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domingo, 13 de fevereiro de 2022

A POESIA CHAPADINHENSE E SEUS REPRESENTANTES: ênfase e Mata Roma

 

  

Mata Roma

 José Mata Roma, mais conhecido como professor Mata Roma, era de origem humilde. Nasceu no século XIX na Vila de Chapadinha no dia 23 de janeiro de 1896. Nesse ano predominava o simbolismo, uma escola literária de poetas em que vários de seus integrantes morreram pobres, não tiveram obras publicadas e permaneceram ou permanecem esquecidos até hoje.

            Filho de Pedro Mata de Oliveira Roma e de Rita Teodolinda de Almeida. Ambos cearenses, escolheram o Maranhão para viverem e elegeram a então Vila de Chapadinha como sede da residência do casal, onde se estabeleceriam com um pequeno comércio e mais tarde explorariam também a agricultura. Ele tinha mais 10 (dez) irmãos, do primeiro casamento por parte de pai foram 4 (quatro): Isabel Mata de Aguiar, Joana Mata Roma (Noca), Pedro Mata Filho e Raimundo Mata Roma. Do segundo casamento com sua mãe Teodolinda, vieram o também intelectual, poeta e jurista, João da Mata de Oliveira Roma, Luiza Mata de Oliveira Roma (Lulu), Joaquim Mata Roma (Quincas), Francisco das Chagas Mata de Oliveira Roma e Maria de Almeida Mata Roma (Marieca) e mais uma irmã adotiva Francisca (Chiquinha Perna Curta).

            Ele começou os estudos na Vila de Chapadinha, mas logo seu pai o encaminhou, juntamente com eu irmão Oliveira Roma, para a cidade de Brejo, onde terminou o curso primário. Em Teresina, concluiu o primeiro e segundo grau, conhecidos hoje como Ensino Fundamental e Ensino Médio.

Casa onde Mata Roma morou, hoje BB.

Após superar diversas dificuldades em sua vida, e trabalhar como vaqueiro e mais tarde comerciante de sucesso em sua terra natal, no lugarejo conhecido como Bom Sucesso, hoje município de Mata Roma (cidade que tem seu nome como homenagem, fundada em 30 de setembro 1961) foi servir a Marinha em Belém do Pará, coincidindo com um episódio inusitado de seu desaparecimento nos anos da sua juventude. Embarcou em um navio velho onde se tornou taifeiro e encarregado de serviços de limpeza, sem deixar uma carta sequer explicando sua decisão, nenhuma pista deixou. Todas as buscas se esgotaram, sua família chegou a admitir sua morte.  Anos depois reapareceu em Chapadinha.

            Ao transferir-se para São Luís, deu continuidade aos seus estudos, dedicando-se integralmente, incentivado pelo seu irmão Oliveira Roma, com a intercessão de sua mãe dona Teodolinda. Prestando vestibular e ingressando na Faculdade de Direito, na Rua do Sol, formou-se em 8 de dezembro de 1925 Bacharel em Direito com 29 anos de idade pela faculdade de direito do Maranhão, onde foi professor.  Mais tarde, justificava a amigos seu desinteresse pela advocacia, por não saber dar preços aos honorários de seus serviços e constrangia-lhe cobrar qualquer valor das pessoas pobres e que tinham dificuldades até de se alimentarem.

Casou-se com Elza Ferreira Mata Roma, com quem teve 3 (três) filhos; Ritio falecido prematuramente; Marília, bibliotecária, assistente social, e professora da universidade de pós-graduação, residente no Rio de Janeiro e casada com o médico cardiologista Laércio Goulart Paiva; e Helena, funcionária pública, casada com o decorador Antenor Ventura e residente em Porto Alegre. O Casamento de Mata Roma com D. Elza perdurou cerca de dez anos, até que sua esposa, acometida de grave enfermidade, teve que ser levada para o sudeste do pais, para a cidade de Friburgo, onde o clima favorecia seu tratamento especializado. Não retornou mais para São Luís, e o motivo da separação do casal até hoje não se sabe, há quem especule que o casal se desentendeu numa das visitas que ele fez à esposa no Rio de Janeiro.                Elza faleceu no dia 5 de maio 1955 com 41 anos de idade, na cidade do Rio de Janeiro.

Pai Mata Roma

O começo de sua vida foi acidentado e de incessante luta para se firmar na vida. Talentoso, Mata Roma se notabilizou como exímio orador, porém, mostrou cedo sua veia literária. Era jornalista, poeta, político, catedrático de Português e apaixonado pela gramática. Apresentava-se sempre elegantemente, não dispensava um paletó. Tanto fazia estar em sala de aula como na câmara municipal de São Luís ou nas repartições que dirigiu.

Removeu os fados adversos e ingressou por concurso no Liceu Maranhense em 1930, com a tese A Questão Do Quê. Lecionou Literatura em diversos estabelecimentos de ensino da capital. Foi um dos fundadores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Luís, diretor do Colégio Estadual e do Colégio Cisne Branco, do qual foi proprietário. Lecionou de graça nos Colégios Centro Caixeral, São Luís e Santa Tereza. Mata Roma sempre terminava suas aulas com esse dito gracioso: “entrou pelo bico do pato, saiu pelo bico do pinto, meu senhor, mandou dizer para eu contar mais cinco”.

