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segunda-feira, 5 de abril de 2010

"A PARTILHA DOS PEIXES"



"PAI NOSSO" E "PÃO NOSSO"

A palavra companheiro significa compartir o pão, e comunhão vem da mesma raiz que a palavra comunicar. Se comungo as mesmas ideias de uma pessoa é porque ela diz o que penso, exprime o que sinto e tenho profunda afinidade.
No capítulo 25, 31 – 44 de Mateus, Jesus enfatiza que a salvação se sujeita ao serviço libertador aos excluído, com quem ele se identifica. E na partilha dos pães e peixes, episódio conhecido como “multiplicação dos pães”, Jesus ressalta a socialização dos bens da vida como sinal da presença libertadora de Deus.
No entanto, há milhões de pessoas que, ainda hoje, não têm acesso à comida. O maior escândalo deste inicio de século e de milênio é a existência de pelo menos 1 bilhão de famintos entre os 6,5 bilhões de habitantes da terra. Só no Brasil, 30 milhões estão excluídos dos bens essenciais à vida. E inúmeras pessoas trabalham de sol a sol para assegurar o pão de cada dia. Em toda a América Latina morrem de fome, a cada ano, cerca de 1 milhão de crianças com menos de 5 anos de idade.
A fome mata mais que a Aids. No entanto, a Aids mobiliza campanhas milionárias e pesquisas científicas caríssimas. Por que não há o mesmo empenho no combate à fome? Por uma simples razão: a Aids não faz distinção de classe social, contamina pobres e ricos. A fome, porém, só afeta os pobres.
Hoje, o pão é injustamente distribuído entre a população mundial. Basta dizer que 80% dos bens industrializados produzidos no mundo são absorvido por apenas 20% de sua população. Ou seja, se toda a riqueza da terra fosse um bolo dividido em 100 fatias, 1 bilhão e 600 milhões de pessoas ficariam com 80 fatias. E as 20 fatias restantes teriam de ser repartidas para matar a fome de 4 bilhões e 900 milhões. Basta dizer que apenas quatro homens, todos dos EUA, possuem uma fortuna pessoal superior à riqueza somada de 42 nações subdesenvolvidas, que abrigam cerca de 600 milhões de pessoas.
Não posso chamar Deus de “Pai” e de “nosso” se quero que o pão (os bens da vida) seja só meu.
Herbert Lago Castelo Branco
Extraído do texto COMUNGAR de Frei Beto.

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