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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

A POESIA CHAPADINHENSE E SEUS REPRESENTANTES: ênfase em Fernando Nunes

 

Fernando Nunes

     Domingos Fernando Nunes de Sousa Pereira, mais conhecido como Fernando Nunes, nasceu no povoado “Morro Grande” município de Chapadinha, no dia 18 de junho de 1989, onde passou os seus primeiros 2 (dois) anos de idade. Fernando é o 6 (sexto) filho do lavrador José da Conceição Pereira e da quebradeira de coco Maria de Jesus Nunes de Sousa Pereira e tem mais 6 (seis) irmãos:  Maria Francisca Nunes de Sousa Pereira, José da Conceição Pereira filho, Antônio Francisco Nunes de Sousa Pereira (Branco) Raimundo Nonato Nunes de Sousa Pereira (Dico) Joseane Nunes de Sousa Pereira (deusa) e Josiel Nunes de Sousa Pereira. 

Em 1992 seu José e Dona Maria, como eram conhecidos os pais de Fernando, a procura de melhorias de vida e melhores condições de estudo para os seus 7 (sete) filhos, abandonaram a zona rural e vieram para a cidade de Chapadinha.

Ao chegarem em chapadinha seu José tratou logo de matricular os filhos na escola, pois mesmo sendo um homem simples, humilde e de pouco estudo, sempre teve a consciência e dizia para os seus filhos que o estudo era a única riqueza que poderia oferecer para eles.  

 

Fernando Nunes estudou os primeiros anos na “Pré-Escola Pingo de Gente,” localizada no bairro Campo Velho, onde a família fixou residência. Depois cursou do primeiro ao quarto ano na “Escola Presidente José Sarney,” também localizada no bairro do Campo Velho.  Onde desde cedo já demostrava grande aptidão para o desenho e as artes plásticas, causando logo uma enorme admiração por parte dos professores e dos seus colegas de turma. Aos 12 anos de idade foi estudar na “Escola Isaias Fortes de Menezes,” onde participou de Oficinas Culturais, de Literaturas, Teatro, Karatê e Capoeira. Tornou-se membro do grupo “Angoleiros da Chapada,” primeiro grupo de capoeira de Chapadinha, liderada pelo professor Formiga (Toinho), onde permaneceu por 2 (dois) anos. Depois participou por 8 (oito) anos do grupo de capoeira “Muzenza” sob o comando do professor Sérgio (Raposa).

 

Aos 14 (quatorze) anos de idade Fernando Nunes já demostrava o seu talento para o desenho, para as artes plásticas e começou também a escrever os seus primeiros poemas. Apesar da pouca idade distribuía a seu tempo entre o desenho e a poesia.

Fernando com a esposa e filha

 

De 2005 a 2008, Fernando Nunes cursou o Ensino Médio na Escola Estadual C.E.M - Centro de Ensino Médio Raimundo Araújo, época em que iniciara na profissão de pintor letrista e residencial no Atelier "Visual Artes," localizado na Avenida Presidente Vargas, sob o comando de Leandro Araújo (Leandro pintor). Durante 2 (anos) na parte da manhã, dedicava-se ao trabalho de letreiros e pinturas de residências e lojas de Chapadinha, e os seus estudos durante a tarde até a conclusão do Ensino Médio.

Ingressou no (CEESERMA) Centro de Ecumênico de Estudos Religiosos do Maranhão, para cursar pedagogia e teologia, mas abandou antes da conclusão.

 

            Em 2013, com 24 anos de idade, conheceu a jovem Alexandra Costa da Silva, que tinha 18 anos de idade, filha de Francisco Lopes da Silva e Maria Francisca da Conceição Costa da Silva, também oriundos do povoado "Morro Grande.” Em 2015 nasceu o fruto desse matrimônio, a sua filha Fernanda Dominique Costa Nunes, hoje com 7 (sete) anos de idade.

Fernando Nunes no seu Atelier

 

            Fernando Nunes, desde cedo foi um leitor assíduo de poesia, literatura, filosofia e história da arte. Esse conhecimento faz com que expresse em suas telas, uma pintura de traços firmes e de cores fortes. Hora transitando no estilo cubistas, expressionista e no abstracionismo. Aproximando-se também de um surrealismo onírico. Através de sua pintura atípica caracterizada principalmente pela “deformação proposital” de sua paleta de cores vibrantes. Fernando Nunes se aproxima cada vez mais de se tornar um modernista chapadinhense, sempre em busca de uma digital própria.

 

Na poesia, Fernando Nunes tem um estilo livre, de poemas curtos, mas de cadência profunda e ritmada, como podemos perceber abaixo em “MEU VERSO É TORTO”

 

   MEU VERSO É TORTO

 

Meu verso é torto,

Perdido entre o feio e o belo,

Mundo aonde me fecho,

Camuflado, branco, preto, vermelho, amarelo...

 

Meu verso é torto,

Feito nas tardes porosas,

Mastigado pelo tempo,

Dentro de seu próprio sentido, absorto, asas ao vento...

 

Meu verso é torto,

Pássaro de carne,

Voo rasante,

Rangido das horas,

Rastros do vento,

Desproporção, osso, pêlo, cartilagem,

Perfil traçado nas paredes do tempo.

 

            Chapadinha tem um legado poético valioso para a nossa história, e na atualidade observa o alvorecer de uma nova poesia, como as de Fernando Nunes, que mostra de forma clara que a poesia Chapadinhense não expirou, continua florando, muito viva e fluente na inspiração de uma nova safra de poetas com um estilo próprio como é o poeta Fernando Nunes.