Na primeira metade do século XX, ocorre no Maranhão o fenômeno raro do aparecimento de verdadeiros mestres da Língua Portuguesa Clássica. Esses mestres estavam embriagados pela sabedoria gramatical vinda do século XIX e passada às gerações futuras por um dos fundadores dos estudos do idioma pátrio, Sotero dos Reis, que foi o autor de uma gramática normativa da Língua Portuguesa, A referência encontra ressonância na vida profissional de mestres como: Nascimento Morais e Mata Roma, que deixaram seus nomes para sempre gravados na história do Liceu Maranhense, cujo trabalho de educador fez nascer no Maranhão a cultura helenística, que ele conseguiu passar aos seus alunos durante três décadas de magistério. Mata Roma Fundou, ainda, a Biblioteca do Liceu, que recebeu o nome de Sotero dos Reis, sua inauguração ocorreu no dia 15 de dezembro de 1935.

Além de ocupar posições de destaques como delegado regional do Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários - IAPC, diretor do SESC e do SENAC, Mata Roma combatia as desigualdades sociais, seu desapego ao dinheiro fazia parte de sua personalidade. Um exemplo de humanista, sempre despojado, não perdia a oportunidade de ajudar as pessoas que o procuravam. Tinha dificuldade de dizer não. Foi eleito vereador mais votado (como candidato, em um comício no bairro de Fátima, ele proferiu o seguinte discurso: “não faço promessas enganosas. Eu não prometo nada a vocês, vocês votam se quiserem, porque não tenho nada a oferecer”. Mata Roma foi eleito também presidente da 4ª e 5ª legislatura da Câmara Municipal de São Luís de 01/02/1955 a 31/01/1959. (Meses depois de sua posse como presidente da Câmara, aconteceu um episódio que retrata o caráter e o lado humano de Mata Roma: havia muitos anos que um velho engraxate ocupava o corredor do edifício da Câmara Municipal. Um dia, um dos vereadores chamou Mata Roma e disse para ele: “presidente! Tire esse engraxate daqui do corredor! Essa cadeira e essa caixa dele! Isso não pega bem! Fica feio!” Aí Mata Roma respondeu: “olha meu besta, vou te dizer o seguinte: eu não posso entrar na câmara com meus pés se não entrar com o meu coração. Deixe-o aí, enquanto eu for presidente ele não sai”. Como político, Mata Roma não fazia concessão à corrupção.

Mãe de Mata Roma

Mata Roma era de caráter íntegro e rijo, deixou as marcas de uma personalidade forte, comprometida com princípios éticos. Um professor amado e idolatrado pelos seus alunos. Foi um professor que aglutinou em si o erudito, o intelectual, o poliglota e o escritor. Vivia cercado de amigos, entre eles a poetisa e comadre Zizete Cunha. Apreciava o luau de sua terra natal Chapadinha.  Era boêmio e extrovertido, mostrava-se alegre, bonachão, mas nem por isso deixaria de parecer um homem sofrido, surrado pela vida.

Mata Roma era uma das mais legitimas glórias da nossa literatura, um dos mais expoentes vultos de nossas letras. Em dezembro de 1945, tomou posse como titular da cadeira 17 da Academia Maranhense de Letras, cujo patrono foi Sotero dos Reis. Como poeta, ele se situa entre aqueles que, como Humberto de Campos que, em plena fase do modernismo, continuou a escrever sonetos parnasianos e simbolistas. Entre tantos trabalhos literários, escreveu Cartas Chilenas (inédito e até hoje não se sabe quem ficou com os originais); Visão Crítica; “Brasil”; Poemas in “Atenas”, (janeiro de 1940); Histórias Compiladas (1948); Velhos Ritmos, publicado postumamente em 20 de setembro de 1996 pela Academia Maranhense de Letras, dezenas de artigos e produções em prosa e versos publicados nos jornais da época, mostrando sua versatilidade.

Em 1945, foi um ano de profundas transformações a segunda guerra mundial havia terminado, o interventor Paulo Ramos foi substituído pelo Dr. Clodomir Cardoso. A mudança atingiu o Liceu Maranhense. Mata Roma foi nomeado Diretor. Com a designação o corpo docente rejubilou-se às escâncaras, começava a fase de ouro, inesquecível do Liceu Maranhense.

Sua obra prima, o soneto Tântalo, celebrizou-o pelo caráter inusitado da inovação poética para a época. Daí porque até hoje o poema é citado e recitado como uma das referências dos melhores textos escritos no Maranhão de então.

Em 1948, aos 50 anos de idade, o poeta foi tomado por uma avassaladora e devastadora paixão por uma aluna adolescente que lhe inspirava antológicos sonetos.

Não tendo materializado o amor, segundo consta, ele reinventa o mito, transpondo-o da necessidade biológica para o plano da necessidade psicológica.

O Soneto Tântalo reflete a frustração só realizada no plano platônico. A tragédia de Tântalo revisada por Mata Roma traz de volta os mitos de Safo, Abelardo e Heloisa, Édipo e Jocasta, Romeu e Julieta, Dom Pedro e Inês de Castro.

É que havia um rei na Líbia, antiga Mesopotâmia – chamado Tântalo, casado com Ceres, deusa da Agricultura. E desta união nasceram 14 filhos. Um dia, Tântalo ofereceu um jantar para os deuses Apolo e Diana, mas Tântalo não tinha nada a oferecer nesse jantar. Contra a vontade de Ceres, Tântalo matou uma de suas filhas Penélope, e ofereceu um banquete a Apolo e Diana. Na hora que foi servir o jantar, imediatamente Apolo e Diana perceberam que aquela carne era humana. Diante dessa estupidez cometida por Tântalo, os deuses o condenaram a um atroz suplício: toda vez que ele tentasse comer alguma coisa, uma fruta, por exemplo, esta se afastava dele; se tentasse beber água, esta também se afastaria. Como castigo, os deuses Apolo e Diana vaticinaram que seus 13 filhos restantes, quando completassem 14 anos, seriam flechados e se transformariam em pedras. E isso na mitologia, aconteceu.

