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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

A POESIA CHAPADINHENSE E SEUS REPRESENTANTES: ênfase em Herbert Lago Castelo Branco

 

Herbert Lago

    Herbert Lago, como ele diz gostar de ser chamado, é natural de Chapadinha - MA, nasceu no dia 16 (dezesseis) de dezembro de 1956, é filho de Bernardo Mendes Castelo Branco (Sr. Benú Mendes) e Maria da Conceição Lago Castelo Branco (Dona Neném), e teve mais 23 (vinte três) irmãos, sendo 6 (seis) do primeiro matrimônio: Francisco Mendes Castelo Branco, Bernardo Mendes Castelo Branco Filho, Maria do Socorro Mendes Castelo Branco, Luís Carlos Mendes Castelo Branco (Carlito), Mario Mendes Castelo Branco e José Mendes Castelo Branco Sobrinho, e do segundo matrimônio com sua mãe foram: José Carlos Castelo Branco, Maria Ires Lago Castelo Branco, Maria do Rosário Castelo Branco, Francisco Castelo Branco, Maria da Conceição Lago Castelo Branco, João de Deus Lago Castelo Branco, Sonha Teresinha Lago Castelo Branco, Raimundo Nonato Lago Castelo Branco (Veinho), Maria Lúcia Lago Castelo Branco, Antonio de Pádua Lago Castelo Branco, Paulo Roberto Lago Castelo Branco (Paulinho), Maria Gorete Lago Castelo Branco, Rogério Luis Lago Castelo Branco, Ana Lina Lago Castelo Branco e mais 2 (dois) irmãos adotivos: José Caruso e Joana.
Herbert com 4 anos com o avó, pais e irmãos

Herbert Lago começou os seus estudos em 1963, com 7 (sete) anos de idade, na Escola Amélia Almeida, onde foi alfabetizado pela professora Amélia Almeida e seu esposo Sr. Dico.  Em 1969 foi estudar o segundo ano primário no Colégio Antonio Pontes de Aguiar, sendo a sua professora a poetisa Zizete Cunha, ficando até 1971 quando concluiu a 4ª série do primário. Em 1972 foi fazer 5ª série no Colégio Paulo Ramos e em 1973 foi para o Ginásio Manoel Vieira Passos, onde concluiu o 1º e o 2º ano do Ginásio. Em novembro de 1974 sua mãe o levou para fazer um tratamento em Teresina e por lá ficou morando na casa dos seus tios Luís Ferro Lago e Maria Raimunda Melo. Em Teresina trabalhou como cobrador de seguros no Turing Clube do Brasil. Em 1976 Concluiu o Ginásio (ensino fundamental) no Colégio Estadual Leão XIII e em 1977 matricula-se no Liceu Piauiense.  Mas como todo retirante nordestino, no final de abril de 1977, pegou o seu salário de R$ 115,00 e comprou uma passagem no valor de R$ 81,00 para Brasília.  Sem falar para os tios, Herbert na época com 20 anos de idade, incentivado pelo seu irmão adotivo José Caruso, foi embora para Brasília-DF. Onde morou com a sua irmã Maria Iris. Logo que chegou em Brasília fez um teste nos Correios e no dia 24 de junho de 1977 ingressa nos Correios e Telégrafos como Auxiliar de Serviços Gerais. Ficou na casa de sua irmã até ser contratado, depois alugou um barraco de fundo no Conjunto I da QI-10 do Guará I, onde morou por 4 (quatro) anos, até conhecer Maria Salete, em setembro de 1981, com quem foi morar junto no dia 04 de dezembro de 1981. Oficializando o casamento no civil somente em 1987, e desse matrimônio tiveram 2 (dois) filhos: Herbert Paiva Castelo Branco, que nasceu em outubro de 1982 e Huara Paiva Castelo Branco, nascida em fevereiro de 1984. Até esta data Herbert tem 3 (três) netos: Filipe Mesquita Castelo Branco, Hugo Uchôa Castelo Branco e Hester Uchôa Castelo Branco.


Herbert com a familia

    Em 1979 conclui o 2º grau (ensino médio) no Colégio Jk (Juscelino Kubitschek. As dificuldades financeira que tivera depois do casamento, o nascimento dos filhos e o seu engajamento na luta sindical, impossibilitou na conclusão dos estudos. Ainda chegou a cursar por 2 (anos) o curso de jornalismo na Faculdade JK (Juscelino Kubitschek) e 2 (dois) anos do curso de Ciências Políticas no Colégio Compacto. (Tem Cursos Técnicos em Administração de Empresa e de Recursos Humanos). 

Como funcionário dos Correios, Herbert Lago também exerceu cargos de confiança como: Chefe de Seção Administrativa, Subgerente de Segurança Patrimonial e Assessor de Gestão das Relações Sindicais e do Trabalho.

Em 2012 disputou as eleições para vereador em Chapadinha e obteve 361 votos, ficando na 3ª suplência. Em 2013, aposenta-se por tempo de serviços nos Correios e realiza o seu sonho de voltar para sua terra querida Chapadinha.