 

Herbert Lago Castelo Branco

A reprodução deste texto ou qualquer parte dele é permitida, desde que seja dado o crédito de autoria conforme as normas e leis.

Fonte: Fernando Nunes

 

 

 

 

           

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

A POESIA CHAPADINHENSE E SEUS REPRESENTANTES: ênfase em Lourival Passos.

    

Lourival Passos

    Lourival Vieira Passos, nasceu em Chapadinha, no dia 23 de setembro de 1925, em uma família de intelectuais e políticos. Filho de Manoel Vieira Passos e Raimunda Maria da Conceição e teve mais 7 (sete) irmãos: Nilza Moraes Passos, Zenaide Moraes Passos, Enedina Moraes Passos, Maria Domingas de Moraes Passos, Dalila de Moraes Passos, Otávio Vieira Passos e Helvécio Vieira Passos.

     Em 1937, com apenas 12 anos de idade, Lourival Passos foi morar com suas irmãs Nilza e Zenaide em São Luís para estudar. Lá, ele fez o curso primário no Instituto Cerveira. Depois fez o curso de admissão para o Ginásio no Colégio Cysne Branco.

        Em 1943, completado seus 18 anos de idade, foi para a cidade de Ouro Preto, Minas Gerais, com o seu irmão Helvécio, para cursar a Faculdade, mas não chegou a concluir e retorna para São Luís.

      Lourival cortejava sua prima Áurea desde novinha, ainda de menor, ela era uma mocinha muito bonita. Mas a mãe de Áurea, dona Leoneza Vieira, não consentia o namoro, mas mesmo assim, Lourival e Áurea começaram a namorar escondidos. À época, Áurea até namorava outro rapaz, mas quando Lourival chegava de férias em Chapadinha, ela terminava o namoro para ficar com o primo Lourival, as escondidas. Áurea ainda chegou a ficar noiva de uma rapaz chamado Milton, que trabalhava na Coletoria da Fazenda. Até que um dia Lourival veio de férias para Chapadinha e Áurea terminou o noivado e fugiu com Lourival para São Luís, no lombo de um cavalo. Saíram de Chapadinha para a Lagoa Amarela. De lá foram para Urbano Santos, de Urbano Santos para Morros e de Morros foram para São Luís. Chegando em São Luís, eles pediram abrigo na casa de Aldenora, esposa do Coelhinho da Rebeca (violino). E daí, Aldenora organizou o casamento de Lourival com Áurea no religioso.

Lourival, Áurea e o neto Zanata

            Em 1949, com 24 anos de idade, Lourival casou-se com a sua prima Áurea da Paz Vieira, as escondidas em São Luís, porque a mãe dela, dona Leoneza, não aceitava o namoro. E dessa união tiveram 5 (cinco) filhos: Rosália Maria de Sousa Passos, professora, Rosanea Maria de Sousa Passos, pedagoga, Rosângela Maria de Sousa Passos, formada em Administração, Romero Março de Sousa Passos, funcionário público e Robson Manoel de Sousa Passos, funcionário federal do INSS, que lhes deram 12 (doze) netos: Fernanda Passos Dias Wolff, Fabiana Passos Dias, Ruannita Passos Dinis Silva,  Renan Passos Dinis da Silva, Zanato Passos Costa, Camila de Sousa Passos, Sabrina de Sousa Passos, Carolina de Sousa Passos, Cecília de Sousa Passos,  Maria Ivanilde Passos e Fabricia Passos Dias.

Regressa para Chapadinha, onde deu continuidade aos estudos, concluindo o curso de Contabilidade no Colégio Comercial José Caetano (CNEC), e para seguir a carreira de professor fez o Curso Normal (Pedagogia), no Colégio Raimundo Bacelar.

            De 1950 a 1955 trabalhou no escritório do seu pai Manoel Vieira Passos. Trabalhou ainda, na Coletoria Estadual de Chapadinha como Agente Fazendário de 1954 a 1969, Chefe da Coletoria de Afonso Cunha de 1967 a 1969, Agente Recenseador do IBGE de 1950 a 1969, Secretário Executivo da Câmara Municipal de Chapadinha de 1984 a 1989, Diretor Administrativo da Câmara Municipal de Chapadinha de 1989 até 1991. Foi ainda contador por vários anos do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Chapadinha.

Lourival e João Batista Santos

Lourival Passos era professor de Literatura, Português, Redação Oficial e Comercial, Direito e Legislação. Além de vários estabelecimentos de ensino estadual e particular, foi professor de Literatura no Colégio Raimundo Bacelar e também no Centro de Ensino Raimundo Araújo de 1986 até o seu falecimento em 1995.

       Lourival Passos foi fundador da Academia de Letras, Artes e Ciências de Chapadinha, da qual era acadêmico efetivo e tem poesias de sua autoria publicadas na Antologia da Academia de Letras.                    Lourival era um boêmio inveterado, poeta, músico, cantor e compositor. Compôs várias música, ainda inéditas e escreveu várias poesias, como esta que ele fez para sua esposa Áurea por ocasião de seu falecimento em 04 abril de 1994.

 

ÚLTIMO ADEUS

 Seu último suspiro

Foi seu último adeus

                                                      Num leito hospitalar, longe dos meus olhos,

                                                 Deus o levou para sempre.

                                                      E a tenho bem guardada, quem nesta vida,

                                                      Soube ser mãe, companheira,

                                                  amiga e bem amada.

                                                 Deus a tenha consigo

                                                  No seu reino muito além.