Voltando à realidade, Mata Roma amava com a mesma intensidade sua esposa Elza e essa jovem, sua aluna. Mas, toda vez que se aproximava dela, lembrava que era casado, muito bem casado, e respeitava sua mulher. E assim, nada houve entre eles.

Diante desse amor impossível (pelo menos à época), dessa paixão, inebriado e sofrendo com a ironia do destino, Mata Roma foi buscar na mitologia Greco-romana refúgio para as dores do seu coração. E aí, compôs Tântalo, um dos mais belos sonetos da Literatura Maranhense

TÂNTALO

Conta uma lenda antiga, cuja fama

Pelos tempos modernos inda voo,

Que lá no inferno, condenado à toa,

De fome e sede Tântalo rebrama.

 

Junto, corre uma fonte clara e boa.

Perto, um galho de fruta se recama.

Mas, se ele quer comer, se afasta a rama,

E, se tenta beber, a água se escoa.

 

Tem minha vida e a leda o mesmo traço,

Flagela-me também um vão desejo,

Fome e sede incontida também passo.

 

Punido como Tântalo me vejo:

Tão perto desse corpo, e não te abraço!

Tão junto dessa boca, e não te beijo!

Em 1947, aconteceu uma violenta crise interna no Liceu, motivada pela inesperada nomeação do professor Araújo para Diretor do Liceu Maranhense, nenhum aluno estava indo às aulas e todos exigiam a volta do professor Mata Roma. O prefeito de São Luís, Costa Rodrigues, mandou o secretário Merval convocar a Congregação dos Estudantes, a fim de que esta indicasse uma lista tríplice. A Congregação decidiu deixar a critério do Governador a escolha do diretor. E para alegria dos professores e alunos, o mestre Mata Roma foi reconduzido à direção do Liceu. Portanto. Paz, estudo, poesia nas salas e corredores do Colégio.

Mata Roma gostava de tratar os alunos e amigos com o tratamento especial de “meu besta”. Assim o fez quando recepcionou José Sarney em junho de 1952 ao entrar na Academia Maranhense de Letras. Ele disse: “entra meu besta, a casa é sua! ”.

Por ocasião de sua última visita à cidade de Chapadinha, em julho de 1959 (já bastante debilitado), Mata Roma disse à poetisa Zizete Cunha: “minha comadre, esta será a minha última viagem à Chapadinha, estou chegando no começo do fim”. Mata Roma também não tinha apego ao acumulo de bens, até a sua morte, sempre residiu no Hotel Maranhense, na rua grande. Na mesma ocasião de sua vinda à Chapadinha doou seus únicos bens. Algumas cabeças de gado para o seu vaqueiro Antônio Francês e um pequeno interior denominado de “Quebra Cabeça” para uma de suas sobrinhas Maria Roma.

Apesar de não ser muito afeito à religião, nos seus últimos dias de vida pediu para se confessar, no que foi atendido pelo seu amigo padre Artur Gonçalves, que era capelão da polícia militar.

Sem nenhum lamento, e tal qual Sócrates, Mata Roma morreu conversando com o amigo Benjamim. As últimas palavras pronunciada por ele foi um pedido que fez ao amigo: “Benjamim, quando eu morrer eu quero que tu faças um discurso para fazer chorar até as casuarinas”.

Mara Roma foi vítima de câncer nos pulmões, provavelmente pelo consumo excessivo de cigarro. E faleceu na Santa Casa de Misericórdia, em São Luís, no dia 20 setembro de 1959, aos 63 anos de idade. No seu enterro, à beira do túmulo, em meio a muitos soluços, emoções e lágrimas, muitos discursos foram proferidos. Está sepultado no Cemitério do Gavião, na gaveta nº 332 da 3ª sessão onde, quando ainda em vida, pediu para ser sepultado.

Em artigo publicado em jornais à época disse o jornalista Zuzu Nahuz: “... Até o dia do seu sepultamento coincidiu com o dia da “arvore” simbolizando a queda brutal de um dos mais velhos e frondosos jequitibás do magistério público de nossa terra”

.Herbert Lago Castelo Branco

Extraído do livro MATA ROMA: O Tântalo de Chapadinha

            Se tiver interesse em saber mais sobre Mata Roma, indico os livros "DO GIBÃO AO FARDÃO

Ex               de Raimundo Marques e MATA ROMA: O Tântalo de Chapadinha, de Herbert Lago

                    OBS: A reprodução deste texto ou qualquer parte dele é permitida, desde que seja dado

                     o crédito de autoria e fonte. Conforme as normas e leis.


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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

A POESIA CHAPADINHENSE E SEUS REPRESENTANTES: ênfase em Clara Martins

 

Poetisa Clara Martins

    Clara Chaves Martins, nasceu no dia 26 de junho de 1922, quando Chapadinha ainda era uma Vila. Filha de Auto Rodrigues Martins e Rosa Chaves Martins. Clara Martins era a mais nova dentre os irmãos: Maria Chaves Martins, Benedito Martins, Isaura Chaves Martins e Raimundo Martins. Ainda muito jovem, com apenas 21 anos de idade, começou a trabalhar no Departamento de Correios e Telégrafos, na agência de Chapadinha, tendo sua nomeação efetivada no dia 5 (cinco) de novembro de 1943 como Agente Auxiliar. Naquela época, Chapadinha era uma pequena cidade, com apenas 5 (cinco) anos e emancipação política. Como funcionária dos Correios, Clara Martins trabalhou por 30 anos, até se aposentar por tempo de serviços em meados de 1973, dedicando, assim, àquela repartição pública, toda sua vida profissional. Clara Martins não chegou a se casar, era moça solteira e morava na Rua Ananias Albuquerque onde criou o seu sobrinho Edmilsom Almeida. Por ser uma católica fervorosa, devota de Nossa Senhora das Dores, dedicou a sua vida a religião onde participou ativamente das atividades da igreja, como zeladora, membro do Apostolado do Sagrado Coração de Jesus, Ministra da Eucaristia e como catequista, chegando a realizar seu trabalho de evangelização na periferia de Chapadinha.