Casa onde o poeta nasceu - hoje é o Nenezão

Em 2013, a convite da prefeita Belezinha é nomeado para o cargo de Secretário de Cultura. Alegando falta de autonomia e recursos na pasta, entrega o cargo em junho do mesmo ano. Em março de 2014 assume o cargo de Diretor Geral da Câmara Municipal de Chapadinha, a convite do então presidente Nonato Baleco. Na sua gestão na Câmara foi implantado o site do Portal da Transparência da Câmara as transmissões das Sessões da Câmara pela Rádio Mirante e organizou a Biblioteca e o arquivo geral da Câmara.

Herbert Lago é poeta, escritor, ativista político e jornalista por vocação, protagonista de uma longa história de militância política partidária, sindical e social. Ingressou na militância partidária em 1978, com 21 anos de idade, e depois no Sindicato dos Escritores do Distrito Federal e no Sindicato dos Trabalhadores dos Correios. Dando início à sua luta em defesa dos trabalhadores, exercendo diversos cargos como: Delegado Sindical, Diretor de Imprensa e Divulgação, Diretor Financeiro, Diretor Administrativo, tendo ainda coordenado a lua contra a privatização dos correios no governo Fernando Henrique. No campo social Herbert Lago foi Presidente do Conselho Deliberativo e Diretor Administrativo da Associação Recreativa dos Correios (ARCO).

Herbert no movimento sindical dos correios

Em 1986 Herbert Lago criou o Jornal Alternativo Cultural A PROSA, com circulação nacional e o Jornal A GAZETINHA em Chapadinha, publicando até 1991. Nos anos 80 até 92, Herbert teve uma ativa participação nos movimentos culturais do Distrito Federal. Fundou a Academia de Letras dos Poetas Alternativos, da qual foi o seu primeiro presidente e tem publicado uma vasta produção literária no campo da poesia, literatura infantil, biografias e sobre a história de Chapadinha.

Livros publicados: LUA DOCE LUA (poesia) 1986; BRINDALUZ (conto infanto-juvenil) 1987; POEMAS & PROTESTOS (poesia) 1989; PRISTOLINO, o menino que comia terra (conto infantil) 1991; VERSOS AVOANMTES (poesia) 2004; SUJEITO INACABADO (poesia) 2014; MATA ROMA: O Tântalo de Chapadinha (biografia) 2018; A HISTÁRIA DE CHAPADINHA EM VERSOS (história) 2021 e já está impresso para ser lançamento no dia 22 de julho o seu último livro de poesias DIANTE DE TODOS OS OLHARES (poesia) 2022. Participou ainda de diversas antologias poéticas, tais como: POETAS BRASILEIROS DE HOJE 1985; ANTOLOGIA DE POETAS DE BRASILIA 1985; FALA SATÉLITE 1986; IBIRAPITINGA 1994; POEMAS – COLETIVO DE POETAS DE BRASILIA 1990; ITERNACIONMAL POETRY 1989; POETAS BRASILEIRO 1996; CATÁLOGO DA PRODUÇÃO POETICA DOS ANOS 90, (1995). Herbert também prefaciou os livros: POEMAS E PALAVRAS 1991; MOMENTOS POÉTICOS 1992; TEMAS E ESBOÇOS  1995, do poeta Nonato Vale. Herbert Lago Castelo Branco escreveu ainda em colunas para diversos jornais e revista da imprensa alternativa nos anos 80 a 90.

Em 1982, a Câmara Municipal de Chapadinha sob a presidência do Vereador Eduardo Luiz da Silva, aprovou uma “MONÇÃO HONROSA,” indicação do Vereador Ademir Cunha, pela sua atuação no jornalismo e na cultura e o amor dedicado à Chapadinha.

Casa onde passou sua adolescência 

Pensando já em retornar para Chapadinha, Herbert fundou no dia 13 de dezembro de 2006 a Biblioteca Alternativa, na Rua do Comércio 1161 Centro, hoje com um acervo de 10 mil livros de variados temas a disposição de todos os Chapadinhenses, como uma maneira de levar ao seu povo o incentivo à leitura o acesso aos livros e ao conhecimento da literatura e a cultural em geral.

            É assim o poeta Herbert Lago, que em seu poema “SUJEITO INABACADO,” se defini como um palhaço sem alegria, embora muitas vezes uma pessoa alegre e extrovertida.  Já em seu poema “BASTA BRASIL” Herbert expõe a sua visão da humanidade que está em constante processo de mudanças e aprendizado.

Com alunos da Escola Batista

            Herbert diz ainda que sua influência na poesia é o poeta repentista Chico Bolota. Mas a sua inspiração principal veio dos anos 80 onde ele fala ter lutado junto ao pais no Movimento das “Diretas Já”, que tinha como objetivo a volta das eleições diretas para Presidência da República do Brasil. Já no poema “ODE A CHAPADINHA” ele declara tudo que sente por sua cidade, desde o seu tempo de criança, onde tomava banho na Macaoca, no Rio Munim, andava de bicicleta e passeava pela praça. Poema de caráter melancólico e saudosista quanto a ânsia que ele sentia em voltar para a terra amada Chapadinha, pois na época da concepção do poema ele morava em Brasília.

