, procurador do Estado de Rondônia, Juiz do Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia, Juiz Corregedor da Corregedoria Geral de Justiça do TJ/RO, Vice-Presidente do Colendo Tribunal Regional do Estado de Rondônia e Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia.

           Além de uma centena de certificados de especializações e de participações em Seminários e Conferências, João Batista dos Santos recebeu ainda o título Constituinte Honorário outorgado pela Assembleia Constituinte do Estado de Rondônia, pela participação e colaboração nos trabalhos da Constituinte de 1989.

        Com o slogan “Uma esperança para o Maranhão” João Batista foi candidato a Suplente de Senador pelo MDB em 1978.

             Entre os livros publicados por João Batista do Santos destacamos SONHOS E LEMBRANÇAS DE CHAPADINHA 2009, PALAVRAS DE FOGO 2010 e OS VALORES ETERNOS E UNIVERSAIS DOS DIREITOS HUMANOS 1993.

João Batista e Lourival Passos

            João Batista dos Santos foi fundador e primeiro presidente da Academia de Letras, Artes e Ciências de Chapadinha.

 

Herbert Lago Castelo Branco

Fonte: Sonhos e Lembranças de Chapadinha

A reprodução deste texto ou qualquer parte dele é permitida, desde que seja dado o crédito de autoria conforme as normas e leis.

 

 

 

quarta-feira, 6 de abril de 2022

A POESIA CHAPADINHENSE E SEUS REPRESENTANTES: ênfase em Amélia Almeida

 

Dona Amélia e Pe. Neves

    Amélia Carneiro de Almeida, nasceu na localidade Baixão, zona rural da Vila de Chapadinha no dia 31 de julho de 1910. Filha de um segundo casamento de Joaquim Cirilo de Almeida com Elisa Carneiro de Almeida.

Com 7 (sete) anos de idade a sua mãe faleceu e foi criada com os irmãos Antenor Carneiro e Pedro Carneiro, pelo pai e pela sua madrasta Lídia Garreto de Almeida. Ao todo eram 26 (vinte seis) irmãos. Dos outros relacionamentos do seu pai Joaquim Cirilo, teve os irmãos:   Antonio Tereza de Almeida, Francisco Tomás de Almeida, Inácio Cirilo de Almeida, Joana Iria de Almeida, João Evangelista de Almeida, Joaquim Cirilo de Almeida Filho, José Cecílio de Almeida, Jovita Cirilo de Almeida, Maria Cirilo de Almeida Raimundo Masceano de Almeida, Amando Garreto de Almeida, Emília Garreto de Almeida, Antonio Garreto de Almeida, Gilvan Garreto de Almeida, Francisca Garreto de Almeida, Joviniano Garreto de Almeida, Luís Garreto de Almeida, Moacir Garreto de Almeida e Rosa Garreto de Almeida.

Amélia Almeida começou os estudos na Vila de Chapadinha em 1917 até 1923. Com sua melhor amiga Cota, eram muito cobiçadas pelos rapazes de sua época, mas sempre respondia com um não nas cartinhas que recebia. Mas não resistiu os apelos do seu primo Raimundo Tiago de Almeida (Dico Almeida), seu primeiro e único namorado. Amélia Carneiro e Dico Almeida casaram-se no dia 18 de julho de 1931. Padre Eurico de Freitas celebrou o casamento no religioso e no civil o Juiz Tuíca. Dona Amélia e Sr. Dico tiveram dois filhos biológicos: Antonio Cleves e Francisco Florismar, mais tarde adotou a sua sobrinha Maria José (Mazé), filha biológica de sua irmã Francisca Garreto de Almeida Monteles, com 3 (três) dias de nascida.

Escola Amélia Almeida

 Pioneira na educação de Chapadinha, Amélia Almeida era professora leiga e tinha apenas 27 anos de idade quando, juntamente com seu esposo Dico Almeida, fundaram uma das primeiras escolas de Chapadinha, a “ESCOLA AMELIA ALMEIDA,” quando Chapadinha ainda era uma Vila, no dia 17 de julho de 1937, um ano antes da emancipação política de Chapadinha e passou a ser escola de referência da cidade naquela época. O seu legado na educação de Chapadinha é inconteste, foram 79 anos educando gerações de jovens e a escola funcionou até 2016.

Em 1987 por ocasião da fundação e da pedra fundamental da UFMA Chapadinha, Amélia Almeida recebeu do então prefeito José Almeida o título de menção honrosa da educação chapadinhense. 

Além da educação Amélia Almeida era uma católica fervorosa, devota de Nossa Senhora das Dores, dedicou-se a religião onde participou ativamente das atividades da igreja como zeladora, membro do Apostolado do Sagrado Coração de Jesus, Ministra da Eucaristia e aos sábados ela trabalhava as aulas de catequese  como os alunos, antes da igreja ofertar.

Amélia e irmãos

Amélia Almeida também foi uma das fundadoras da Academia de Letras, Artes e Ciências de Chapadinha, fundada no dia 22 de setembro de 1994, da qual era membro efetivo como Acadêmico.

 A Professora Amélia Almeida, faleceu às 17:40 hs de uma segunda-feira, dia 13 de outubro de 2008 aos 98 anos de idade e está sepultada no Cemitério Central Nossa Senhora das Dores.

 

Herbert Lago Castelo Branco

Fonte: Blog Café Pequeno – Ivandro Coelho, A GAZETINHA e Prof. Dona Nega

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