                                                   Aqui na terra fica comigo

                                                  A saudade de um bem,

                                                      Que floriu ainda criança.

                                                    Mas que, tenho esperança

                                                 De um dia encontrá-la.

                                                   E na presença de Deus,

                                                      Aperta-la nos meus braços

                                                   E ainda poder ama-la.

            Em Chapadinha existiam alguns baluartes quando o assunto é a música, ainda mais quando se fala de algo mais específico, como o bem tocar violão, e nessa seara é impossível não lembrar de Lourival Passos.

Lourival no violão

Lourival Passos, por certo foi encontrar a sua amada Áurea. Faleceu no dia 7 (sete) de novembro de 1995, um ano e sete meses depois do falecimento de sua esposa Áurea, aos 70 anos de idade e está sepultado em Chapadinha, no Cemitério Central Nossa Senhora das Dores.


Herbert Lago Castelo Branco

Fonte: Rosanea Passos (Filha)


A reprodução deste texto ou qualquer parte dele é permitida, desde que seja dado o crédito de autoria conforme as normas e leis.

 

  

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

A POESIA CHAPADINHENSE E SEUS REPRESENTANTES: ênfase em Eduardo Luiz

 

Luiz Eduardo da Silva

    Eduardo Luiz da Silva nasceu no dia 13 de outubro de 1935, na Ilha das Canarias, no município de Araioses, estado do Maranhão. Filho de João Luiz da Costa e Luiza Florência da Silva Costa e teve mais 7 (sete) irmãos: Maria de Nazaré da Silva Costa (Lelé), Maria do Socorro da Silva Costa (Moça), Maria da Silva Costa (Mariazinha), José Luiz da Silva Costa (Zé Bicudo), Raimunda Nonata da Silva Costa (Raimunda), Maria Luiza da Silva Costa (Maria Luiza) e Carlos Alberto da Silva Costa (Carrim). Aos 5 (cinco) anos de idade, sua família migrou para a cidade de Tutóia, onde moraram durante dois anos e posteriormente aos 7 (sete) anos de idade, mudaram para a cidade de São José de Ribamar, onde passou toda a sua adolescência e juventude. Em São José de Ribamar, foi pescador, padeiro, e vendedor ambulante de frutas e animais para consumo alimentar. Com 17 anos de idade Eduardo se alistou no Exército Brasileiro e com apenas 20 anos de idade, ingressou no Serviço Público Federal - DNERÚ, no Serviço Nacional de Combate à Malária. Na época, não era realizado concurso público, e o ingresso se dava através de indicação. Esse momento de sua vida retrata um fato curioso que merece destaque: “Um dos seus vizinhos em São José de Ribamar, tinham parentes ricos em São Luís, e a matriarca dessa família ia aos domingos assistir à missa em São José de Ribamar. Um certo dia, ela perdeu o transporte de volta e teve que dormir na cidade de São José de Ribamar, mas seus parentes eram pobres e não tinham rede de reserva para oferecer-lhe. Ficaram preocupados e falaram com sua mãe dona Luíza, que os tranquilizou dizendo que a rede do Eduardo, estava lavada, e ainda não tinha sido usada e que ia falar com ele para emprestá-la. Dona Luiza falou com Eduardo, e ele de pronto, consentiu e foi dormiu em uma cadeira preguiçosa. A senhora idosa e experiente, ficou surpresa com aquela rede limpa e cheirosa, e conhecendo a condição dos parentes, quis saber como e onde tinham conseguido aquela rede que proporcionou uma noite tão bem dormida. A parenta dela contou com detalhes, e ela então fez questão de falar com Eduardo, que relutou, mas ela insistiu em conhece-lo. Na conversa, ela quis saber se ele tinha emprego. Eduardo respondeu que não, aí ela perguntou se ele gostaria de trabalhar no serviço de combate à Malária. Eduardo de pronto disse que sim. Ela então deu o seu endereço para que ele a procurasse. No dia seguinte, Eduardo foi a São Luís, no endereço entregue a ele. Era na casa dela, que o recebeu com muita educação e entregou-lhe uma carta de recomendação ao Diretor Edgard Barros, chefe do setor da Malária. Edgard leu a carta de recomendação e disse: “Você está empregado, não posso negar um pedido da senhora Juju, mãe do meu amigo Orisvaldo, presidente da Caixa Econômica”. Foi assim, com esse gesto de solidariedade que Eduardo Luiz conseguiu seu primeiro emprego, com 20 anos de idade.”
Eduardo com familia

Às 8:00 horas da manhã de sábado do dia 23 de maio de 1957, Eduardo Luiz da Silva, desembarca de um avião bimotor no Aeroporto de Chapadinha, vindo transferido de São José de Ribamar para trabalhar em Chapadinha, com a missão de implantar o Serviço de Saúde Pública no Município de Chapadinha.

No Aeroporto, o então prefeito de Chapadinha, Raimundo Vieira de Almeida (Mundiquinho) lhe esperava com uma comitiva de Vereadores, Delegado, comerciantes e correligionários. E a pé, dirigiram-se para a residência do prefeito que lhe recepcionou com um banquete.

Eduardo Luiz foi convidado para hospedar-se na residência do senhor Mundico Lobo e dona Chiquita, pais de Pedro Lobo e Bené Lobo, e com eles morou por 2 (dois) anos. Saindo somente após contrair matrimonio.