ODE A CHAPADINHA

Quero voltar para Chapadinha,

de onde nunca deveria ter saído.

Quero voltar a voltear naquelas praças

e sentar nas cadeiras do Abrigo.

Fazer piquenique na Macaoca

tomar cachaça com minha patota,

na Maria Mulata ou no Mundoca.

Quero voltar para Chapadinha

e de lá nunca mais sair,

andar pelas ruas de bicicleta,

tomar banho o Rio Munim.

Quero voltar para Chapadinha

e de lá nunca mais sair.

Brincar de Bumba-meu-boi,

Ver as vaquejadas,

um dia eu volto para lá

e ouvir o canto da Pipira

no olho da palmeira.

E se ainda estiver sabiá,

o seu canto eu quero ouvir.

Quero voltar para Chapadinha,

e de lá nunca mais sair.

            Como todo poeta Chapadinhense, Herbert Lago demostra em seus versos o seu grande afeto para com a sua terra natal. Hoje Herbert está com 65 anos de idade e mora em Chapadinha e Brasília e dedica o seu tempo a Biblioteca Alternativa e escrever.

 

Fonte: MONOGRAFIA de Edilaina Vasconcelos Bezerra

Aluna do Curso de Letras da FAP – 2015.

A reprodução deste texto ou qualquer parte dele é permitida, desde que seja dado o crédito de autoria conforme as normas e leis.

 

 

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

A POESIA CHAPADINHENSE E SEUS REPRESENTANTES: ênfase em Fernando Nunes

 

Fernando Nunes

     Domingos Fernando Nunes de Sousa Pereira, mais conhecido como Fernando Nunes, nasceu no povoado “Morro Grande” município de Chapadinha, no dia 18 de junho de 1989, onde passou os seus primeiros 2 (dois) anos de idade. Fernando é o 6 (sexto) filho do lavrador José da Conceição Pereira e da quebradeira de coco Maria de Jesus Nunes de Sousa Pereira e tem mais 6 (seis) irmãos:  Maria Francisca Nunes de Sousa Pereira, José da Conceição Pereira filho, Antônio Francisco Nunes de Sousa Pereira (Branco) Raimundo Nonato Nunes de Sousa Pereira (Dico) Joseane Nunes de Sousa Pereira (deusa) e Josiel Nunes de Sousa Pereira. 

Em 1992 seu José e Dona Maria, como eram conhecidos os pais de Fernando, a procura de melhorias de vida e melhores condições de estudo para os seus 7 (sete) filhos, abandonaram a zona rural e vieram para a cidade de Chapadinha.

Ao chegarem em chapadinha seu José tratou logo de matricular os filhos na escola, pois mesmo sendo um homem simples, humilde e de pouco estudo, sempre teve a consciência e dizia para os seus filhos que o estudo era a única riqueza que poderia oferecer para eles.  

 

Fernando Nunes estudou os primeiros anos na “Pré-Escola Pingo de Gente,” localizada no bairro Campo Velho, onde a família fixou residência. Depois cursou do primeiro ao quarto ano na “Escola Presidente José Sarney,” também localizada no bairro do Campo Velho.  Onde desde cedo já demostrava grande aptidão para o desenho e as artes plásticas, causando logo uma enorme admiração por parte dos professores e dos seus colegas de turma. Aos 12 anos de idade foi estudar na “Escola Isaias Fortes de Menezes,” onde participou de Oficinas Culturais, de Literaturas, Teatro, Karatê e Capoeira. Tornou-se membro do grupo “Angoleiros da Chapada,” primeiro grupo de capoeira de Chapadinha, liderada pelo professor Formiga (Toinho), onde permaneceu por 2 (dois) anos. Depois participou por 8 (oito) anos do grupo de capoeira “Muzenza” sob o comando do professor Sérgio (Raposa).

 

Aos 14 (quatorze) anos de idade Fernando Nunes já demostrava o seu talento para o desenho, para as artes plásticas e começou também a escrever os seus primeiros poemas. Apesar da pouca idade distribuía a seu tempo entre o desenho e a poesia.

Fernando com a esposa e filha

 

De 2005 a 2008, Fernando Nunes cursou o Ensino Médio na Escola Estadual C.E.M - Centro de Ensino Médio Raimundo Araújo, época em que iniciara na profissão de pintor letrista e residencial no Atelier "Visual Artes," localizado na Avenida Presidente Vargas, sob o comando de Leandro Araújo (Leandro pintor). Durante 2 (anos) na parte da manhã, dedicava-se ao trabalho de letreiros e pinturas de residências e lojas de Chapadinha, e os seus estudos durante a tarde até a conclusão do Ensino Médio.