Clara Martins foi uma das fundadoras da Academia de Letras, Ciências e Artes de Chapadinha, onde tem poemas de sua autoria publicados na Antologia da Academia. O seu hobby era escrever crônicas e poesias, que resultaram na publicação do livro intitulado "CONTOS E VERSOS".

Clara e familia

Era uma entusiasta do folclore de sua terra. Foi uma das fundadoras da “Festa do “Reisado” em Chapadinha. Clara atuou incessantemente para manter sempre viva essa atividade junto à comunidade Chapadinhense, principalmente entre os jovens da cidade.

Como a maioria dos poetas Chapadinhenses, Clara Martins também dedicou poesias à sua cidade, como está implícita na poesia intitulada de, “CHAPADINHA MULATA NORDESTINA,” transcrita abaixo:

Chapadinha Mulata Nordestina

Pedacinho de chão brasileiro

Que acolhe, encanta e seduz

O teu povo sempre hospitaleiro,

Acolhendo o irmão estrangeiro

Com reflexos do amor de Jesus!

Nós te amamos, por tua graça e beleza

Neste dia com grande emoção

Por teu jeito; tua singeleza

Ornamenta de mãe natureza

Que tanto alegra o nosso coração!

Bela mulata de porte gentil,

Que retrata a vida da gente

Nordestina do grande Brasil

Contemplando o teu céu cor de anil

E que sabe dizer o que sente!

Quero exaltar-te ó linda princesa

Do intimo d’alma e do coração

Por tuas raízes, por tua beleza

Que contagia, eu tenho certeza

E nos envolve de tanta emoção.

Quis o destino que a poetisa Clara Martins partisse para o plano superior, justamente no início do festejo de Nossa Senhora das Dores, padroeira de Chapadinha. Ela faleceu por volta da 8 horas da manhã do dia 05 de setembro de 2013, com 91 anos de idade e está sepultada no Cemitério Central Nossa Senhora das Dores.

 

Herbert Lago Castelo Branco

Fonte: Monografia de Edlaina Bezerra

           Blog. William Fernandes

A reprodução deste texto ou qualquer parte dele é permitida, desde que seja dado o crédito de autoria conforme as normas e leis.

 

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

A POESIA CHAPADINHENSE E SEUS REPRESENTANTES: ênfase em Zizete Cunha.

 

Aos 92 anos Zizete Cunha escrevendo

    Zizete Cunha Ferreira, nasceu em Chapadinha, no dia 28 de maio de 1930. Filha de Benedito de Oliveira Cunha e de Genuína Cunha Viana e teve mais 5 (cinco) irmãos: Dilmo Cunha, Assunção Cunha, Auridéa Cunha, João Cunha e Cloves Cunha. Em 1950 com 20 anos de idade Zizete conheceu Francisco Rodrigues Ferreira, mais conhecido como Chiquinho Ferreira, a quem despertou um amor à primeira vista e sem se importar com a repercussão à época, (já que Chiquinho Ferreira era um homem separado e 18 anos mais velho), saiu da casa dos seus pais e foram morar juntos. Vindo a oficializar o matrimônio somente em 21 de janeiro de 1982. Chiquinho Ferreira era músico e militar reformado da Aeronáutica, com que teve 6 (seis) filhos: Rita de Jesus, Francisco, Breno, Benjamim, Rosenilde e Fábio

Começou os estudos de alfabetização e primário em Chapadinha com sua mãe Genuína Viana, que era professora em Chapadinha e depois com professora Enedina Viera Passos. Mudou-se para São Luís, onde, pensando na educação dos seus filhos morou por 20 anos. Em São Luís estudou o Madureza e concluiu o Ginásio (hoje ensino fundamental) no Colégio São Luís em 1972 e o segundo grau (hoje ensino médio) também no Colégio São Luís em 1976, e tem curso de formação técnica de qualificação técnicos de redação oficial, e  por causa da sua amizade e proximidade com o professor Mata Roma, foi sua aluna ouvinte no Liceu Maranhense.

Poetisa Zizete Cunha 

“Sou uma escritora que diz o que o meu coração sente, e a minha inteligência é um privilégio que Deus me deu. Não cursei nenhuma faculdade porque na minha juventude não existia e tudo era muito mais difícil. O que eu sei é tão somente conhecimento da faculdade da vida,” Disse Zizete Cunha.

Zizete Cunha é filha legitima de Chapadinha, contemporânea do poeta e professor Mata Roma, de quem era comadre.  Zizete tem um legado histórico e de um amplo conhecimento cultural. Sempre foi uma mulher à frente do seu tempo, inquieta em busca de novos horizontes. Uma leitora voraz que tem como passatempo além de fazer palavras cruzadas, ler bons livros, escrever poesias e crônicas. Nunca deixou de enfatizar o seu amor por Chapadinha. O seu dom pelo magistério surgiu ainda quando bem jovem. Quando com 18 anos de idade começou a sua missão como professora leiga, autodidata, na Escola Reunida Benedito Lago, de 25 de fevereiro de 1948 a 1967. Depois foi para o Grupo Escolar Dr. Paulo Ramos e Diretora no Colégio Deputado Antonio Pontes de Aguiar em 1964. Zizete Cunha foi Técnico Legislativo da Assembleia Estadual do Maranhão, tendo exercido cargos importantes na Assembleia Legislativa como Secretária da Comissão de Saúde e Saneamento de 1976 a 1980.