Em uma das muitas serestas que participava, Eduardo Luiz conheceu uma linda Chapadinhense por nome Gilma Maria Oliveira Silva, que trabalhava na Loja Trapiá. Ele sempre de olho nela, inventou de comprar uma cortina para fazer uma divisória no local onde trabalhava. Chegando na Loja Trapiá, procurou logo a Gilma, para que ela lhe atendesse. E daí começaram com o namoro. E no dia 13 de outubro de 1959, no dia em que Eduardo completava 24 anos de idade, casou-se com Gilma, que completaria 24 anos 12 dias depois. E dessa união tiveram 8 (oito) filhos biológicos e 2 (duas) filhas adotivas, sendo eles: Huda, sobrinha da Gilma que veio para o convívio da família aos 2 (dois) anos de idade, Eduardo Filho (in memoriam), Ludmila, Francisco de Assis, Eglajef, Maria Betânia, Giselda, Eduardo Segundo, Fabiola e Gilbertiana, também sobrinha da Gilma que veio para o convívio da família aos 5  (cinco) anos de idade e teve 16 (dezesseis) netos: Luiz Eduardo, Vanessa, Yuri, Rodrigo, Alexandre, Stefanne, Ludmylla, Jéssica, Chiara, Danilo, Lucas, Lívia, Isabella, Beatriz, Ana Beatriz, Eduardo Benício. E até esta data (2022), 7 (sete) bisnetos: Gabriela, Eduarda Sofia, João Heitor, Gabriel, Maitê, Isis e Miguel.

Eduardo na Formatura

 Eduardo Luiz da Silva teve uma vida pautada em padrões disciplinares, tanto na adolescência, quanto na vida adulta e idoso. Um exímio defensor e praticante da ética, do direito, da justiça, da paz, da solidariedade, da fraternidade, do amor e da adoração a Deus.

Na década de 1950, não existiam escolas no município de Chapadinha, e Eduardo integrou ao grupo de jovens que trabalhou para fundação do Ginásio Professor Mata Roma e posteriormente a Escola Ana Adelaide Belo e o Colégio Manoel José de Santana (ambos da CNEC - Campanha Nacional de Escolas da Comunidade). Foi líder estudantil e criou a Biblioteca Popular com livros fornecidos pelo MEC. Pode-se dizer que Eduardo Luiz foi o precursor na organização de eventos na cidade de Chapadinha, sendo o organizador de eventos como: a) as grandes festas do Arroz e do Babaçu, com desfile de rainhas em carros alegóricos pelas ruas da cidade; b) o primeiro Parque Junino na praça São Raimundo, quando Presidente do Grêmio estudantil Professor Júlio Bacelar; c) corridas de jumento e de bicicletas que eram atividades de lazer na época; d) excursões para Fortaleza patrocinadas pelo MEC, quando Presidente do Grêmio que tinham como participantes: professores e estudantes da Escola Normal Ana Adelaide Belo.

Eduardo também foi professor. Lecionou nos colégios: Ginásio Mata Roma, Escola Normal, Manoel José de Santana, Bandeirantes, Raimundo Araújo, 19 de março e no Colégio Francisco Almeida Carneiro - FAC e em São Luís, no bairro Filipinho, lecionou no Ginásio Arnaldo Ferreira e CEMA - Cohab (televisão educativa), em São José de Ribamar, foi bolsista da Nestlé (televisão educativa), e bolsista também no INAMPS.

Eduardo, Gilma e Família

Em meados de abril de 1964, quando secretario do Centro Operário, Eduardo Luiz, prestava assessoria ao Sindicato dos trabalhadores Rurais de Chapadinha, auxiliando o Presidente Antonio Athaíde, na redação e datilografando correspondências oficiais aos Ministérios da Justiça, da Agricultura e da Saúde. Nesse mesma época Eduardo era presidente do Grêmio Estudantil e tinha enviado um telegrama prestando solidariedade ao presidente João Goulart, e o telegrama tinha sido interceptado pala inteligência do Exército. Ainda havia contra ele uma correspondência de um colega de serviço, que fazia referência ao “Nosso Chefe,” onde o amigo enfatizava: “estive como nosso chefe” e para a inteligência do exército essa referência se tratava de alguma organização política, de algo muito perigoso. Também constava contra ele uma denúncia de comercialização de um livro de nome “PÃO E FEIJÃO,” livro este que Eduardo afirmou nunca ter lido e nem sequer sabia o nome do seu autor.

Eduardo Luiz começou a despertar as autoridades, que passaram a vê-lo como subversivo, o que culminou em uma invasão domiciliar e apreensão de documentos e passou 3 (três) dias em prisão domiciliar, sendo interrogado diuturnamente e sua prisão foi decretada no dia 12 de junho de 1964 e transferido para o Quartel do 24 BC na capital maranhense São Luís. Junto com Eduardo, foram presos também o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Chapadinha, Antonio Athaíde e Luizinho. Dias depois, foram liberados sob vigilância da polícia do exército.

Eduardo e Gilma, seu grande amor.

Como punição, Eduardo Luiz foi transferido para Barão de Grajaú, onde trabalhou por um ano. Em 1965, retorna pra Chapadinha, onde dá continuidade a seus estudos e a normalidade de sua labuta.