Ingressou no (CEESERMA) Centro de Ecumênico de Estudos Religiosos do Maranhão, para cursar pedagogia e teologia, mas abandou antes da conclusão.

 

            Em 2013, com 24 anos de idade, conheceu a jovem Alexandra Costa da Silva, que tinha 18 anos de idade, filha de Francisco Lopes da Silva e Maria Francisca da Conceição Costa da Silva, também oriundos do povoado "Morro Grande.” Em 2015 nasceu o fruto desse matrimônio, a sua filha Fernanda Dominique Costa Nunes, hoje com 7 (sete) anos de idade.

Fernando Nunes no seu Atelier

 

            Fernando Nunes, desde cedo foi um leitor assíduo de poesia, literatura, filosofia e história da arte. Esse conhecimento faz com que expresse em suas telas, uma pintura de traços firmes e de cores fortes. Hora transitando no estilo cubistas, expressionista e no abstracionismo. Aproximando-se também de um surrealismo onírico. Através de sua pintura atípica caracterizada principalmente pela “deformação proposital” de sua paleta de cores vibrantes. Fernando Nunes se aproxima cada vez mais de se tornar um modernista chapadinhense, sempre em busca de uma digital própria.

 

Na poesia, Fernando Nunes tem um estilo livre, de poemas curtos, mas de cadência profunda e ritmada, como podemos perceber abaixo em “MEU VERSO É TORTO”

 

   MEU VERSO É TORTO

 

Meu verso é torto,

Perdido entre o feio e o belo,

Mundo aonde me fecho,

Camuflado, branco, preto, vermelho, amarelo...

 

Meu verso é torto,

Feito nas tardes porosas,

Mastigado pelo tempo,

Dentro de seu próprio sentido, absorto, asas ao vento...

 

Meu verso é torto,

Pássaro de carne,

Voo rasante,

Rangido das horas,

Rastros do vento,

Desproporção, osso, pêlo, cartilagem,

Perfil traçado nas paredes do tempo.

 

            Chapadinha tem um legado poético valioso para a nossa história, e na atualidade observa o alvorecer de uma nova poesia, como as de Fernando Nunes, que mostra de forma clara que a poesia Chapadinhense não expirou, continua florando, muito viva e fluente na inspiração de uma nova safra de poetas com um estilo próprio como é o poeta Fernando Nunes.

 

Herbert Lago Castelo Branco

A reprodução deste texto ou qualquer parte dele é permitida, desde que seja dado o crédito de autoria conforme as normas e leis.

Fonte: Fernando Nunes

 

 

 

 

           

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

A POESIA CHAPADINHENSE E SEUS REPRESENTANTES: ênfase em Lourival Passos.

    

Lourival Passos

    Lourival Vieira Passos, nasceu em Chapadinha, no dia 23 de setembro de 1925, em uma família de intelectuais e políticos. Filho de Manoel Vieira Passos e Raimunda Maria da Conceição e teve mais 7 (sete) irmãos: Nilza Moraes Passos, Zenaide Moraes Passos, Enedina Moraes Passos, Maria Domingas de Moraes Passos, Dalila de Moraes Passos, Otávio Vieira Passos e Helvécio Vieira Passos.

     Em 1937, com apenas 12 anos de idade, Lourival Passos foi morar com suas irmãs Nilza e Zenaide em São Luís para estudar. Lá, ele fez o curso primário no Instituto Cerveira. Depois fez o curso de admissão para o Ginásio no Colégio Cysne Branco.

        Em 1943, completado seus 18 anos de idade, foi para a cidade de Ouro Preto, Minas Gerais, com o seu irmão Helvécio, para cursar a Faculdade, mas não chegou a concluir e retorna para São Luís.

      Lourival cortejava sua prima Áurea desde novinha, ainda de menor, ela era uma mocinha muito bonita. Mas a mãe de Áurea, dona Leoneza Vieira, não consentia o namoro, mas mesmo assim, Lourival e Áurea começaram a namorar escondidos. À época, Áurea até namorava outro rapaz, mas quando Lourival chegava de férias em Chapadinha, ela terminava o namoro para ficar com o primo Lourival, as escondidas. Áurea ainda chegou a ficar noiva de uma rapaz chamado Milton, que trabalhava na Coletoria da Fazenda. Até que um dia Lourival veio de férias para Chapadinha e Áurea terminou o noivado e fugiu com Lourival para São Luís, no lombo de um cavalo. Saíram de Chapadinha para a Lagoa Amarela. De lá foram para Urbano Santos, de Urbano Santos para Morros e de Morros foram para São Luís. Chegando em São Luís, eles pediram abrigo na casa de Aldenora, esposa do Coelhinho da Rebeca (violino). E daí, Aldenora organizou o casamento de Lourival com Áurea no religioso.

