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quinta-feira, 28 de maio de 2009

O FUTURO DA RADIODIFUSÃO BRASILEIRA


A capital federal foi o palco principal dos debates sobre o setor de rádio e televisão. Durante três dias, empresários, comunicadores, técnicos e pesquisadores abordaram temas como liberdade de expressão, novas tecnologias, marco regulatório e gestão de empresas no 25° Congresso Brasileiro da Radiodifusão. O evento encerrou com conclusões importantes e superou as expectativas na área comercial: a Feira Internacional de Equipamentos e Serviços, que contou com a presença de 94 empresas nacionais e multinacionais, faturou R$ 38 milhões. A edição deste ano assinalou 47 anos de debates sobre a comunicação no país, liderados pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). Além disso, o evento aconteceu num momento de grandes transformações tecnológicas, que impactam não só o rádio e a televisão, mas todas as formas de comunicação. Nesse cenário, um passo significativo foi dado pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, que anunciou já na abertura do congresso a assinatura da portaria para a realização de consulta pública que permitirá a concorrência dos principais padrões digitais de rádio do mundo e, posteriormente, a definição do modelo a ser adotado pelas milhares de emissoras brasileiras. Com uma história quase centenária, o rádio brasileiro tem um papel predominante no cotidiano de cada um de nós, seja numa metrópole ou numa pequena cidade do interior. Entretanto, o rádio, que vivencia como nenhum outro meio a vida de cada comunidade, é o único remanescente no ambiente analógico. Por isso, a confirmação da consulta pública é tão importante e esperamos que até o próximo ano será possível escolher definitivamente o padrão mais adequado para o nosso rádio. Com a participação de renomados profissionais de diversas áreas do conhecimento, o congresso discutiu a defesa da publicidade para a consolidação da democracia e do desenvolvimento do país e a realização da I Conferência Nacional da Comunicação (Confecom), marcada para dezembro. Reafirmou-se durante o evento a defesa unânime do Conar como órgão capaz de regular a propaganda no país, garantindo a liberdade de expressão nessa área e, ao mesmo tempo, preservando os interesses da sociedade. O setor da radiodifusão — que responde por 0,49% do PIB, gera 302,6 mil empregos (diretos e indiretos) e fatura mais de R$ 14 bilhões ao ano — depende essencialmente da publicidade. Pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) indica que a comercialização de publicidade representa 89% da receita das emissoras de rádio e televisão. Portanto, garantir a livre expressão comercial representa assegurar também condições de independência e de pleno exercício da liberdade de imprensa aos veículos e, por consequência, o acesso ao cidadão a uma diversidade de conteúdo, produtos e serviços. O debate sobre a participação do segmento na Confecom serviu para definir os principais eixos a serem defendidos durante as discussões sobre a comunicação brasileira nas diversas regiões do país. Os radiodifusores reafirmaram a certeza de que será uma oportunidade importante para discutir o modelo atual das comunicações, porém, desde que vislumbremos o seu futuro, como a regulação das novas mídias, o processo de convergência tecnológica, as regras para a concorrência etc. O Brasil precisa adaptar-se, o mais rápido possível, ao novo cenário de comunicação que avança embalado pela internet e pela digitalização dos meios. A Abert espera que o comitê organizador defina os eixos da conferência, para então consolidar suas prioridades para o debate nacional. Por último, os empresários do setor reafirmaram a necessidade de o Ministério das Comunicações aperfeiçoar a gestão dos processos das emissoras. O desmantelamento do órgão ocorrido durante a gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso determinou o acúmulo de dezenas de milhares de processos que até hoje, apesar do esforço da atual gestão, não foi superado. Enfim, foram três dias de intenso debate, em mais de 40 plenárias, painéis e oficinas técnicas. Deles, não temos dúvida, o setor da radiodifusão sai fortalecido pelas conclusões e diretrizes que conseguiu produzir para consolidar sua atuação em um cenário de convergência tecnológica, cada vez mais complexo e desafiador, que elimina fronteiras entre os meios de comunicação, torna mais veloz o acesso a informações e redesenha, pouco a pouco, a maneira de fazer negócios.

Daniel Pimentel SlavieroPresidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert)
Fonte: Correiobraziliense de hoje 28-05-09


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