Zizete, Chiquinho Ferreira, filhos e netos

Além de realizar a viagem dos seus sonhos, que era conhecer Jerusalém, ela também conheceu várias culturas e países como: Itália, França, Egito, Turquia, Grécia, Portugal e Canadá.

Nos anos 60, em pleno regime militar, onde tudo era proibido, Zizete idealizou e colocou no ar “A VOZ DA LIBERDADE,” onde todos os dias tocava músicas românticas da época, dando notícias e informações para a sociedade Chapadinhense. Colaborou nos anos 80 com o jornal “A GAZETINHA” e orgulha-se por ser fundadora da Academia de Letras, Artes e Ciências de Chapadinha, da qual é membro efetivo como acadêmica e tem poemas de sua autoria publicada na Antologia da Academia de Letras de Chapadinha.

Na crônica “MINHA QUERIDA CHAPADINHA,” em alusão as Bodas de Ouro de Chapadinha, Zizete Cunha destaca o seu amor por sua cidade natal, como vemos abaixo:

MINHA QUERIDA CHAPADINHA

“Aqui me encontro, neste momento, depois de muitos anos ausente d’aqui, hoje tive a felicidade e a agradeço a Deus por ter me reservado este momento feliz de minha vida, para saldá-la no teu “Jubileu de Ouro”. É por demais enternecedor o momento de poder homenageá-la tenho tanto o que dizer... Tanto que nem o maior poeta do mundo seria capaz de escrever para mim o desejo de te dizer. Mas com palavras minhas que na sua simplicidade e sem qualquer toque poético traduzem muito mais, porque saem do meu coração. Minha voz é a voz de teus filhos. Nesse meio século pautastes em nossas vidas sobre um lema “Amor e ternura” que encoraja e ensina a teus filhos a serem heróis e fortes só nos tens dado orgulho de ti pertencer. Quando crianças, já te admirávamos, impoluta à heroica de nossas vidas. Berço amigo que nos viu nascer onde o despontar do sol tem mais poesia, porque a aurora é mais bela. Esta terra é linda! A mais bela do mundo porque o luar tem um brilho colorido mais sublime às suas noites de verão. Esta é a homenagem de meu amor a essência de ternura e o perfume do carinho de tua filha que de coração ama esse chão: peço a Virgem das Dores que olhe essa terra de gente sofrida, mas que passado o tormento, diz que hoje tem que ter festa, joga no tempo uma semente de esperança. Quero te ver crescendo, progredindo sempre amada por esta gente que quer te ver crescer feliz no presente e no futuro.”

Zizete Cunha com os filhos

Em julho de 1992 ficou viúva, e hoje, com 92 anos de idade, aposentada pela Assembleia Estadual do Maranhão, Zizete Cunha mora na mesma casa em Chapadinha, na Avenida José Caetano, em frente à Igreja de Nossa Sonhara das Dores, de quem ela é devota. Mesmo com dificuldade, devido à idade, a poetisa Zizete Cunha ainda escreve quase que diariamente as suas poesias e crônicas.

 

Herbert Lago Castelo Branco

Poeta e Escritor

A reprodução deste texto ou qualquer parte dele é permitida, desde que seja dado o crédito de autoria conforme as normas e leis.

 

 

 

domingo, 6 de fevereiro de 2022

A POESIA CHAPADINHENSE E SEUS REPRESENTANTES: ênfase em Zé di Riba.

 

Zé di Riba

    José Ribamar Lima, mais conhecido como Ribartes e agora Zé di Riba, nasceu em Chapadinha, numa casinha na rua Gustavo Barbosa no dia 02 de outubro de 1956, filho de Rosa Almeida Lima e tem mais 4 (quatro) irmãs: Rosimá Almeida Lima, Rosilene Almeida Lima, Rosilane Almeida Lima e Rosicleia Almeida Lima

            Começou os estudos primário, (hoje ensino fundamental) em Chapadinha, na escola Amélia Almeida, e iniciou o ginásio, (hoje ensino médio), no Ginásio professor Mata Roma. Depois foi para a cidade de Santa Inês, onde concluiu o ensino médio na modalidade Normal com formação de professor e iniciou 2 (duas) graduações, em Geografia e História, ainda incompleto.

Zé de Riba trabalhava na prefeitura de Chapadinha na gestão do prefeito Irineu Veras Galvão, quando conheceu a linda normalista Maria do Carmo, que trabalhava como caixa no Armazéns Tabajaras, e bastou uma piscadinha de olho para o começo de um namoro. Ze di Riba e Maria do Carmo Sousa Lima, se casaram no dia 12 de janeiro de 1982, e tiveram 4 (quatro) filhos: Zaira Rose Sousa Lima, Zairo Sousa Lima, Zairiane Sousa Lima e Zambelle Sousa Lima. Depois teve outra filha, Rosilene Silva Lima, de um relacionamento com Azenir Cavalcante Silva, em Alto Alegre do Pindaré.

Ze di Riba com a familia

            Depois de separado, em 2004 foi para a cidade de Santa Inês, onde trabalhou para prefeitura na área da cultura como professor de artes plásticas no projeto “Novos Caminhos” no período de 02 de janeiro de 2004 a 2007. Em 2007 foi para a Região do Pindaré, cidade de Alto Alegre do Pindaré, onde também trabalhou na prefeitura pelo PET pró-jovem e CRAS indígenas no período de 2008 a 2014. Foi também instrutor do programa Mais Educação do governo federal e de cursos promovido pela Vale do Rio Doce do Maranhão em 2015 nos povoados Auzilândia, Mineirinho e Nova Brasília, interior de Alto Alegre do Pindaré.  