Eduardo Luiz tinha formação em Enfermagem, Farmacêutico, Bioquímico, Sanitarista especializado em saúde pública e saúde da família. Participou de vários Conferências na área da saúde, Seminários e de Conselhos Municipal de Saúde. Como profissional da saúde, trabalhou no HAPA – Hospital Antonio Pontes de Aguiar, Centro de Saúde Benú Mendes, Coordenador do PACS/PSF; Coordenador da Vigilância Sanitária; Coordenador da Vigilância Epidemiológica;  Foi Secretário Municipal de Saúde; Diretor do Departamento de Saúde CAIC; Gestor Regional de Saúde, Consultoria em Saúde Pública nos Municípios de: Barreirinhas, Urbano Santos, São Benedito do Rio Preto, Anapurus, Brejo, Santa Quitéria, São Bernardo, Tutoia, Araioses, Buriti de Inácia Vaz, Colinas e Pirapemas.

 Como político, Eduardo Luiz foi eleito vereador para um mandato de 6 (seis) anos em 1982, na coligação do prefeito José Almeida e presidiu a Câmara de Vereadores no biênio 87 a 88. Eduardo foi também Presidente do LIONS CLUBE e no dia 22 de fevereiro de 1972 entrou na Maçonaria e foi Venerável da Loja Maçônica Oliveira Roma por 2 (duas) gestões;

Eduardo com o poeta Herbert Lago

Em 1994, Eduardo Luiz e Dr João Batista dos Santos, fundaram a Academia de Letras, Artes e Ciências de Chapadinha, da qual foi o seu Vice-Presidente. Em 1995 Dr. João Batista foi embora de Chapadinha e Eduardo assumiu a presidência da Academia até 2004. Em 2007 assumiu a presidência novamente e ficou até 2014. Pode-se dizer que a Academia de Letras era um dos seus maiores “mimos,” era onde ele deixava fluir sua veia poética, como podemos observar em seus poemas: Dentre eles, “AMOR A NOSSA TERRA,” onde declara o seu amor por Chapadinha.


AMOR À NOSSA TERRA

Chapadinha Clama, grita por destaque,

Eu, você, nós devemos socorrê-la,

Erguê-la, ampará-la, protegê-la,

Sem temer críticas, e sem sentir recalque.

Quantas almas estão adormecidas

E, para o belo devem despertar

Imitando os irmãos Mata Roma

Figuram de lume deste lugar

As escolas tomam para si

A missão de nos orientar

E mostrar ao povo desta terra

Novos valores que iram brilhar.

Como estudioso e preocupado com as causas sociais, escreveu um trabalho, publicado no livro intitulado “IDOSOS, QUANTO SOMOS E QUEM SOMOS” onde enfatiza a situação do idoso no município de Chapadinha. Também tem poemas de sua autoria publicada na Antologia da Academia de Letras de Chapadinha Em seu seio familiar, Eduardo era chamado carinhosamente de “Dá”, pelo seu jeito generoso, e pelos amigos, de “Aroeira” em referência a árvore resistente, forte, duradoura e útil. 

Eduardo Luiz da Silva ou carinhosamente Eduardo Aroeira, faleceu no dia 02 de agosto de 2015 com 80 anos de idade e está sepultado em Chapadinha, no Cemitério de Nossa Senhora Aparecida.

Herbert Lago Castelo Branco

Fonte: Maria Betânia (Filha)

A reprodução deste texto ou qualquer parte dele é permitida, desde que seja dado o crédito de autoria conforme as normas e leis.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

A POESIA CHAPADINHENSE E SEUS REPRESENTANTES: ênfase em Helvécio Vieira Passos

  

Helvécio Vieira Passos

    Helvécio Vieira Passos, nasceu na Vila de Chapadinha no dia 07 de janeiro de 1918. Filho de Manoel Vieira Passos e Maria Amélia de Moraes Passos e teve mais 6 (seis) irmãos: Dalila de Moraes Passos, Enedina de Moraes Passos, Maria Domingas de Moraes Passos, Nilza de Moraes Passos, Otávio Vieira Passos e Zenaide de Moraes Passos. Começou os estudos na Vila de Chapadinha, depois foi para São Luís, onde cursou o ginásio no Liceu Maranhense. Mudou-se para a cidade de Ouro Preto, Minas Gerais, onde estudou Engenharia Civil, mas não chegou a concluir. Transferiu-se para a cidade do Rio de Janeiro, para trabalhar como funcionário público no IBGE.

Casou-se com Dieth Moreira, que era colega de sua irmã Nilza de Moraes Passos, na escola de Enfermagem Ana Nery. Não teve filho e ficou viúvo em 1955 com 47 anos de idade. Depois Helvécio casou-se novamente no Rio de Janeiro, com Yolanda Gomes, com quem também não teve filho.

Alguns anos depois, voltou para Chapadinha para administrar os bens da família e ajudar o seu pai no comercio.

Helvécio,Fátima,Manoel Vieira, Mª Dominga

Em 1948 com 30 anos de idade, Helvécio foi nomeado prefeito de Chapadinha. Não se sabe o motivo, em 1951 Helvécio renuncia ao cargo e voltou para o Estado do Rio de Janeiro, onde foi morar em Laranjal, município de Alcântara, cidade próxima a Niterói, onde foi convidado para trabalhar no DER – Departamento de Estradas de Rodagem da capital fluminense.

Como todo poeta Chapadinhense, Helvécio era um homem corajoso e sensível. Deixou poemas muitas vezes melancólicos e saudosistas ao lembrar-se de sua terra querida. Nas poesias publicadas em seu livro “POEMAS ESCOLHIDOS,” publicado postumamente em 2013 pela sua sobrinha e afilhada Maria Fátima Passos Chaves. Neles, ele fala de lugares, de pessoas e de sentimentos e o amor pela sua terra natal, como podemos ver no poema abaixo, desse grande poeta Chapadinhense.

 Um solitário no meio tantos,

um exilado em sua própria terra.