Lourival, Áurea e o neto Zanata

            Em 1949, com 24 anos de idade, Lourival casou-se com a sua prima Áurea da Paz Vieira, as escondidas em São Luís, porque a mãe dela, dona Leoneza, não aceitava o namoro. E dessa união tiveram 5 (cinco) filhos: Rosália Maria de Sousa Passos, professora, Rosanea Maria de Sousa Passos, pedagoga, Rosângela Maria de Sousa Passos, formada em Administração, Romero Março de Sousa Passos, funcionário público e Robson Manoel de Sousa Passos, funcionário federal do INSS, que lhes deram 12 (doze) netos: Fernanda Passos Dias Wolff, Fabiana Passos Dias, Ruannita Passos Dinis Silva,  Renan Passos Dinis da Silva, Zanato Passos Costa, Camila de Sousa Passos, Sabrina de Sousa Passos, Carolina de Sousa Passos, Cecília de Sousa Passos,  Maria Ivanilde Passos e Fabricia Passos Dias.

Regressa para Chapadinha, onde deu continuidade aos estudos, concluindo o curso de Contabilidade no Colégio Comercial José Caetano (CNEC), e para seguir a carreira de professor fez o Curso Normal (Pedagogia), no Colégio Raimundo Bacelar.

            De 1950 a 1955 trabalhou no escritório do seu pai Manoel Vieira Passos. Trabalhou ainda, na Coletoria Estadual de Chapadinha como Agente Fazendário de 1954 a 1969, Chefe da Coletoria de Afonso Cunha de 1967 a 1969, Agente Recenseador do IBGE de 1950 a 1969, Secretário Executivo da Câmara Municipal de Chapadinha de 1984 a 1989, Diretor Administrativo da Câmara Municipal de Chapadinha de 1989 até 1991. Foi ainda contador por vários anos do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Chapadinha.

Lourival e João Batista Santos

Lourival Passos era professor de Literatura, Português, Redação Oficial e Comercial, Direito e Legislação. Além de vários estabelecimentos de ensino estadual e particular, foi professor de Literatura no Colégio Raimundo Bacelar e também no Centro de Ensino Raimundo Araújo de 1986 até o seu falecimento em 1995.

       Lourival Passos foi fundador da Academia de Letras, Artes e Ciências de Chapadinha, da qual era acadêmico efetivo e tem poesias de sua autoria publicadas na Antologia da Academia de Letras.                    Lourival era um boêmio inveterado, poeta, músico, cantor e compositor. Compôs várias música, ainda inéditas e escreveu várias poesias, como esta que ele fez para sua esposa Áurea por ocasião de seu falecimento em 04 abril de 1994.

 

ÚLTIMO ADEUS

 Seu último suspiro

Foi seu último adeus

                                                      Num leito hospitalar, longe dos meus olhos,

                                                 Deus o levou para sempre.

                                                      E a tenho bem guardada, quem nesta vida,

                                                      Soube ser mãe, companheira,

                                                  amiga e bem amada.

                                                 Deus a tenha consigo

                                                  No seu reino muito além.

                                                   Aqui na terra fica comigo

                                                  A saudade de um bem,

                                                      Que floriu ainda criança.

                                                    Mas que, tenho esperança

                                                 De um dia encontrá-la.

                                                   E na presença de Deus,

                                                      Aperta-la nos meus braços

                                                   E ainda poder ama-la.

            Em Chapadinha existiam alguns baluartes quando o assunto é a música, ainda mais quando se fala de algo mais específico, como o bem tocar violão, e nessa seara é impossível não lembrar de Lourival Passos.

Lourival no violão

Lourival Passos, por certo foi encontrar a sua amada Áurea. Faleceu no dia 7 (sete) de novembro de 1995, um ano e sete meses depois do falecimento de sua esposa Áurea, aos 70 anos de idade e está sepultado em Chapadinha, no Cemitério Central Nossa Senhora das Dores.


Herbert Lago Castelo Branco

Fonte: Rosanea Passos (Filha)


A reprodução deste texto ou qualquer parte dele é permitida, desde que seja dado o crédito de autoria conforme as normas e leis.

 

  

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

A POESIA CHAPADINHENSE E SEUS REPRESENTANTES: ênfase em Eduardo Luiz

 