            Zé di Riba é poeta, artista plástico, artesão, percussionista, um ativista cultural. Foi um dos fundadores da Academia de Ciências Letras e Artes de Chapadinha, onde hoje é membro efetivo como acadêmico. Já participou de Conselhos Municipal de Cultura, Conferências e de vários fóruns de cultura. Tem poemas seus publicado nas Antologias da Academia de Letras de Chapadinha e está no prelo o seu livro intitulado de “MINHAS ANDANÇAS.” Participou do último CD do Bloco dos Quiabos com a marchinha “CAIA NA FOLIA,” foi o autor da capa da segunda edição do livro infanto-juvenil “BRINDALUZ” do também escritor Herbert Lago. Em 2019, por ocasião do aniversário de Chapadinha, 29 de março, recebeu o diploma de Menção Honrosa como reconhecimento pelos serviços prestados na área da cultura, indicação do vereador Luis Silva de Abreu (Luis Barbeiro), e aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal.

        

Casa onde nasceu Zé di Riba 

    Dentre os poetas Chapadinhenses Zé di Riba destaca-se pela versatilidade com as artes e sua intimidade com as letras, como denota em seus versos com traços da contemporaneidade que não deixa de evidenciar a sua consciência crítica em sintonia com o mundo que o rodeia. E o aspecto telúrico e constante retorno à terra natal, evidenciado em “TERRA AMADA.”


TERRA AMADA

Chapadinha terra amada

Rainha do meu amor

Bela como uma flor

Berço onde nasci.

            Terra de poetas e seresteiros

            Que lembras o teu passado

           Hoje cabisbaixo e amargurado,

               Lembro-me da rua Gustavo Barbosa

            E da casinha onde nasci.

          Hoje não existe mais,

                  Só resta lembranças do meu passado

         Do meu tempo de criança

             Onde tudo se passou

               E não volta nunca mais.

 Zé di Riba hoje está com 65 anos de idade e atualmente mora em Chapadinha, num pequeno, mas lindo arvoredo de nome Recanto da Macaoca, onde cuida com muito carinho da sua Curica Veró e do Papagaio Veronício e trabalha no seu Buteco do Zé di Riba.

Herbert Lago Castelo Branco

Poeta/Escritor

A reprodução deste texto ou qualquer parte dele é permitida, desde que seja dado o crédito de autoria conforme as normas e leis.

 

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 5 de fevereiro de 2022

A POESIA CHAPADINHENSE E SEUS REPRESENTANTES: Ênfase em Nonato Vale

 

Nonato Vale

    Raimundo Nonato Vale nasceu no dia 22 em julho de 1924 na localidade Ininga, município da cidade de Luzilândia no Estado do Piauí, onde viveu sua infância e parte de sua adolescência despreocupada e feliz. Era filho de José Gonçalves do Vale e Florinda Jesuína do Vale e tinha mais 8 (oito) irmãos: Manoel Nelinho, Zé Firmino, Antonio Toninho, Zé Mendengue, Francisca Quariguasi, Ihazinha Sales, Glorinha Brito e Maria Vale

            Começou os estudo em Luzilândia nas Escolas Nossa Senhora das Graças e depois no Grupo Escolar João Francisco. Desde criança mostrou interesse pelos estudos e dedicação aos livros. “Ele sempre procurou galgar o primeiro lugar.” Disse Mundica Pimentel Ferreira, sua primeira professora e amiga.

Em 02 de abril de 1943, com 19 anos de idade mudou-se para Chapadinha, para trabalhar no comércio de seu cunhado Pedro Quariguasi, que recebera de braços aberto, onde granjeara grandes amigos e não tardou muito para que conhecesse uma ilustre jovem de tradicional família Chapadinhense, Elin Barroso Vieira Passos, com quem se casou no dia 14 de setembro de 1949 com 25 anos de idade e deste consorcio tiveram 6 (seis) filhos: Carlos Borromeu, Ninda Celeste, Serenilia, José Gonçalves (Zizinho), Márcia Lúcia e Luiz Augusto (Luizinho).   

            Como político Nonato Vale foi candidato a vice-prefeito na chapa do candidato a prefeito Dico Araújo, em 1955. Em 1970 foi eleito vereador com 46 anos de idade. Antes de falecer estava desiludido com o parlamento e não gostava mais de falar de política, pois decepcionou-se com os políticos brasileiros. Em 1966 fundou a Loja Maçônica Oliveira Roma de Chapadinha, onde foi venerável por 3 (três) vezes.

Nonato Vale Com a Família

            Nonato Vale foi comerciante de sucesso, na zona urbana de Chapadinha, com as lojas A Piauiense (1951 a 1953), Casa Nova (1954 a 1955) e a Nisemar (1964 a 1968). Na zona rural teve comércio na Boa Hora (1956 a 1959) e no Rodeio (1960 a 1992).

            Nonato Vale também militou no jornalismo independente. Em 1968, por exemplo, ele colaborava com artigos e poesias no jornal ALVORECER, onde nas páginas da edição publicada no dia 15 de abril de 1968 estampava a notícia de que se encontrava no prelo o seu livro intitulado “TEMAS & ESBOÇOS,” que não teve a venturosa sorte de ver sua obra publicada.  O livro “TEMAS & ESBOÇOS” foi publicado in memoria pelos seus filhos em 1995. Nonato Vale também foi o autor do hino de sua terra natal Luzilândia, a quem descreveu como “Rainha do Piaui.”