Mas nos seus olhos não havia pranto,

porque seu peito uma esperança encerra.

guardada com muita devoção.

Voltar pra lá, como diz a canção.

Porque lá está seu coração.

E não voltou, e nunca voltará.

Como o poeta jamais escutará,

o canto do sabiá.

 

Helvécio faleceu na primavera de setembro, no dia 19 de setembro de 1992, na cidade do Rio de Janeiro, com 74 anos de idade, sem voltar à Chapadinha, e os seus restos mortais estão sepultado no Cemitério São João Batista, em Botafogo no Rio de Janeiro.

 

Herbert Lago Castelo Branco

Fonte: Maria Fatima Passos Chaves – Sobrinha e afilhada.

A reprodução deste texto ou qualquer parte dele é permitida, desde que seja dado o crédito de autoria conforme as normas e leis.

 

 

domingo, 13 de fevereiro de 2022

A POESIA CHAPADINHENSE E SEUS REPRESENTANTES: ênfase e Mata Roma

 

  

Mata Roma

 José Mata Roma, mais conhecido como professor Mata Roma, era de origem humilde. Nasceu no século XIX na Vila de Chapadinha no dia 23 de janeiro de 1896. Nesse ano predominava o simbolismo, uma escola literária de poetas em que vários de seus integrantes morreram pobres, não tiveram obras publicadas e permaneceram ou permanecem esquecidos até hoje.

            Filho de Pedro Mata de Oliveira Roma e de Rita Teodolinda de Almeida. Ambos cearenses, escolheram o Maranhão para viverem e elegeram a então Vila de Chapadinha como sede da residência do casal, onde se estabeleceriam com um pequeno comércio e mais tarde explorariam também a agricultura. Ele tinha mais 10 (dez) irmãos, do primeiro casamento por parte de pai foram 4 (quatro): Isabel Mata de Aguiar, Joana Mata Roma (Noca), Pedro Mata Filho e Raimundo Mata Roma. Do segundo casamento com sua mãe Teodolinda, vieram o também intelectual, poeta e jurista, João da Mata de Oliveira Roma, Luiza Mata de Oliveira Roma (Lulu), Joaquim Mata Roma (Quincas), Francisco das Chagas Mata de Oliveira Roma e Maria de Almeida Mata Roma (Marieca) e mais uma irmã adotiva Francisca (Chiquinha Perna Curta).

            Ele começou os estudos na Vila de Chapadinha, mas logo seu pai o encaminhou, juntamente com eu irmão Oliveira Roma, para a cidade de Brejo, onde terminou o curso primário. Em Teresina, concluiu o primeiro e segundo grau, conhecidos hoje como Ensino Fundamental e Ensino Médio.

Casa onde Mata Roma morou, hoje BB.

Após superar diversas dificuldades em sua vida, e trabalhar como vaqueiro e mais tarde comerciante de sucesso em sua terra natal, no lugarejo conhecido como Bom Sucesso, hoje município de Mata Roma (cidade que tem seu nome como homenagem, fundada em 30 de setembro 1961) foi servir a Marinha em Belém do Pará, coincidindo com um episódio inusitado de seu desaparecimento nos anos da sua juventude. Embarcou em um navio velho onde se tornou taifeiro e encarregado de serviços de limpeza, sem deixar uma carta sequer explicando sua decisão, nenhuma pista deixou. Todas as buscas se esgotaram, sua família chegou a admitir sua morte.  Anos depois reapareceu em Chapadinha.

            Ao transferir-se para São Luís, deu continuidade aos seus estudos, dedicando-se integralmente, incentivado pelo seu irmão Oliveira Roma, com a intercessão de sua mãe dona Teodolinda. Prestando vestibular e ingressando na Faculdade de Direito, na Rua do Sol, formou-se em 8 de dezembro de 1925 Bacharel em Direito com 29 anos de idade pela faculdade de direito do Maranhão, onde foi professor.  Mais tarde, justificava a amigos seu desinteresse pela advocacia, por não saber dar preços aos honorários de seus serviços e constrangia-lhe cobrar qualquer valor das pessoas pobres e que tinham dificuldades até de se alimentarem.

Casou-se com Elza Ferreira Mata Roma, com quem teve 3 (três) filhos; Ritio falecido prematuramente; Marília, bibliotecária, assistente social, e professora da universidade de pós-graduação, residente no Rio de Janeiro e casada com o médico cardiologista Laércio Goulart Paiva; e Helena, funcionária pública, casada com o decorador Antenor Ventura e residente em Porto Alegre. O Casamento de Mata Roma com D. Elza perdurou cerca de dez anos, até que sua esposa, acometida de grave enfermidade, teve que ser levada para o sudeste do pais, para a cidade de Friburgo, onde o clima favorecia seu tratamento especializado. Não retornou mais para São Luís, e o motivo da separação do casal até hoje não se sabe, há quem especule que o casal se desentendeu numa das visitas que ele fez à esposa no Rio de Janeiro.                Elza faleceu no dia 5 de maio 1955 com 41 anos de idade, na cidade do Rio de Janeiro.

Pai Mata Roma

O começo de sua vida foi acidentado e de incessante luta para se firmar na vida. Talentoso, Mata Roma se notabilizou como exímio orador, porém, mostrou cedo sua veia literária. Era jornalista, poeta, político, catedrático de Português e apaixonado pela gramática. Apresentava-se sempre elegantemente, não dispensava um paletó. Tanto fazia estar em sala de aula como na câmara municipal de São Luís ou nas repartições que dirigiu.