Luiz Eduardo da Silva

    Eduardo Luiz da Silva nasceu no dia 13 de outubro de 1935, na Ilha das Canarias, no município de Araioses, estado do Maranhão. Filho de João Luiz da Costa e Luiza Florência da Silva Costa e teve mais 7 (sete) irmãos: Maria de Nazaré da Silva Costa (Lelé), Maria do Socorro da Silva Costa (Moça), Maria da Silva Costa (Mariazinha), José Luiz da Silva Costa (Zé Bicudo), Raimunda Nonata da Silva Costa (Raimunda), Maria Luiza da Silva Costa (Maria Luiza) e Carlos Alberto da Silva Costa (Carrim). Aos 5 (cinco) anos de idade, sua família migrou para a cidade de Tutóia, onde moraram durante dois anos e posteriormente aos 7 (sete) anos de idade, mudaram para a cidade de São José de Ribamar, onde passou toda a sua adolescência e juventude. Em São José de Ribamar, foi pescador, padeiro, e vendedor ambulante de frutas e animais para consumo alimentar. Com 17 anos de idade Eduardo se alistou no Exército Brasileiro e com apenas 20 anos de idade, ingressou no Serviço Público Federal - DNERÚ, no Serviço Nacional de Combate à Malária. Na época, não era realizado concurso público, e o ingresso se dava através de indicação. Esse momento de sua vida retrata um fato curioso que merece destaque: “Um dos seus vizinhos em São José de Ribamar, tinham parentes ricos em São Luís, e a matriarca dessa família ia aos domingos assistir à missa em São José de Ribamar. Um certo dia, ela perdeu o transporte de volta e teve que dormir na cidade de São José de Ribamar, mas seus parentes eram pobres e não tinham rede de reserva para oferecer-lhe. Ficaram preocupados e falaram com sua mãe dona Luíza, que os tranquilizou dizendo que a rede do Eduardo, estava lavada, e ainda não tinha sido usada e que ia falar com ele para emprestá-la. Dona Luiza falou com Eduardo, e ele de pronto, consentiu e foi dormiu em uma cadeira preguiçosa. A senhora idosa e experiente, ficou surpresa com aquela rede limpa e cheirosa, e conhecendo a condição dos parentes, quis saber como e onde tinham conseguido aquela rede que proporcionou uma noite tão bem dormida. A parenta dela contou com detalhes, e ela então fez questão de falar com Eduardo, que relutou, mas ela insistiu em conhece-lo. Na conversa, ela quis saber se ele tinha emprego. Eduardo respondeu que não, aí ela perguntou se ele gostaria de trabalhar no serviço de combate à Malária. Eduardo de pronto disse que sim. Ela então deu o seu endereço para que ele a procurasse. No dia seguinte, Eduardo foi a São Luís, no endereço entregue a ele. Era na casa dela, que o recebeu com muita educação e entregou-lhe uma carta de recomendação ao Diretor Edgard Barros, chefe do setor da Malária. Edgard leu a carta de recomendação e disse: “Você está empregado, não posso negar um pedido da senhora Juju, mãe do meu amigo Orisvaldo, presidente da Caixa Econômica”. Foi assim, com esse gesto de solidariedade que Eduardo Luiz conseguiu seu primeiro emprego, com 20 anos de idade.”
Eduardo com familia

Às 8:00 horas da manhã de sábado do dia 23 de maio de 1957, Eduardo Luiz da Silva, desembarca de um avião bimotor no Aeroporto de Chapadinha, vindo transferido de São José de Ribamar para trabalhar em Chapadinha, com a missão de implantar o Serviço de Saúde Pública no Município de Chapadinha.

No Aeroporto, o então prefeito de Chapadinha, Raimundo Vieira de Almeida (Mundiquinho) lhe esperava com uma comitiva de Vereadores, Delegado, comerciantes e correligionários. E a pé, dirigiram-se para a residência do prefeito que lhe recepcionou com um banquete.

Eduardo Luiz foi convidado para hospedar-se na residência do senhor Mundico Lobo e dona Chiquita, pais de Pedro Lobo e Bené Lobo, e com eles morou por 2 (dois) anos. Saindo somente após contrair matrimonio.

Em uma das muitas serestas que participava, Eduardo Luiz conheceu uma linda Chapadinhense por nome Gilma Maria Oliveira Silva, que trabalhava na Loja Trapiá. Ele sempre de olho nela, inventou de comprar uma cortina para fazer uma divisória no local onde trabalhava. Chegando na Loja Trapiá, procurou logo a Gilma, para que ela lhe atendesse. E daí começaram com o namoro. E no dia 13 de outubro de 1959, no dia em que Eduardo completava 24 anos de idade, casou-se com Gilma, que completaria 24 anos 12 dias depois. E dessa união tiveram 8 (oito) filhos biológicos e 2 (duas) filhas adotivas, sendo eles: Huda, sobrinha da Gilma que veio para o convívio da família aos 2 (dois) anos de idade, Eduardo Filho (in memoriam), Ludmila, Francisco de Assis, Eglajef, Maria Betânia, Giselda, Eduardo Segundo, Fabiola e Gilbertiana, também sobrinha da Gilma que veio para o convívio da família aos 5  (cinco) anos de idade e teve 16 (dezesseis) netos: Luiz Eduardo, Vanessa, Yuri, Rodrigo, Alexandre, Stefanne, Ludmylla, Jéssica, Chiara, Danilo, Lucas, Lívia, Isabella, Beatriz, Ana Beatriz, Eduardo Benício. E até esta data (2022), 7 (sete) bisnetos: Gabriela, Eduarda Sofia, João Heitor, Gabriel, Maitê, Isis e Miguel.

Eduardo na Formatura

 Eduardo Luiz da Silva teve uma vida pautada em padrões disciplinares, tanto na adolescência, quanto na vida adulta e idoso. Um exímio defensor e praticante da ética, do direito, da justiça, da paz, da solidariedade, da fraternidade, do amor e da adoração a Deus.