            Como todo brasileiro Nonato Vale adorava futebol, e quando ainda jovem era um dos melhores centroavante que brilhava nos campos entre Chapadinha e Luzilândia. Jogou no Palmeiras de Chapadinha em 1953 a 1959 e junto com Lucidio Frazão e padre Walter, em 1955 a 1957, começaram a construir o primeiro estádio (campo de futebol). Em 1963 fundou o time 7 de setembro e em 1964 fundou a LEC – Liga Esportiva Chapadinhense da qual em 1968 foi presidente. Era um Botafoguense apaixonado que tinha como ídolos, Mané Garrincha no futebol, Nelson Gonçalves na música e Carlos Drummond de Andrade na poesia e o seu passatempo era ler e escrever poesias.

          

Casa de Nonato Vale

 
A precocidade literária de Nonato Vale há muito se tornara conhecida nos meios sociais. Nos seus versos sempre exaltou Chapadinha como a flor do maranhão. Cantou os oásis que circundam Chapadinha que tanto já lhe representaram nos primórdios de sua história, como vemos nesta estrofe de um poema de sua autoria dedicado a Chapadinha.



Foste outrora, talvez uma maloca,

Aqui viveu uma tribo qualquer,

Falam-nos disso, ainda a Macaoca,

A Aldeia, o Xororó e o Vai-quem-quer.

Estes lugares, viram te nascer

Entre esparsas moitas de tabocas,

Onde foi mato hoje se desloca

Para ver o teu engrandecer.

            Ao mesmo tempo ele transcende o seu amor obsessivo por Chapadinha como quem tem medo da separação.

CHAPADINHA

Agora, deixa-me cingiste um abraço

Fiel e carinhoso, e ouça

O que te quero dizer:

Nem mesmo a morte haverá

De nos separar,

Pois quando tiver de baixar

Em minha última morada,

Seja-me concedido, entre aqueles

Antes queridos, um lugar

Em teu seio, onde também

Feliz eu dormirei sepulto.

            Nonato Vale, por certo, não passará desapercebido pela história e será um dos nossos vultos, como os filhos ilustres de Chapadinha. Pela sua inteligência e pelo o seu valor cultural invejável. Que defino como poeta semeador de sonhos e ideais, plantador de belezas, arauto e intérprete de sua gente, que sempre procurou despertar o sentimento do belo que existe em cada ser humano.

            Nonato Vale faleceu no dia 29 de agosto de 1992 com 68 anos de idade, e conforme pedido, ele está sepultado em Chapadinha, no Cemitério Central Nossa Senhora das Dores.

Herbert Lago Castelo Branco

A reprodução deste texto ou qualquer parte dele é permitida, desde que seja dado o crédito de autoria conforme as normas e leis.

 

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

A POESIA CHAPADINHENSE E SEUS REPRESENTANTES

Ênfase em Ataliba Vieira de Almeida

                                         

Ataliba Vieira 

    Ataliba Vieira de Almeida, nasceu em Chapadinha no dia 06 de agosto de 1911, filho de Antonio Abel de Almeida e de Maria Vieira de Almeida e tinha mais seis irmãos: Amélia Vieira de Almeida (Sinhá), Antonia Vieira de Almeida, Edésio Vieira de Almeida, Raimundo Vieira de Almeida (Mundiquinho), Sebastião Vieira de Almeida (Basa) e Senhorinha Vieira de Almeida. Casado com Maria Camélia Pimentel Almeida, com quem teve cinco filhos: Maria Marta, Antonia Mécia, Ataliba Filho, Francisco Mário e José de Ribamar Vilarton.

            Ataliba Vieira começou os estudos na cidade de Brejo, tendo sido aluno do famoso educador Lafaiete de Campos Mendonça. Prosseguiu os estudos na tradicional Academia de Comércio de São Luis, onde chegou ao 3º ano do Curso Comercial.

            Aos 15 anos largou os estudos para ingressar na atividade comerciária, trabalhado, inicialmente em Chapadinha, na firma de José Vieira Passos, de 1925 a 1935. Exercendo-a, também na cidade de Pedreiras, no comércio de Benedito Lago, de 1934 a 1935.

            De 1936 a 1941 Ataliba colocou o seu próprio comércio. Até quando decidiu mudar de ramo, adquirindo um caminhão para transporte de cargas e de passageiros. Atividade que mesclou com a agropecuária até 1959, quando ingressou na atividade pública, sendo nomeado para o Setor Fazendário do Estado, iniciando como Escrivão e aposentando-se em 1981, como Coletor.


            Seguindo a saga da família Vieira Almeida, a partir de 1950 Ataliba ingressou também na atividade política onde foi vereador por 3 (três) Legislaturas. Vice-Prefeito por 2 (duas) vezes e Prefeito por um ano 30/01/1950 a 30/01/1951, em substituição ao prefeito Raimundo Araújo, que renunciou ao cargo. E após se aposentar em 1981, voltou à atividade agropecuária, nela, permanecendo até a sua morte em 1997.

            Ataliba Vieira de Almeida era uma pessoa amiga, alegre, brincalhão, que gostava de narrar os acontecimentos que se sucederam desde a criação de Chapadinha. Acima de tudo um homem de muita fé e íntegro. Não tinha apego a bens materiais e não media esforços para ajudar ao próximo. Sempre dizia: "se for para ter muito dinheiro para não ajudar as pessoas, prefiro ficar sem." Antes de morrer, Ataliba deu a sua Casa de Farinha montada para Domingos Rodrigues e loteou em hectares uma parte de sua fazenda  Santa Luzia e doou para seus moradores.