Removeu os fados adversos e ingressou por concurso no Liceu Maranhense em 1930, com a tese A Questão Do Quê. Lecionou Literatura em diversos estabelecimentos de ensino da capital. Foi um dos fundadores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Luís, diretor do Colégio Estadual e do Colégio Cisne Branco, do qual foi proprietário. Lecionou de graça nos Colégios Centro Caixeral, São Luís e Santa Tereza. Mata Roma sempre terminava suas aulas com esse dito gracioso: “entrou pelo bico do pato, saiu pelo bico do pinto, meu senhor, mandou dizer para eu contar mais cinco”.

Na primeira metade do século XX, ocorre no Maranhão o fenômeno raro do aparecimento de verdadeiros mestres da Língua Portuguesa Clássica. Esses mestres estavam embriagados pela sabedoria gramatical vinda do século XIX e passada às gerações futuras por um dos fundadores dos estudos do idioma pátrio, Sotero dos Reis, que foi o autor de uma gramática normativa da Língua Portuguesa, A referência encontra ressonância na vida profissional de mestres como: Nascimento Morais e Mata Roma, que deixaram seus nomes para sempre gravados na história do Liceu Maranhense, cujo trabalho de educador fez nascer no Maranhão a cultura helenística, que ele conseguiu passar aos seus alunos durante três décadas de magistério. Mata Roma Fundou, ainda, a Biblioteca do Liceu, que recebeu o nome de Sotero dos Reis, sua inauguração ocorreu no dia 15 de dezembro de 1935.

Além de ocupar posições de destaques como delegado regional do Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários - IAPC, diretor do SESC e do SENAC, Mata Roma combatia as desigualdades sociais, seu desapego ao dinheiro fazia parte de sua personalidade. Um exemplo de humanista, sempre despojado, não perdia a oportunidade de ajudar as pessoas que o procuravam. Tinha dificuldade de dizer não. Foi eleito vereador mais votado (como candidato, em um comício no bairro de Fátima, ele proferiu o seguinte discurso: “não faço promessas enganosas. Eu não prometo nada a vocês, vocês votam se quiserem, porque não tenho nada a oferecer”. Mata Roma foi eleito também presidente da 4ª e 5ª legislatura da Câmara Municipal de São Luís de 01/02/1955 a 31/01/1959. (Meses depois de sua posse como presidente da Câmara, aconteceu um episódio que retrata o caráter e o lado humano de Mata Roma: havia muitos anos que um velho engraxate ocupava o corredor do edifício da Câmara Municipal. Um dia, um dos vereadores chamou Mata Roma e disse para ele: “presidente! Tire esse engraxate daqui do corredor! Essa cadeira e essa caixa dele! Isso não pega bem! Fica feio!” Aí Mata Roma respondeu: “olha meu besta, vou te dizer o seguinte: eu não posso entrar na câmara com meus pés se não entrar com o meu coração. Deixe-o aí, enquanto eu for presidente ele não sai”. Como político, Mata Roma não fazia concessão à corrupção.

Mãe de Mata Roma

Mata Roma era de caráter íntegro e rijo, deixou as marcas de uma personalidade forte, comprometida com princípios éticos. Um professor amado e idolatrado pelos seus alunos. Foi um professor que aglutinou em si o erudito, o intelectual, o poliglota e o escritor. Vivia cercado de amigos, entre eles a poetisa e comadre Zizete Cunha. Apreciava o luau de sua terra natal Chapadinha.  Era boêmio e extrovertido, mostrava-se alegre, bonachão, mas nem por isso deixaria de parecer um homem sofrido, surrado pela vida.

Mata Roma era uma das mais legitimas glórias da nossa literatura, um dos mais expoentes vultos de nossas letras. Em dezembro de 1945, tomou posse como titular da cadeira 17 da Academia Maranhense de Letras, cujo patrono foi Sotero dos Reis. Como poeta, ele se situa entre aqueles que, como Humberto de Campos que, em plena fase do modernismo, continuou a escrever sonetos parnasianos e simbolistas. Entre tantos trabalhos literários, escreveu Cartas Chilenas (inédito e até hoje não se sabe quem ficou com os originais); Visão Crítica; “Brasil”; Poemas in “Atenas”, (janeiro de 1940); Histórias Compiladas (1948); Velhos Ritmos, publicado postumamente em 20 de setembro de 1996 pela Academia Maranhense de Letras, dezenas de artigos e produções em prosa e versos publicados nos jornais da época, mostrando sua versatilidade.

Em 1945, foi um ano de profundas transformações a segunda guerra mundial havia terminado, o interventor Paulo Ramos foi substituído pelo Dr. Clodomir Cardoso. A mudança atingiu o Liceu Maranhense. Mata Roma foi nomeado Diretor. Com a designação o corpo docente rejubilou-se às escâncaras, começava a fase de ouro, inesquecível do Liceu Maranhense.

Sua obra prima, o soneto Tântalo, celebrizou-o pelo caráter inusitado da inovação poética para a época. Daí porque até hoje o poema é citado e recitado como uma das referências dos melhores textos escritos no Maranhão de então.

Em 1948, aos 50 anos de idade, o poeta foi tomado por uma avassaladora e devastadora paixão por uma aluna adolescente que lhe inspirava antológicos sonetos.

Não tendo materializado o amor, segundo consta, ele reinventa o mito, transpondo-o da necessidade biológica para o plano da necessidade psicológica.