Na década de 1950, não existiam escolas no município de Chapadinha, e Eduardo integrou ao grupo de jovens que trabalhou para fundação do Ginásio Professor Mata Roma e posteriormente a Escola Ana Adelaide Belo e o Colégio Manoel José de Santana (ambos da CNEC - Campanha Nacional de Escolas da Comunidade). Foi líder estudantil e criou a Biblioteca Popular com livros fornecidos pelo MEC. Pode-se dizer que Eduardo Luiz foi o precursor na organização de eventos na cidade de Chapadinha, sendo o organizador de eventos como: a) as grandes festas do Arroz e do Babaçu, com desfile de rainhas em carros alegóricos pelas ruas da cidade; b) o primeiro Parque Junino na praça São Raimundo, quando Presidente do Grêmio estudantil Professor Júlio Bacelar; c) corridas de jumento e de bicicletas que eram atividades de lazer na época; d) excursões para Fortaleza patrocinadas pelo MEC, quando Presidente do Grêmio que tinham como participantes: professores e estudantes da Escola Normal Ana Adelaide Belo.

Eduardo também foi professor. Lecionou nos colégios: Ginásio Mata Roma, Escola Normal, Manoel José de Santana, Bandeirantes, Raimundo Araújo, 19 de março e no Colégio Francisco Almeida Carneiro - FAC e em São Luís, no bairro Filipinho, lecionou no Ginásio Arnaldo Ferreira e CEMA - Cohab (televisão educativa), em São José de Ribamar, foi bolsista da Nestlé (televisão educativa), e bolsista também no INAMPS.

Eduardo, Gilma e Família

Em meados de abril de 1964, quando secretario do Centro Operário, Eduardo Luiz, prestava assessoria ao Sindicato dos trabalhadores Rurais de Chapadinha, auxiliando o Presidente Antonio Athaíde, na redação e datilografando correspondências oficiais aos Ministérios da Justiça, da Agricultura e da Saúde. Nesse mesma época Eduardo era presidente do Grêmio Estudantil e tinha enviado um telegrama prestando solidariedade ao presidente João Goulart, e o telegrama tinha sido interceptado pala inteligência do Exército. Ainda havia contra ele uma correspondência de um colega de serviço, que fazia referência ao “Nosso Chefe,” onde o amigo enfatizava: “estive como nosso chefe” e para a inteligência do exército essa referência se tratava de alguma organização política, de algo muito perigoso. Também constava contra ele uma denúncia de comercialização de um livro de nome “PÃO E FEIJÃO,” livro este que Eduardo afirmou nunca ter lido e nem sequer sabia o nome do seu autor.

Eduardo Luiz começou a despertar as autoridades, que passaram a vê-lo como subversivo, o que culminou em uma invasão domiciliar e apreensão de documentos e passou 3 (três) dias em prisão domiciliar, sendo interrogado diuturnamente e sua prisão foi decretada no dia 12 de junho de 1964 e transferido para o Quartel do 24 BC na capital maranhense São Luís. Junto com Eduardo, foram presos também o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Chapadinha, Antonio Athaíde e Luizinho. Dias depois, foram liberados sob vigilância da polícia do exército.

Eduardo e Gilma, seu grande amor.

Como punição, Eduardo Luiz foi transferido para Barão de Grajaú, onde trabalhou por um ano. Em 1965, retorna pra Chapadinha, onde dá continuidade a seus estudos e a normalidade de sua labuta.

Eduardo Luiz tinha formação em Enfermagem, Farmacêutico, Bioquímico, Sanitarista especializado em saúde pública e saúde da família. Participou de vários Conferências na área da saúde, Seminários e de Conselhos Municipal de Saúde. Como profissional da saúde, trabalhou no HAPA – Hospital Antonio Pontes de Aguiar, Centro de Saúde Benú Mendes, Coordenador do PACS/PSF; Coordenador da Vigilância Sanitária; Coordenador da Vigilância Epidemiológica;  Foi Secretário Municipal de Saúde; Diretor do Departamento de Saúde CAIC; Gestor Regional de Saúde, Consultoria em Saúde Pública nos Municípios de: Barreirinhas, Urbano Santos, São Benedito do Rio Preto, Anapurus, Brejo, Santa Quitéria, São Bernardo, Tutoia, Araioses, Buriti de Inácia Vaz, Colinas e Pirapemas.

 Como político, Eduardo Luiz foi eleito vereador para um mandato de 6 (seis) anos em 1982, na coligação do prefeito José Almeida e presidiu a Câmara de Vereadores no biênio 87 a 88. Eduardo foi também Presidente do LIONS CLUBE e no dia 22 de fevereiro de 1972 entrou na Maçonaria e foi Venerável da Loja Maçônica Oliveira Roma por 2 (duas) gestões;

Eduardo com o poeta Herbert Lago

Em 1994, Eduardo Luiz e Dr João Batista dos Santos, fundaram a Academia de Letras, Artes e Ciências de Chapadinha, da qual foi o seu Vice-Presidente. Em 1995 Dr. João Batista foi embora de Chapadinha e Eduardo assumiu a presidência da Academia até 2004. Em 2007 assumiu a presidência novamente e ficou até 2014. Pode-se dizer que a Academia de Letras era um dos seus maiores “mimos,” era onde ele deixava fluir sua veia poética, como podemos observar em seus poemas: Dentre eles, “AMOR A NOSSA TERRA,” onde declara o seu amor por Chapadinha.