            Dentre os poetas Chapadinhenses, Ataliba Vieira destaca-se como saudosista, amava sua cidade e não perdia a oportunidade de demonstrar sua incrível sensibilidade, sempre a aflorar-se nas palavras: “Viver em Chapadinha, mesmo que por um ano, era-me mais valioso do que dez anos em Brasília.” o seu livro “CHAPADINHA, Historiografia e Núcleos Familiares” até então, é a obra mais completa sobre a história de Chapadinha.

            No poema intitulado “CHAPADINHA, MINHA VIDA” Ataliba faz a sua homenagem a terra que tanto amou.

CHAPADINHA, MINHA VIDA

Outrora Chapada das Mulatas

Belas morenas a cavalgavam

Ora emancipada és Chapadinha

Amante dos que te encantavam.

Exaltar tua gente e teus valores

Entre nossas gerações futuras

Garante no porvir teus pendores

Vigor histórico das culturas.

Os teus campos de grande esplendor

Esculpiram o cerne do meu ser

Impregnando-me com teu valor

Florescendo todo o meu viver.

Nobilitar-te em versos e prosas

A mim parecia ato impossível

Exalavas perfume de rosas

Inspirando o imaginar inatingível.

Ataliba Vieira de Almeida faleceu em 1997 com 86 anos e esta sepultado em Chapadinha, no Cemitério Central Nossa Senhora das Dores.

 

Herbert Lago Castelo Branco

Fonte: Chapadinha, Historiografia e Núcleos Familiares.

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terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

REFLEXOS DA LITERATURA CHAPADINHENSE


     


 A cultura das diferentes populações se expressa através de diferentes formas, entre elas está a poesia. A forma mais antiga de poesia é a oral, que era passada de geração em geração. Muitas vezes em forma de música. A poesia inclusive é mais antiga do que a própria criação do alfabeto, e a partir dessa criação puderam ser registradas para a posteridade, pois o homem sempre teve necessidade de se comunicar e expressar seu eu. No pensamento dos germânicos a poesia vem a estar presente em todas as formas de expressão artística: música, pintura, escultura, coreografia, etc, tornando-se o núcleo residual de todas as artes

                POESIA CHAPADINHENSE

      Chapadinha tem um legado poético valioso para a nossa história, e na atualidade observa-se o alvorecer de uma poesia nova que mostra de forma clara que o poeta Chapadinhense continua muito vivo e fluente em suas inspirações. A poesia não expirou. Mesmo sendo esquecida, pouco difundida e falada.

      Com o objetivo de divulgar a poesia Chapadinhense, os seus poetas e poetisas, publicarei neste espaço de A PROSA, aspectos da nossa literatura, destacando seus nomes de maior expressão, resgatando um pouco a sua importância a sua biografia, suas respectivas poesias e seus reflexos na atualidade. Conhecer um pouco mais a história e a obra dos principais escritores chapadinhenses.

      Chapadinha tem um número significativo de poetas e escritores talentosos, com alguns nomes de maior relevância como: Mata Roma, Zizete Cunha, Ataliba Vieira, Helvécio Vieira Passos, Raimundo Nonato Vale, Clara Martins, Lourival Passos, Herbert Lago Castelo Branco, Zé dia Riba, Maria Coelho, dentre outros. Suas criações poéticas são em sua maioria manifestações de vida, relatos da realidade, muitas vezes sob uma perspectiva romântica, desbravadora, inquietante e altruísta. A poesia Chapadinhense retrata não só o romantismo habitual dos poetas, mas retrata a vida de um povo hospitaleiro, lutador, sofrido, porém feliz.

      Os reflexos da poesia Chapadinhense na atualidade, há nomes emergentes, promissores e jovens poetas,    que com grande esmero escrevem suas poesias, para quem sabe um dia surgir um grande poeta ou poetisa desses versos singelos e adolescentes. Desta nova safra de poetas como Fernando Nunes, Lucille Berce, (filha do também escritor Antonio José, o AJ), que com 11 anos lançou seu primeiro livro de poesia intitulado “AS HISTORINHAS DE LU”, que por sinal é muito bom e recomento a leitura.     

      A seguir, trecho de um dos poemas desta jovem poetisa Chapadinhense Lucille Berce.

VIDA E POESIA

A vida em si já é uma poesia

Quando bem vivida e aproveitada,

É amor, paz e alegria

É a felicidade alcançada

É um dom celestial que recebemos,

E devemos vive-la na alegria

Aproveitando bem cada momento

Para fazermos desta vida uma poesia.


Herbert Lago Castelo Branco 

Extraído da Monografia de Edlaina Vasconcelos Bezerra

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sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

ESCRITOR HERBERT LAGO PARTICIPA DA I SENAMANA LITERÁRIA E DA 14ª FELIS

             


    Após ser homenageado na cidade de Mata Roma, por ocasião da I SEMANA LITERÁRIA, realizada no dia 03 de dezembro, pelo Colégio Manoel Cardial, o qual foi o vencedor das olimpíadas literária, com uma apresentação do trabalho baseado no livro MATA ROMA O TÂNTALO DE CHAPADINHA, de autoria do poeta e escritor Herbert Lago Castelo Branco. O escritor Chapadinhense também participou no último dia 05 de dezembro da programação oficial da 14ª FELIS – Feira do Livro de São Luis, com o lançamento do seu mais novo trabalho intitulado “A HISTÓRIA DE CHAPADINHA EM VERSOS” na capital maranhense.

            Este livro de bolso que foi inspirado no livro “CHAPADINHA, Historiografia e Núcleos Familiares” de Ataliba Vieira de Almeida. Por meio de uma narrativa poética Herbert Lago apresenta de forma diferente ao leitor a história de Chapadinha em forma de versos. Vale a pena conhecer!