O Soneto Tântalo reflete a frustração só realizada no plano platônico. A tragédia de Tântalo revisada por Mata Roma traz de volta os mitos de Safo, Abelardo e Heloisa, Édipo e Jocasta, Romeu e Julieta, Dom Pedro e Inês de Castro.

É que havia um rei na Líbia, antiga Mesopotâmia – chamado Tântalo, casado com Ceres, deusa da Agricultura. E desta união nasceram 14 filhos. Um dia, Tântalo ofereceu um jantar para os deuses Apolo e Diana, mas Tântalo não tinha nada a oferecer nesse jantar. Contra a vontade de Ceres, Tântalo matou uma de suas filhas Penélope, e ofereceu um banquete a Apolo e Diana. Na hora que foi servir o jantar, imediatamente Apolo e Diana perceberam que aquela carne era humana. Diante dessa estupidez cometida por Tântalo, os deuses o condenaram a um atroz suplício: toda vez que ele tentasse comer alguma coisa, uma fruta, por exemplo, esta se afastava dele; se tentasse beber água, esta também se afastaria. Como castigo, os deuses Apolo e Diana vaticinaram que seus 13 filhos restantes, quando completassem 14 anos, seriam flechados e se transformariam em pedras. E isso na mitologia, aconteceu.

Voltando à realidade, Mata Roma amava com a mesma intensidade sua esposa Elza e essa jovem, sua aluna. Mas, toda vez que se aproximava dela, lembrava que era casado, muito bem casado, e respeitava sua mulher. E assim, nada houve entre eles.

Diante desse amor impossível (pelo menos à época), dessa paixão, inebriado e sofrendo com a ironia do destino, Mata Roma foi buscar na mitologia Greco-romana refúgio para as dores do seu coração. E aí, compôs Tântalo, um dos mais belos sonetos da Literatura Maranhense

TÂNTALO

Conta uma lenda antiga, cuja fama

Pelos tempos modernos inda voo,

Que lá no inferno, condenado à toa,

De fome e sede Tântalo rebrama.

 

Junto, corre uma fonte clara e boa.

Perto, um galho de fruta se recama.

Mas, se ele quer comer, se afasta a rama,

E, se tenta beber, a água se escoa.

 

Tem minha vida e a leda o mesmo traço,

Flagela-me também um vão desejo,

Fome e sede incontida também passo.

 

Punido como Tântalo me vejo:

Tão perto desse corpo, e não te abraço!

Tão junto dessa boca, e não te beijo!

Em 1947, aconteceu uma violenta crise interna no Liceu, motivada pela inesperada nomeação do professor Araújo para Diretor do Liceu Maranhense, nenhum aluno estava indo às aulas e todos exigiam a volta do professor Mata Roma. O prefeito de São Luís, Costa Rodrigues, mandou o secretário Merval convocar a Congregação dos Estudantes, a fim de que esta indicasse uma lista tríplice. A Congregação decidiu deixar a critério do Governador a escolha do diretor. E para alegria dos professores e alunos, o mestre Mata Roma foi reconduzido à direção do Liceu. Portanto. Paz, estudo, poesia nas salas e corredores do Colégio.

Mata Roma gostava de tratar os alunos e amigos com o tratamento especial de “meu besta”. Assim o fez quando recepcionou José Sarney em junho de 1952 ao entrar na Academia Maranhense de Letras. Ele disse: “entra meu besta, a casa é sua! ”.

Por ocasião de sua última visita à cidade de Chapadinha, em julho de 1959 (já bastante debilitado), Mata Roma disse à poetisa Zizete Cunha: “minha comadre, esta será a minha última viagem à Chapadinha, estou chegando no começo do fim”. Mata Roma também não tinha apego ao acumulo de bens, até a sua morte, sempre residiu no Hotel Maranhense, na rua grande. Na mesma ocasião de sua vinda à Chapadinha doou seus únicos bens. Algumas cabeças de gado para o seu vaqueiro Antônio Francês e um pequeno interior denominado de “Quebra Cabeça” para uma de suas sobrinhas Maria Roma.

Apesar de não ser muito afeito à religião, nos seus últimos dias de vida pediu para se confessar, no que foi atendido pelo seu amigo padre Artur Gonçalves, que era capelão da polícia militar.

Sem nenhum lamento, e tal qual Sócrates, Mata Roma morreu conversando com o amigo Benjamim. As últimas palavras pronunciada por ele foi um pedido que fez ao amigo: “Benjamim, quando eu morrer eu quero que tu faças um discurso para fazer chorar até as casuarinas”.

Mara Roma foi vítima de câncer nos pulmões, provavelmente pelo consumo excessivo de cigarro. E faleceu na Santa Casa de Misericórdia, em São Luís, no dia 20 setembro de 1959, aos 63 anos de idade. No seu enterro, à beira do túmulo, em meio a muitos soluços, emoções e lágrimas, muitos discursos foram proferidos. Está sepultado no Cemitério do Gavião, na gaveta nº 332 da 3ª sessão onde, quando ainda em vida, pediu para ser sepultado.

Em artigo publicado em jornais à época disse o jornalista Zuzu Nahuz: “... Até o dia do seu sepultamento coincidiu com o dia da “arvore” simbolizando a queda brutal de um dos mais velhos e frondosos jequitibás do magistério público de nossa terra”

.Herbert Lago Castelo Branco

Extraído do livro MATA ROMA: O Tântalo de Chapadinha

            Se tiver interesse em saber mais sobre Mata Roma, indico os livros "DO GIBÃO AO FARDÃO

Ex               de Raimundo Marques e MATA ROMA: O Tântalo de Chapadinha, de Herbert Lago

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