AMOR À NOSSA TERRA

Chapadinha Clama, grita por destaque,

Eu, você, nós devemos socorrê-la,

Erguê-la, ampará-la, protegê-la,

Sem temer críticas, e sem sentir recalque.

Quantas almas estão adormecidas

E, para o belo devem despertar

Imitando os irmãos Mata Roma

Figuram de lume deste lugar

As escolas tomam para si

A missão de nos orientar

E mostrar ao povo desta terra

Novos valores que iram brilhar.

Como estudioso e preocupado com as causas sociais, escreveu um trabalho, publicado no livro intitulado “IDOSOS, QUANTO SOMOS E QUEM SOMOS” onde enfatiza a situação do idoso no município de Chapadinha. Também tem poemas de sua autoria publicada na Antologia da Academia de Letras de Chapadinha Em seu seio familiar, Eduardo era chamado carinhosamente de “Dá”, pelo seu jeito generoso, e pelos amigos, de “Aroeira” em referência a árvore resistente, forte, duradoura e útil. 

Eduardo Luiz da Silva ou carinhosamente Eduardo Aroeira, faleceu no dia 02 de agosto de 2015 com 80 anos de idade e está sepultado em Chapadinha, no Cemitério de Nossa Senhora Aparecida.

Herbert Lago Castelo Branco

Fonte: Maria Betânia (Filha)

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terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

A POESIA CHAPADINHENSE E SEUS REPRESENTANTES: ênfase em Helvécio Vieira Passos

  

Helvécio Vieira Passos

    Helvécio Vieira Passos, nasceu na Vila de Chapadinha no dia 07 de janeiro de 1918. Filho de Manoel Vieira Passos e Maria Amélia de Moraes Passos e teve mais 6 (seis) irmãos: Dalila de Moraes Passos, Enedina de Moraes Passos, Maria Domingas de Moraes Passos, Nilza de Moraes Passos, Otávio Vieira Passos e Zenaide de Moraes Passos. Começou os estudos na Vila de Chapadinha, depois foi para São Luís, onde cursou o ginásio no Liceu Maranhense. Mudou-se para a cidade de Ouro Preto, Minas Gerais, onde estudou Engenharia Civil, mas não chegou a concluir. Transferiu-se para a cidade do Rio de Janeiro, para trabalhar como funcionário público no IBGE.

Casou-se com Dieth Moreira, que era colega de sua irmã Nilza de Moraes Passos, na escola de Enfermagem Ana Nery. Não teve filho e ficou viúvo em 1955 com 47 anos de idade. Depois Helvécio casou-se novamente no Rio de Janeiro, com Yolanda Gomes, com quem também não teve filho.

Alguns anos depois, voltou para Chapadinha para administrar os bens da família e ajudar o seu pai no comercio.

Helvécio,Fátima,Manoel Vieira, Mª Dominga

Em 1948 com 30 anos de idade, Helvécio foi nomeado prefeito de Chapadinha. Não se sabe o motivo, em 1951 Helvécio renuncia ao cargo e voltou para o Estado do Rio de Janeiro, onde foi morar em Laranjal, município de Alcântara, cidade próxima a Niterói, onde foi convidado para trabalhar no DER – Departamento de Estradas de Rodagem da capital fluminense.

Como todo poeta Chapadinhense, Helvécio era um homem corajoso e sensível. Deixou poemas muitas vezes melancólicos e saudosistas ao lembrar-se de sua terra querida. Nas poesias publicadas em seu livro “POEMAS ESCOLHIDOS,” publicado postumamente em 2013 pela sua sobrinha e afilhada Maria Fátima Passos Chaves. Neles, ele fala de lugares, de pessoas e de sentimentos e o amor pela sua terra natal, como podemos ver no poema abaixo, desse grande poeta Chapadinhense.

 Um solitário no meio tantos,

um exilado em sua própria terra.

Mas nos seus olhos não havia pranto,

porque seu peito uma esperança encerra.

guardada com muita devoção.

Voltar pra lá, como diz a canção.

Porque lá está seu coração.

E não voltou, e nunca voltará.

Como o poeta jamais escutará,

o canto do sabiá.

 

Helvécio faleceu na primavera de setembro, no dia 19 de setembro de 1992, na cidade do Rio de Janeiro, com 74 anos de idade, sem voltar à Chapadinha, e os seus restos mortais estão sepultado no Cemitério São João Batista, em Botafogo no Rio de Janeiro.

 

Herbert Lago Castelo Branco

Fonte: Maria Fatima Passos Chaves – Sobrinha e afilhada.

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